Publicada em 03/04/2009

Marolinha vira Tsunami e “dá  um caldo” na popularidade de Lula:
Crise faz popularidade de Lula cair 9%. Serra aparece fortalecido para as eleições de 2010.

Depois de anunciar  a  plenos pulmões em fevereiro que sua popularidade  tinha batido recorde, contabilizando uma aprovação de 84%, Lula caiu da cama e acordou em meio à realidade da crise econômica,  e viu sua aprovação caiur para 76,5%. Outro índice que caiu foi a avaliação positiva do governo, que  baixou de 72,5% para 62,4%, ou seja,  mais de 10%.

A pesquisa divulgada pela CNT/Sensus na segunda-feira (30/03) mostra que a crise financeira internacional, apelidada  jocosamente pelo presidente de “marolinha”, atingiu em cheio o principal cavalo de batalha do governo: a estabilidade econômica. Esta forte queda interrompeu um período de alta na avaliação pessoal de Lula, que desde outubro de 2007 vinha apresentando crescimento.

Outro dado importante apresentado pela pesquisa é o índice de rejeição ao governo. Os dados mostraram que o número de pessoas que desaprovam o presidente Lula subiu de 12,2% para 19,9%. Outros 4% não responderam à pergunta. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em 24 estados e 136 municípios entre 23 e 27 de março. Segundo a agência, a margem de erro é de três pontos percentuais. Esta é a terceira pesquisa divulgada nas últimas semanas (Datafolha e CNI/Ibope) que aponta uma queda na aprovação do presidente Lula.

Uma queda embalada no Desemprego e na crise econômica mundial:
Para 68% dos brasileiros, desemprego vai aumentar.

            Depois de meses se apoiando no discurso da “força da economia Brasileira” e na “independência”, o governo Lula perdeu seu último escudo. Os impactos da crise no Brasil são visíveis para toda a população. Nos últimos três meses cerca de 1 milhão de trabalhadores perderam o emprego no país, eoutros milhões estão vendo os patrões e as centrais negociarem a flexibilização de seus direitos e a redução de salários sob a desculpa da crise. Todos os dias, milhares de operários da indústria se veem em férias coletivas e não sabem se estas férias terminarão em desemprego ou salários miseráveis.

Justamente esta situação que comprova a pesquisa CNI/Ibope, apontando que 68% dos brasileiros acreditam que haverá aumento do desemprego nos próximos seis meses. Os dados mostram ainda que aumentou de 29% para 37% o percentual de brasileiros que dizem já sentir os efeitos da crise no dia-a-dia. Mais do que isso somente 39% dos brasileiros acham que índice não aumentará nos próximos seis meses. Somente 29% da população considera que a taxa de desemprego vai diminuir ou ao menos permanecer no mesmo patamar. E para a tristeza de Lula, a mesma pesquisa revelou que apenas 32% dos brasileiros concordam com o discurso do presidente e acreditam que a crise terminará ainda em 2009.

Mais do que isso, outro fantasma que assombra Lula, a inflação, volta a preocupar os brasileiros. O discurso de estabilidade econômica feito pelo governo se sustentava muito no fato de o governo “manter a inflação sob controle”. Mas a população não parece confiar mais nesse discurso e na capacidade do governo de fazê-lo. Dos entrevistados, 73% disseram acreditar que a inflação no país deve aumentar nos próximos seis meses. Já na última pesquisa, 67% dos entrevistados acreditavam em piora na inflação, um valor que já era grande aumentou ainda mais.

Analisando os dados divulgados pela CNI, fica claro que a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva piorou em oito setores: no combate à fome e à pobreza, segurança pública, combate à inflação, taxa de juros, combate ao desemprego, impostos, meio-ambiente, saúde e educação.

A crise econômica mundial não demorou a desmentir Lula, e mostrou como a economia brasileira é dependente e subordinada à economia imperialista. Mais do que isso, está mostrando aos trabalhadores brasileiros que não podem confiar no governo Lula e nos patrões para que se solucione a crise. Lula só é capaz de dar dinheiro aos empresários, que por sua vez só querem saber de reduzir salários e direitos e demitir, para salvar seus lucros.

Os dados apresentados pelas pesquisas apenas comprovam que os trabalhadores já  estão percebendo um pouco mais que o futuro será  sombrio para a classe trabalhadora se depender dos patrões e do governo Lula.  A queda de popularidade, mesmo que inicial, e ainda mantido um índice de grande aprovação ao governo, comprova que a "docilidade", passividade e calmaria política no país, assim como em qualquer lugar do mundo, depende de poucas coisas para virar insatisfação, decepção, raiva e luta.

No Brasil, ainda não chegamos a um patamar de Ascenso, com lutas generalizadas, mas a ruptura de milhões de pessoas que antes tinham enormes ilusões em Lula e no PT, ocorrida já há alguns anos,  combinada com uma crise econômica que recém começa a surtir seus efeitos, pode virar a correlação de forças no país e mudar o cenário de conflitos sociais a favor dos trabalhadores. 

Lula se enfraquece, o PT e Dilma também e Serra aparece como forte candidato a presidente em 2010

O enfraquecimento de Lula diante da crise econômica está tirando o sono do PT. O partido que espera transferir os  índices de Lula para a ministra da  Casa  Civil, Dilma Russef, se  vê diante de uma situação constrangedora: a pesquisa da CNT/Sensus divulgada em 30 de março sobre as intenções de voto para 2010 mostrou que Serra ganhou terreno, e conta com 45,7% das intenções. Já Dilma Rousseff  recebeu apenas 16,3%. Heloísa Helena apareceu com 11,2%, e 27% dos eleitores se declaram sem candidato. Na simulação sobre segundo turno, a situação fica ainda mais feia para o PT. As intenções de voto para Serra se ampliaram para 53,5%  e Dilma ficou com 21,3%.

No que diz respeito à influência do presidente Lula para a escolha do candidato, a pesquisa mostrou que 20,3% dos eleitores votariam no candidato apoiado pelo atual presidente, enquanto  25,9% não votariam em um candidato apoiado por Lula, ou seja, o candidato apoiado pelo presidente perderia mais votos do que ganharia, um mau negócio para o PT.

Justamente por causa desses números, tanto da aprovação do governo quanto das intenções de votos, o PT se viu obrigado a agir. Na tentativa de melhorar a imagem de seu governo lançou dois dias depois da divulgação dos  índices um Plano de Habitação, prometendo construir 1 milhão de casas populares em um ano. Um dia depois de lançar o plano foi obrigado a aumentar para dois anos o prazo, pois teve de cortar verbas devido a redução de arrecadação tributaria do governo nos três primeiros meses de 2009, e dois dias depois do lançamento anunciou que não havia mais prazo para a construção do 1 milhão de casas populares do plano habitacional, sinalizando claramente que as verbas para o programa estavam comprometidas graças à crise econômica e à recessão da economia brasileira que já bate à porta.

O Governo está temeroso, pois  também terá de reduzir sensivelmente as verbas dos programas assistencialistas que sustentam a base eleitoral do PT. O Fome Zero, o Bolsa Família, e Cia. estão sofrerão sérias reduções de suas verbas devido ao enfraquecimento da economia brasileira.  O PAC, que é a grande vedete do governo, o programa que prometia ser a base da campanha eleitoral de Dilma, já esta sofrendo com diversos cortes de verbas, e só o que a ministra da  Casa  Civil consegue fazer é promover atos para inaugurar os “futuros canteiros de obras do PAC”, pois as obras mesmo, em sua grande maioria, não foram iniciadas devido à falta de verba. Um verdadeiro pesadelo para o PT em ano que antecede as eleições para presidência e governos estaduais.

Para superar a crise é preciso derrotar Lula, os patrões e o  Congresso corrupto.

Diante da crise do capitalismo, onde os governos, como o de Lula, e os patrões transformam os trabalhadores em alvo de ataques ainda mais fortes aos seus direitos e condições de vida; em que as centrais sindicais como a CUT e a Força sindical se somam a Lula e aos empresários na pressão para que se flexibilizem os direitos trabalhistas e se reduzam os salários ;mais do que nunca será necessário que os trabalhadores saiam às ruas e lutem.

A classe trabalhadora não pode mais ficar nas mãos de quem só quer preservar o lucro e a boa vida dos patrões, do governo e dos burocratas sindicais. Apenas a luta poderá evitar que os trabalhadores paguem pela crise. Somente com a mobilização os trabalhadores poderão garantir seus empregos, salários e direitos e fazer com os ricos paguem pela crise.

Essa é a hora de lutar, não somente contra a crise econômica e seus efeitos, mas também contra Lula e os patrões, que são os responsáveis pela crise econômica e por empurra- lá para as costas dos trabalhadores. Somente lutando contra estes inimigos da classe trabalhadora, se poderá garantir o emprego, o salário e futuro da classe trabalhadora.

As pesquisas, com todas suas distorções, ainda são um termômetro, mesmo que precário, de medição do ânimo das massas. E indicam que algo pode estar começando a mudar. Nosso termômetro real, porém, e muito mais importante, é a disposição de luta da classe trabalhadora. E, neste campo, as recentes greves e lutas da Petrobrás, setores com demissões e mobilização em Correios, dão o tom da necessidade de ampliar a força e o enfrentamento dos explorados contra seus inimigos, responsáveis pela crise.  

 

 

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