Com a crise, os empresários recuperam o lucro aumentando os preços para o trabalhador.
A última semana de março apresentou alta na inflação nas principais capitais do país. São Paulo (0,33%), Rio de Janeiro (0,55%), Belo Horizonte (0,56%), Salvador (0,32%) e Porto Alegre (0,88%) teriam os principais aumentos, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sobre o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S).
Os produtos mais afetados com a alta são aqueles mais necessários no nosso dia a dia: gás de cozinha, pão, massa, leite, ovos. O aumento no preço de um acaba influenciando no aumento do preço de outro, principalmente entre esses bens derivados. Isso também está relacionado à crise na exportação de grãos da Argentina, de onde vem a maior parte do trigo consumido no Brasil, para pães, massas e outros alimentos. A existência de mais uma onda de aumento de preços, quando a inflação de 2007 já terminou acima do estabelecido pelo governo, e quando os preços no mundo inteiro seguem subindo, nos coloca diante de duas questões principais: uma é a necessidade cada vez maior da burguesia de obter lucro; a outra seria a constante crise de produção dentro do capitalismo.
Esse aumento absurdo no preço de produtos tão importantes ao consumo diário afeta, principalmente, a classe trabalhadora, que além de ser a maioria da população, é a mais prejudicada com a inflação destes itens. A burguesia, detentora da riqueza produzida no mundo inteiro às custas do trabalho alheio, precisa aumentar os preços dos produtos de modo a aumentar a sua margem de lucro e, consequentemente, poder manter-se competitiva dentro do sistema capitalista. Isso demonstra que é uma ilusão o discurso de que vivemos em época de livre concorrência: a formação de trustes e cartéis nunca foi tão necessária às empresas , justamente para fazer com que o lucro de uma multinacional não fique abaixo do lucro de outra ; para que não se corra qualquer risco de falência.
Porém, o capitalismo não comporta essa estrutura sem passar por crises que, antes, eram cíclicas, mas hoje já se provam estruturais e quase constantes. Uma crise acaba em um setor para ser continuada em outro. As crises de superprodução, geradas por uma produção anárquica, que não leva em conta as necessidades do consumidor e sim o lucro dos empresários, acabam resultando em excessos de alguns produtos ao mesmo tempo em que faltam outros, tendo por conseqüência, preços instáveis, que oscilam entre o absurdamente caro e a promoção do mês.
Produtos que passam meses nas prateleiras com preços altos, e poucas semanas antes de perderem o prazo de validade, entram em promoção, são das coisas mais comuns no cotidiano do consumidor. Ou o preço que acaba baixando quase que por obrigação, na tentativa de ser vendido.
Para o trabalhador, que sobrevive de salário mínimo, essas oscilações são extremantes prejudiciais. Comprometem a renda familiar, o sustento da casa e qualquer planejamento que queira fazer a longo, ou curto, prazo.
Só o planejamento da produção pode manter os preços e a oferta de produtos.
A estabilidade dos preços só pode existir enquanto conseqüência de um controle e planificação da produção, ou seja, produção de acordo com a necessidade, tanto em termos de quantidade como de qualidade. Uma produção como a capitalista não tem qualquer condição de dar-se dessa maneira, em função d e que os capitalistas produzem, todos ao mesmo tempo, as mercadorias que mais estão dando lucro.
Dentro do socialismo, a produção se dá de modo planificado e sob empresas estatais, gerando lucro para o Estado dos trabalhadores. Assim, os preços são mais baixos, não há especulação, nem desperdício, além de que a pequena taxa de lucro é mais que suficiente para ser reinvestida em pesquisas e retornar aos trabalhadores sob forma de educação, saúde, saneamento básico e qualquer outra necessidade da classe.
Lula é incapaz de deter a subida dos preços, pois seu governo é submisso ao interesse dos empresários. Assim como não pode baixar mais os juros, pois é mandado pelos banqueiros. Assim é em qualquer governo dentro do capitalismo. É por isso que devemos lutar: por uma vida melhor, em que não se viva mais do mínimo e sim do melhor que é produzido, ou seja, pelo fim do capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista.
VOLTAR