Publicada em 06/11/2007

CPMF: Por que a direita sempre salva Lula e o PT?

A CPMF (Contribuição “Provisória” sobre a Movimentação Financeira), que foi criada há mais de 10 anos, tem tudo para ser prorrogada por mais 4 anos. Hoje em dia, a CPMF é um dos principais impostos arrecadados pelo governo Lula, exigindo pouca estrutura para arrecadação e rendendo R$ 40 bi por ano. Criada supostamente para garantir verbas à saúde, a CPMF sempre foi e segue sendo a fonte de dinheiro parra o caixa único dos governos, que escorre para o mensalão, a corrupção e o enriquecimento ainda maior dos banqueiros e empresários.

A prorrogação desta fortuna, que é o que ainda sustenta o orçamento do governo Lula, está para ser dada de mão beijada pelo PSDB, que, pelo senso comum, deveria ser oposição a Lula. Por isso, devemos pensar: o que explica essa unidade PSDB-PT?

Nós podemos dizer, com toda certeza, que, sem a CPMF, o governo Lula fica inviabilizado. De todas as ameaças e chantagens do governo, uma coisa é verdade; sem a CPMF se tornaria impossível manter o superávit primário, as “contas” do governo (leia-se pagar a dívida pública) e ainda sobrar alguma coisa para investir. Então, outra vez, a pergunta: se o governo de Frente Popular de Lula pode “quebrar” com a simples não renovação da CPMF, por que o PSDB (e a burguesia que ele representa) salva Lula neste momento?

A resposta é uma só: a burguesia precisa do governo Lula e do conteúdo que esse governo sustenta. Governos como o de Lula são o que se chama de Frente Popular. Um governo de Frente Popular é um governo burguês, cujo conteúdo é o mesmo que os demais governos de direita. A diferença é que as Frentes Populares contam com o apoio ou a liderança de organizações oriundas da classe operária. Trotski, revolucionário russo, explicava que as Frentes Populares são um dos últimos recursos da burguesia. Isso quer dizer que em situações de crise, os banqueiros e grandes empresários preferem um governo com “moral” entre os trabalhadores e que aplique os mesmos ataques, do que um governo diretamente seu, que não teria condições políticas para isso. Mas este apoio, que pode durar muitos anos, nunca vai fazer a burguesia desistir de retomar o controle do governo ela própria. Então, por fim, por que o PSDB apóia a CPMF de Lula?

Porque sabe que ainda não há ninguém melhor que Lula para garantir a Reforma da Previdência que aumenta em 5 anos o tempo de contribuição dos trabalhadores. Que só Lula pode impedir greves vitoriosas dos bancários, por exemplo, através da CUT, sua aliada e traidora do movimento sindical. Então a decisão do PSDB é manter Lula forte para aplicar seu projeto. Entre facilitar a vitória em 2010, mas sob pena de perder lucro nos seus negócios pelos próximos 3 anos; e se enfraquecer como alternativa, mas fazer os lucros dispararem, como vem acontecendo, o PSDB já fez sua opção.

O PSDB, como os demais partidos, na verdade não é um conjunto de políticos, independentes, com suas idéias. O PSDB faz o que os empresários que o sustentam mandam! E estes empresários e banqueiros, hoje em dia, lucram mais com Lula do que jamais lucraram. Este setor da burguesia ainda é parte dos que pretendem que o PSDB retome a presidência (enquanto outro setor já é petista, mesmo). Mas este projeto de governo do PSDB não é a qualquer custo. Entre uma idéia de um lado e uma acumulação de lucros bem concreta do outro, a burguesia sempre é muito prática. Foi a mesma coisa em 2005, quando o mensalão ameaçava derrubar Lula, e foi a direita quem fez questão de manter Lula na presidência, livrando sua cara. A burguesia lucra com a “segurança jurídica” e “confiabilidade política” existente no Brasil.

Isso quer dizer que a última coisa que o Bradesco, a Votorantim e a Vale do Rio Doce querem é Lula fraco. Porque sabem que a conseqüência disso será o fortalecimento não dela própria, mas das lutas, da indignação do povo trabalhador e o crescimento de greves, ocupações, protestos e de organizações de esquerda. O medo que a burguesia tem da classe trabalhadora e de uma saída revolucionária, de ruptura, é muito maior que sua vontade de governar diretamente com seus membros.

Por conta disso, a tarefa dos lutadores e, mais ainda dos revolucionários, é denunciar cada vez mais que PT e PSDB são farinha do mesmo saco. Eles são todos iguais! As eleições não mudam nada, pois mesmo um projeto desenvolvimentista burguês, como o que Heloísa Helena (PSOL) defende, faz parte desta mesma lógica. Alguns empresários seriam prejudicados, mas diante da radicalização das lutas, muitos setores da burguesia veriam nesta alternativa o “novo último recurso” para manter seus negócios e exploração. Um pouco alterados, mas preservados.

Para nós não há saída: contra a CPMF e o aumento brutal dos impostos, contra a “unidade nacional” em torno dos ataques aos trabalhadores, por investimentos em saúde, educação, emprego e salário, DERROTAR LULA E ABAIXO O CONGRESSO CORRUPTO! Cada luta deve estar a serviço da tomada do poder pelos trabalhadores e só uma revolução é capaz de acabar com a pobreza, a exploração e a corrupção no Brasil. 

 

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