Diante da Crise econômica e da queda brutal das exportações governo Lula aposta no mercado interno como Bote salva-vidas.
Depois de negar e jurar de pés juntos que a crise econômica mundial não afetaria o Brasil, Lula se vê em uma sinuca de bico. Isso porque a crise econômica pegou em cheio o país. Depois de ver centenas de bilhões de dólares fugirem do mercado financeiro nacional e observar o preço do dólar subir assustadoramente em um período de poucos meses, o governo federal agora tenta salvar o tão propagandeado crescimento econômico.
Mesmo com o aumento do dólar, que deveria favorecer as exportações nacionais, o que se viu foi uma diminuição de quase 50% no superávit da balança comercial brasileira, quer dizer, a diferença entre o volume do que exportado pelo país e o que é importado diminuiu, justamente porque o país exportou menos, sendo que em diversas semanas de 2008 a importações chegaram a superar as exportações.
Estes dados são bastante ruins para o governo brasileiro, o empresariado nacional, multinacionais e banqueiros, ou seja, o conjunto da burguesia, pois as empresas e Lula sempre fizeram questão de deixar claro que a economia brasileira tinha como centro a venda de produtos e matérias primas ao exterior. Os incentivos e privilégios dados às empresas exportadoras instaladas no Brasil sempre foram enormes, pois desta forma o governo buscava garantir o lucro da burguesia com as vendas em Dólar e Euros, que valem mais que o Real.
Além disso, o governo brasileiro sempre fez questão de manter a taxa de juros do país como uma das mais altas do mundo, ainda que isso tornasse o credito caro no país, para atrair os investidores internacionais com promessa de remunerações altas para os investimentos feitos no mercado financeiro brasileiro. Com os investimentos estrangeiros no país ultrapassando os 20% de tudo que é investido no país, o governo federal sustentou por muitos anos o discurso de que país crescia, e agora, com a fuga da maioria destes investimentos, Lula vê a economia do país debilitada.
Governo Lula tenta usar mercado interno como bote salva vidas
Enquanto olha para o mercado internacional retraído, comprando cada vez menos, ou nada, do Brasil, Lula se desespera e se obriga a recorrer ao mercado interno brasileiro. O governo vem fazendo diversos apelos para que o brasileiro compre mais, gaste mais dinheiro. Estes apelos foram feitos inclusive com um pronunciamento oficial de Lula em todas as emissoras de rádio e TV.
Somado aos pedidos de que se gaste mais o governo anunciou na quinta-feira, 11 de dezembro, mudanças na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), para liberar mais dinheiro nas mãos dos "consumidores brasileiros". Conforme a nova tabela do imposto de renda quem ganha até 1.434 reais continuará isento de IR. Os que recebem entre 1.434 reais e 2.150 reais pagarão alíquota de 7,5%. Para a faixa salarial entre 2.150 reais e 2.866 reais, a alíquota será de 15%, enquanto quem recebe entre 2.866 reais e 3.582 reais pagará 22,5%. Os que ganham acima de 3.582 reais terão alíquota de 27,5%.
Com esta nova tabela do Imposto de Renda o governo Lula, após anos de uma política de aumento de arrecadação de impostos e de nunca abrir mão de um imposto sequer, o governo federal dispensou arrecadar 4,9 bilhões de reais. Uma demonstração do temor gerado pela crise econômica no governo Lula. É como se o governo aceitasse perder bastante agora para não quebrar logo adiante, em função de uma recessão, falências e inadimplência generalizadas.
Além disso, o governo vai reduzir a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 3% para 1,5% ao ano. De acordo com o ministro Guido Mantega, essa redução deverá ter um impacto de 4% sobre o spread (diferença entre o custo do dinheiro para o banco e o valor cobrado pelo empréstimo ao consumidor) cobrado pelas instituições financeiras. Esse dado é completamente irreal, pois é uma ilusão achar que os impostos menores vão ser repassados ao cliente bancário. É claro que esse dinheiro vai ser usado para recompor as fabulosas taxas de juros do sistema financeiro, estabilizadas desde o início da crise.
Haverá mudanças também na cobrança da alíquota do Imposto de Produtos Industrializados (IPI). Quem comprar carros 1.0 será beneficiado com a tarifa zero de IPI. A alíquota para carros de motor até 2.0 será reduzida em 50%. Tais medidas vão vigorar até 31 de maio.
Também será permitido o empréstimo de dólares das reservas internacionais para empresas brasileiras com dificuldades em negociar suas dívidas no exterior. Essa medida depende ainda da autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN). Com o plano, a desoneração fiscal total chega a 8,4 bilhões de reais.
Todas as medidas foram anunciadas após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 29 empresários, entre os quais Antonio Maciel Neto, da Suzano; Carlos Augusto Lira Aguiar, da Aracruz; Carlos Ermírio de Moraes; da Votorantim; Jorge Gerdau, da Gerdau e Ivan Zurita, da Nestlé, demonstrando a quem se destinam as medidas e quem manda no governo.
Apesar dos discursos do governo afirmando que tomou estas medidas para ajudar os trabalhadores, a verdade é outra. Estas medidas mostram o medo, não só de Lula, mas também da burguesia brasileira, em função da crise econômica e os prejuízos gerados por ela no Brasil. A opção pelo "aquecimento" do mercado interno vem no sentido de tentar salvar os lucros dos burgueses brasileiros, que por anos foram garantidos com exportações e agora estão reduzindo a cada dia.
Por isso pediram que o governo estimulasse o mercado interno como forma de desafogar os produtos que não foram vendidos ao exterior, para que se salvem de um prejuízo astronômico e, até mesmo, da falência.
Todos os empresários que se reuniram com Lula foram unânimes em solicitar a Lula que se reduzam os direitos trabalhistas e os salários dos trabalhadores brasileiros. Eles querem usar a crise econômica como a desculpa que faltava para acabar com os direitos dos trabalhadores brasileiros; querem que o governo implemente a reforma trabalhista, que estava guardada por Lula, à espera de uma oportunidade para ser aplicada.
É preciso fazer com que os ricos paguem pela crise!
A burguesia e o governo Lula são os responsáveis pela crise econômica, por sustentarem o capitalismo e a exploração no Brasil. No entanto, eles fazem de tudo para os trabalhadores sejam os que irão pagar por ela. Nos Estados Unidos, por exemplo, os donos das montadoras já fecharam um acordo com o governo, onde somente 2 empresas montadoras receberão U$$ 17,4 bilhões e ainda ganharão o bônus de reduzir os salários e os benefícios (planos de saúde e etc.) de seus funcionários.
Na Grécia, a precarização dos salários e do emprego, somados ao desemprego crescente tem feito diversos trabalhadores saírem às ruas todos os dias para protestar contra o governo e os patrões que empurraram a crise para os trabalhadores.
E, no Brasil, não é diferente. Lula e a burguesia já começaram a demitir milhares de trabalhadores, ameaçarem de demissão tantos outros e se reunir para planejar a retirada dos direitos trabalhistas. Por isso os trabalhadores não podem ficar de braços cruzados e calados diante da política de Lula e da burguesia de empurrar a crise para as suas costas. Não se pode aceitar que se demita um trabalhador sequer, nem a redução de salários, direitos ou aumento da jornada de trabalho e super-exploração dos trabalhadores.
Mais do que nunca, os trabalhadores precisam sair às ruas para lutar pelos seus direitos, contra as demissões e o arrocho salarial. Os trabalhadores não podem pagar pela crise. Quem deve pagar por ela é a burguesia, que criou a crise econômica juntamente com modo de produção anárquico e guiado pelo lucro.
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