Publicada em 25/02/2008

A farsa do “Brasil Credor Internacional”:
a dívida cresce para os pobres e o dinheiro financia os ricos

         O governo Lula anunciou, com pompa e circunstância, que, a partir de janeiro deste ano, o Brasil teria deixado de ser “devedor” e passado a “credor” internacional. Este anúncio fantasioso e fictício lembra o factóide anunciado no primeiro mandato de Lula de que havíamos nos “libertado” do FMI. Agora, a explicação governamental é que teríamos mais reservas internacionais que dívida externa. Mas o que isto tem de realista?

Na verdade, nem naquela época o Brasil deixou de estar submetido ao que mandam o FMI e outros organismos imperialistas, nem agora o Brasil deixou de ter uma dívida gigantesca (e sendo devedor, portanto) e que segue crescendo todo dia!

         O governo de Lula preferiu pagar a dívida direta com o FMI, e quase duplicar a dívida do país com todos os outros bancos e, principalmente, vendendo títulos públicos brasileiros, e colocando o país ainda mais nas mãos do que determinam as multinacionais e os grandes especuladores. Ou seja, trocou uma coisa por outra, sem resolver nada. É este o mesmo movimento que ocorre agora: a equipe econômica de Lula tem substituído a dívida “externa” por dívida “interna”, em geral mobiliária, isto é, através dos títulos.

         Parodiando as famosas metáforas de Lula, é como se um trabalhador deixasse de dever ao dono do mercado da esquina, que anotava as dívidas num caderninho, e passasse a se dever ao agiota do bairro. Ninguém é irracional de acreditar que essa é uma notícia a comemorar. Mas Lula, atolado até o pescoço com a farra dos cartões corporativos, precisa da imprensa para fabricar boas notícias, e essa pareceu a única possível.  

Seguimos com dívida. Ela cresce ainda mais.
E ainda é externa, na prática!

         O movimento de “swap” como é conhecida a troca de posições financeiras, ou, neste caso, do “perfil” da dívida brasileira, altera sua FORMA, não seu volume ou conteúdo. Desde a crise que quase quebrou o Real e os negócios da burguesia brasileira em 1999, quando o dólar disparou, dobrando e indo a mais de R$2, os especialistas burgueses têm dirigido um processo de substituição da dívida em dólar por dívida mobiliária (venda de títulos públicos). Assim, em tese, o país fica menos vulnerável às oscilações do dólar (que agora está caindo, ironicamente, pois diminuiria a dívida). Por outro lado, para conseguir interessados em comprar títulos do governo, o próprio governo precisa oferecer um “prêmio” alto. E este prêmio, baseia-se na taxa de juros básicos, expressos na famosa SELIC.

         O que isso quer dizer? Que o país mantém os juros lá em cima, prejudicando os que tomam empréstimos e o próprio crescimento econômico, simplesmente porque precisa dos especuladores, e só os satisfaz com juros altíssimos. É uma interpretação infantil atribuir os juros altos do Brasil a um “conservadorismo” do Banco Central. Na verdade, os juros não baixam porque não podem baixar! O Brasil hoje é refém dos especuladores financeiros, que financiam o governo, e depois cobram a conta.

No final, nem podemos dizer que o Brasil trocou 6 por ½ dúzia, porque é bem pior que isso: trocamos R$ 600 bi por mais que o dobro disso ! FHC aumentou a dívida pública de R$60 bilhões para R$600 em 8 anos, mesmo tendo pago R$ 57 bilhões a cada ano só de juros. Lula conseguiu a proeza de dobrar todos estes números. Em cada um de seus 5 anos de governo pagou mais de R$ 100 bilhões de juros e apenas sua dívida pública mobiliária (títulos) fechou 2007 em R$ 1,224 trilhão!!!

Um aumento de 12% em um só ano! Em termos percentuais relativos ao PIB, a dívida de Lula estaria quase em 50% do PIB, não fosse o canetaço que mudou o cálculo das riquezas nacionais feitas pelo governo. Os números não mentem! Mas podem ser distorcidos. É apenas isto que resta a Lula: maquiar dados. Mas este truque não resiste a uma análise um pouco mais séria. A verdade é que a dívida brasileira nunca foi tão grande e segue absolutamente impagável.

         Então vem o último argumento: “pelo menos a dívida não é mais externa”... É muito triste que só em juros da dívida se gaste mais do que com toda a área social no Brasil, cada vez com mais miseráveis, e que, mesmo assim, sigamos mais devedores do que nunca. Mais é ainda mais triste assistir à hipocrisia e ao cinismo dos ricos do país, que tentam nos agradar com migalhas, que são falsas ainda por cima.

Pouco importaria que a dívida fosse com banqueiros nacionais ao invés de estrangeiros. Para um desempregado, que vive de bicos, porque não há emprego, não possui direito à aposentadoria, não têm acesso à saúde, educação, cultura e lazer, e assiste ao governo torrar seu dinheiro na farra dos cartões, de que interessa que todo orçamento vá para pagar agiotas americanos ou brasileiros? A “esquerda” stalinista, defensora das burguesias nacionais, é quem sempre teve esta lógica de apoiar o inimigo verde-amarelo, como se o chicote nacional fosse menos violento do importado.

Mas nem esta ilusão insignificante é verdadeira. Isso porque a trilionária dívida “interna”, entre ela a mobiliária, é assim chamada somente porque foi captada dentro do Brasil. O país não precisou ir ao estrangeiro pedir empréstimo, mas o fez por aqui mesmo. Mas isso não significa que os “compradores” da dívida sejam brasileiros. E não são!  São os banqueiros americanos, fundos de investimento privados internacionais e grandes especuladores, como o conhecido George Soros os grandes donos da dívida e da política do governo Lula. A dívida “interna”, portanto, segue externa!         

Grau de investimento e reservas internacionais

         A maior prova de que é para o imperialismo que o Brasil hoje deve seus trilhões, e que Lula é o responsável por isso, é a busca desesperada do governo em receber o chamado “investment grade”, ou grau de investimento. Esta “classificação” é uma nota, atribuída por agências de medição de risco aos investimentos em cada país. Estas agências são verdadeiras máfias, com critérios arbitrários e comprometidos com os lobbies de banqueiros e especuladores para definir suas notas, e é uma vergonha que o Brasil leve estas agências a sério.

Lula quer que acreditemos que o FMI não influencia mais nada de nossa economia, mas escancara que estas agências privadas pautam tudo que o governo faz, a começar por arrochar salários, encarecer os empréstimos e retirar direitos, tudo para agradar as agências e ganhar o grau de investimento.

Mas o quê isto muda na vida do país? Com o grau de investimento, fundos públicos estrangeiros podem investir no Brasil, leia-se: podem comprar nossos títulos e poderíamos dever ainda mais, para estes grupos internacionais. A história é a seguinte: os juros escandalosos que o governo aceita pagar para os especuladores que financiam sua dívida atraem todos que querem ganhar dinheiro fácil. Mas os fundos públicos dos EUA, por exemplo, são proibidos de investir em países sem o grau de investimento. Então esta é a briga de Lula: rastejar até quando e onde for preciso, para atrair mais gente para quem possamos dever.

         As reservas internacionais do Brasil, atualmente em US$ 180 milhões, não são nenhuma contradição com isso. Na verdade, elas nem fazem cócegas na dívida monstruosa do Brasil. Mas como é que devendo quase R$ 2 trilhões daqui a pouco tempo, podemos ter reservas de mais de uma centena de bilhões?

Pelo fato de que estas reservas são a outra face da moeda de colonialismo que Lula impõe à política externa brasileira. Por um lado, o governo mais que duplica nossa dívida. Por outro, compra títulos da dívida americana, para ajudar Bush a financiar sua economia em recessão e deficitária. É graças ao dinheiro que Lula nos rouba e dá aos americanos, como aos bilhões pagos pela China e outros países subdesenvolvidos e semi-coloniais que os EUA têm sobrevivido à crise. Este é o papel do Brasil de Lula: dever aos poderosos e roubar os pobres para emprestar aos ricos!

 

- NÃO PAGAR AS DÍVIDAS INTERNA E EXTERNA

- ESTAS DÍVIDAS NÃO FORAM FEITAS PELOS TRABALHADORES. QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE

- NÃO AOS CORTES DE VERBAS SOCIAIS, ABAIXO AS REFORMAS NEOLIBERAIS. REAJUSTE SALARIAL JÁ!

- PELA REESTATIZAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS E ESTATIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO, SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES

- PELA EXPROPRIAÇÃO DE TODOS OS BENS, FÁBRICAS, BANCOS E TERRAS DOS IMPERIALISTAS NO BRASIL.

- DERROTAR LULA E ABAIXO O CONGRESSO CORRUPTO!

- POR UMA VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, QUE SÓ VIRÁ COM A REVOLUÇÃO SOCIALISTA

 

 

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