Publicado em 31/07/2010

Governo e empresas mentem, e índios ocupam Hidrelétrica Dardanelos!

Índios de pelo menos onze etnias fizeram reféns nessa semana em protesto à construção da Usina Hidrelétrica Dardanelos (Aripuanã – MT).

        As obras da hidrelétrica, segundo a Funai, tiveram início há três anos e tem previsão de término para janeiro de 2011.

        A hidrelétrica foi ocupada pelos índios ainda no domingo (25 de julho), onde fizeram mais de duzentos reféns, todos operários, mas posteriormente substituídos por cinco funcionários que ocupam posições de liderança na empresa responsável pelas obras.

        Depois de muita negociação, já na terça-feira, a usina foi desocupada e todos os reféns libertados.

        O protesto foi motivado devido às compensações financeiras e socioambientais reivindicadas pelas tribos devido ao impacto promovido pela construção da hidrelétrica na região. Segundo os manifestantes, a construção se dá sob um cemitério indígena, local sagrado para as tribos. Além disso, eles temem -com a ativação da hidrelétrica- a diminuição do peixe e a poluição da água (eles afirmam que o Rio Juruena, após o início das obras, ficou poluído e sem peixes).

No acordo firmado a prefeitura da cidade comprometeu-se a melhorar as estradas de acesso às aldeias e o Estado a garantir atendimento médico aos índios. A Funai afirma que a Usina só entra em funcionamento se cumprir a sua parte no acordo (que deve ser oficializado em um documento chamado Plano Básico Ambiental).

No documento, que será finalizado pelos responsáveis pela obra nos próximos dias, será estabelecido o incentivo para o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas, além do repatriamento do material arqueológico recolhido e um estudo de viabilidade para apresentação da área sagrada dos povos indígenas. Deverá ser estimulada também a capacitação de professores indígenas.

As reivindicações dos manifestantes indígenas chegam a ser constrangedoras de tão óbvias que são: é absurdo que dependam de tal mobilização para garantirem o que o Estado -hipocritamente- já havia se comprometido a fazer. Na verdade, só comprovaram que apenas através da luta é possível conquistar vitórias concretas. Até então, o governo e as empresas envolvidas apenas exploraram a região e prejudicaram o desenvolvimento das comunidades que dependem daquele ecossistema para sobreviver.

 

 

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