Publicada em 28/03/2010

Arrecadando como nunca na História desse país, Lula corta o orçamento para pagar banqueiros.

O governo Lula diz que o Brasil está indo "as mil maravilhas"; que a economia está crescendo, estável, e "nunca antes na História do país" as coisas deram tão certo.

Mas ao mesmo tempo em que diz isso, divulga mais um dado que diz totalmente o contrário. Depois da recessão confirmada e da queda do PIB em 2009, Lula e seus técnicos foram obrigados a cortar do orçamento R$ 21,8 bilhões. Nunca, em nenhum de seus 8 anos de mandato, o governo petista teve de fazer um corte tão grande, mesmo este sendo um ano de eleições.

A economia vai bem... para os banqueiros e grandes empresários!

O corte drástico de investimentos foi anunciado pelo ministro do planejamento Paulo Bernardo, depois de verificar que a arrecadação de 2010 não tem se recuperado como se esperava. Na verdade, estes números bastante ruins dos 3 primeiros meses se somam à necessidade do governo garantir o superávit primário ("sobras" do orçamento que são destinadas ao pagamento da dívida pública), estabelecido em 3,3% do PIB para 2010, frente aos 2,5% de 2009.

Este ajuste para cima do superávit tenta voltar ao patamar de pagamento da dívida que existia antes da crise. No ano passado, tentando manter a economia de pé, o governo investiu o que tinha e o que não tinha, e reduziu o superávit primário, fazendo a dívida crescer de forma acelerada.

Agora, mesmo com a economia ainda abaixo da crítica, o governo avalia que não há mais como deixar de destinar grandes recursos à dívida, e, portanto, Lula está cortando dinheiro de programas sociais e até do PAC, para cumprir os compromissos mais importantes de seu mandato: com os banqueiros internacionais.

Com medo da repercussão eleitoral desses cortes, Lula e sua equipe já anunciaram que projetos como o Bolsa Escola, e as verbas da saúde, educação e segurança não serão afetadas. Os projetos mais atingidos seriam os dos parlamentares, que também incluem repasses da saúde, educação e transportes. Mas é claro que, além dos cortes indiretos, vai haver cortes diretos nestas áreas. Lula não pode garantir que eles sejam poupados, pois em outras vezes fez isso, e ficou provado que era mentira! Não há dinheiro para manter uma área que seja sem cortes.

Mesmo os grandes carros chefe da campanha eleitoral, que garantem milhões de votos ao atual governo, e são os principais cabos eleitorais de Dilma estão ameaçados.

A arrecadação caiu? Os números dizem o oposto!

Lula não cansa de mentir. Ao mesmo tempo em que anunciava um corte gigante no orçamento, em uma sala ao lado, o governo comemorava as estimativas em relação à arrecadação do governo federal.

Somente no mês de fevereiro deste ano o governo federal arrecadou 53,541 bilhões de reais, índice 13,23% superior ao mesmo período de 2009. E agora todos eles já estão anunciando um avanço ao ponto de recuperar as perdas que tivemos no período da crise econômica. As estimavas deste ano preveem uma arrecadação superior em 12% em comparação a 2009, em termos absolutos, fora os valores do recolhimento dos royalties.

Claro que estas estimativas estão superdimensionadas, e a arrecadação de fevereiro, melhor que a do desastroso 2009, é pior que a de janeiro e mais baixa do que se imaginava que seria. Mas, além da economia não ir muito bem (apesar da exploração tributária estar sendo retomada com força) o maior problema de 2010 é pagar a conta de 2009, quando a dívida e seus juros aumentaram muito.

Assim, mesmo que não nos patamares anunciados pelo governo, a arrecadação cresceu neste ano, mas a notícia para os trabalhadores segue péssima: enquanto o governo arrecada como nunca na História deste país, promove os maiores cortes orçamentários já feitos em 8 anos! Tudo para garantir o pagamento em dia dos banqueiros internacionais.

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