Publicada em 13/12/2008

O dia da consciência negra no Brasil,
os protestos e o combate ao racismo

No dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, ocorreram dois atos dos movimentos negros em Porto Alegre, assim como houve atos no Brasil inteiro.

O primeiro, na parte da manhã, com integrantes de comunidades quilombolas (designação comum aos escravos refugiados em quilombos, ou descendentes deescravos negros cujos antepassados no período da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades onde executavam diversos trabalhos braçais para formar pequenos vilarejos chamados de quilombos). Neste ato, foi feita uma caminhada até a sede do INCRA, para cobrar do governo federal as titularizações de seus quilombos. Mas como sempre, o governo Lula não trouxe nenhuma solução para os movimentos negros, que já avançam na compreensão de que precisam romper com qualquer tipo de ilusão e lutar contra o governo Lula.

Em seguida, houve uma plenária, em que integrantes das associações discutiram como o governo estava tratando a questão dos quilombolas, e onde todos chegaram a um consenso de que o governo federal não está nem um pouco preocupado com as questões dos negros.

Lula não concede a titularização das terras par os quilombos, porque para fazer isso teria que se chocar com uma parte importante da burguesia que o apóia (os latifundiários). Lula só defende os negros nos discursos para ganhar votos. Na prática, sustenta e se alia com os racistas.

Na parte da tarde, todos se dirigiram caminhando a pé até o Largo Zumbi dos Palmares, na II Marcha Estadual Zumbi dos Palmares, juntamente com representantes da cultura e religião afro. Mesmo dirigida por setores descomprometidos com a luta conseqüente contra o governo Lula e seus ataques, a marcha teve um papel importante, de expressar as reivindicações negras e dos trabalhadores.

Algumas entidades como o Movimento Negro organizaram palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade. Mas sabemos que isto não muda, na prática, a vida da população, pois o racismo existe e não tem como acabar dentro deste sistema capitalista que vivemos. 

A negritude vem se fortalecendo contra as opressões dos governantes e mostrando o seu valor e importância para a construção de uma sociedade socialista livre de preconceitos e igualitária. Os negros devem unir-se juntamente com a classe trabalhadora como um todo, para combarter os ataques do governo Lula e o capitalismo.

Recentemente, uma pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que a desigualdade de renda entre as famílias negras/pardas e brancas ainda é imensa, com as famílias brancas possuindo renda mensal duas vezes maior que as famílias negras/pardas. O estudo também mostra que a taxa de analfabetismo entre jovens negros é quase duas vezes superior à taxa entre brancos.

"Enquanto houver Capitalismo, existirá racismo" Malcom X

O capitalismo utiliza as opressões para aumentar a quantidade de riqueza roubada todos os dias dos trabalhadores. Por isso, não é possível acabar com o racismo, machismo e homofobia sem acabar com o conjunto do sistema capitalista, que depende do lucro antes de qualquer coisa e, justamente em função do lucro, criou e reproduz todos os dias os preconceitos raciais e o machismo. Nesse sentido, a luta por uma sociedade igualitária, sem discriminação, de fartura e qualidade, só é possível numa sociedade sem exploração do trabalho, sem patrões, onde quem produz é quem controla as riquezas. Disso que surgiu e para isso é que existe o Movimento Revolucionário: para lutar contra a exploração e a opressão capitalista, em defesa do socialismo e da revolução!

 

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