Queda nas exportações, demissões e diminuição dos empregos com carteira assinada: A crise econômica se aprofunda no Brasil
Os dados recentes sobre a queda nas exportações brasileiras demonstram que a crise econômica mundial atingiu com força o Brasil. Segundo informou o Ministério do Desenvolvimento na primeira semana de Dezembro a balança comercial brasileira voltou a registrar déficit (importações maiores do que exportações). Entre os dias 1 e 8 de dezembro a balança teve um resultado negativo de US$ 435 milhões. Já na segunda semana deste mês houve uma breve recuperação em relação aos dados primeira semana, porém não o suficiente para melhorar os resultados das exportações brasileiras no ano.
Se compararmos o valor do superávit da balança comercial acumulado em 2008 (entre janeiro e dezembro) com o acumulado no ano de 2007, fica claro que o valor registrou uma forte queda de 38,5%, para US$ 21,99 bilhões. Em igual período de 2007, o resultado positivo estava em US$ 37,15 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.
Mesmo com a forte cotação do Dólar nos últimos meses, o que para as empresas exportadoras seria um incentivo, os números não melhoraram. Junto com isso os preços das "commodities" (produtos primários, como alimentos, aço e petróleo, por exemplo) caíram bastante, o que derruba o lucro e valor de mercado das empresas brasileiras que tem nas commodities grande parte de seus produtos de exportação.
Enquanto isso, Lula já deixou claro que, por conta do cenário de desaquecimento econômico no mundo e devido à queda dos preços das "commodities", ambas conseqüências da crise financeira internacional, a expectativa é de que o superávit da balança comercial brasileira tenha nova queda em 2009.
Para o Banco Central, o resultado positivo da balança, que totalizou US$ 46 bilhões em 2006 e US$ 40 bilhões no ano passado, deve ficar em US$ 25 bilhões neste ano e em US$ 17 bilhões em 2009. Já para o mercado financeiro, o superávit comercial deve somar US$ 23,8 bilhões em 2008 e US$ 14 bilhões no próximo ano. Um duro golpe no lucro da burguesia brasileira e também na imperialista instalada no Brasil.
Crise econômica, a queda dos empregos de carteira assinada, o desemprego e a fuga de dólares do Brasil
Nos últimos meses o dólar voltou ter sua cotação em patamares superiores aos R$2,30. Esta super valorização da moeda americana tem sua origem na fuga de dólares do Brasil. Que desde o início da crise tem aumentado vertiginosamente. Toda esta movimentação de dólares para fora do país se deve ao desespero da burguesia internacional para salvar suas empresas. Para tentar evitar a falência, os burgueses retiram do mercado brasileiro o dinheiro que haviam investido em busca de alta lucratividade com a taxa de juros brasileira. Diante da crise e recessão dos países europeus e dos EUA, os burgueses preferem abdicar desta alta lucratividade com os juros no Brasil e usar o seu dinheiro para investir em suas próprias empresas, pois correm risco de falência.
Se considerarmos que mais de 20% de todos os investimentos realizados no Brasil vem de empresas e investidores estrangeiros, esta fuga de capitais internacionais é um verdadeiro desastre para o governo brasileiro. Com a evasão de dólares para o exterior, a economia brasileira fica muito fragilizada. Lula, mesmo que tente disfarçar, já começa a prever um crescimento econômico menor para o país em 2009, além disso, já se vê obrigado a considerar uma redução na taxa de juros para tentar reaquecer o mercado interno no país, já que os investidores internacionais têm fugido do Brasil para tentar salvarem suas empresas e mercados.
Os trabalhadores já sentem a crise econômica no dia-a-dia, a vida nos últimos meses ficou muito mais cara. Além disso, o desemprego já assombra milhares de trabalhadores das montadoras de automóveis, e outros tantos trabalhadores dos mais diversos setores da economia brasileira já amargam o desemprego.
É justamente isso que compravam os dados divulgados em novembro pelo governo federal, afirmando que pela primeira vez no ano, o emprego com carteira assinada caiu. A baixa foi de 0,13%, o equivalente a 40 mil postos de trabalho. A indústria de transformação foi a que mais perdeu vagas em decorrência da crise.
Que os ricos paguem pela Crise
Lula é o principal responsável pelos estragos causados pela crise econômica no Brasil. Isso porque fez de tudo para enganar e iludir os trabalhadores de que a crise não chegaria ao Brasil, que se chegasse seria apenas uma marolinha e etc., enquanto pelas costas dos trabalhadores já discutia com a burguesia como preservar o precioso lucro de suas empresas. E quando a crise chegou liberou mais de R$ 363,3 bilhões em medidas federais para estimular o consumo e os investimentos desde que a crise financeira mundial atingiu em cheio o Brasil.
Agora Lula e os patrões já preparam o segundo pacote para salvar as empresas à custa dos trabalhadores e seus direitos. Diversos burgueses, entre eles os donos das montadoras e o presidente da mineradora Vale, já revelaram que vêem mantendo conversas com o presidente para rever os direitos trabalhistas e o valor dos salários a fim de reduzir os custos de produção e preservar seus lucros. Lula tem se mostrado bastante atencioso e receptivo aos pedidos da burguesia e pode tirar da gaveta o projeto de reforma trabalhista, que já pretendia ter implementado a muito tempo, mas não pode fazer devido a luta dos trabalhadores brasileiros e a correlação de forças ruim para o governo e a burguesia.
Por isso é preciso ter claro que para que os trabalhadores precisam sair as ruas e lutar pelos seus direitos, contra as demissões e o arrocho salarial. Não podemos pagar pela crise capitalista, como Lula e os patrões querem que façamos. Que a burguesia pague pela crise que ela mesma e seu modo de produção capitalista criaram. Para cada demissão é preciso que se realizem protestos e greves, não só da categoria atingida, mas de todas as outras, não somente pelo aspecto econômico, mas também pela compreensão de que a derrota da burguesia em seu projeto, de empurrar a crise para os trabalhadores, em uma categoria enfraquece o conjunto da burguesia e fortalece os trabalhadores e sua luta.
Somente a classe trabalhadora unida, lutando contra a burguesia, o governo e seus dirigentes pelegos do movimento sindical, poderá ser capaz de enfrentar a crise capitalista, impondo seus interesses e necessidades contra os interesses dos patrões e governo.
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