Publicada em 30/07/2009

Num dia a fusão, no outro a demissão. Concentração de empresas leva a demissões em massa. Só a Oi dispensou 1.178 após comprar a BrT

O ano de 2009, a despeito da crise econômica mundial, bate recordes de fusões e, junto com elas, das demissões. O processo de compra de uma empresa rival, no capitalismo, não serve para fazer esta nova empresa se somar ao que a primeira produzia. Diante da saturação do crescimento do capitalismo, não há mais mercado para crescer e a tônica é a da superprodução.

Assim, o grande negócio de uma empresa, ao comprar outra, é poder fechar parte de suas fábricas, reduzir a produção e dispensar funcionários. É para reduzir custos, racionalizar a produção, sem gerar excessos, e controlar o mercado que as empresas estão se fundindo, e não para aumentar sua produção, ficarem mais fortes, ou algo do tipo.

Esse é o caso, por exemplo, do processo de fusão da Oi com a BrT (Brasil Telecom), que causará a demissão de 1.178 empregados do contingente atual, que hoje conta com 31.238 funcionários, conforme informou a própria Oi em comunicado oficial.

As demissões devem acontecer já neste mês, sendo que a maior parte (860) acontecerá no setor de operação e manutenção da unidade interna da companhia. As demais demissões devem se concentrar na área comercial da antiga BrT.

Na ocasião das negociações para a aquisição, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estipulou que a empresa resultante deveria manter, por três anos, o mesmo número de postos de trabalho existentes nas duas companhias em fevereiro do ano passado, que era de 25.542.

Esta decisão é uma vergonha, porque considera o número de empregados de mais de um ano atrás, quando a Oi ainda estava se estruturando com mais foca nacionalmente. De lá para cá, as duas já tinham juntas os 31.238 mencionados acima. É sobre esse número atual, que corresponde ao atual peso das 2 empresas, que deveria ter sido feito o acordo proibindo demissões. Mais uma vez, a Anatel ajudou os patrões, jogando no lixo sua função de “proteger” os consumidores, a concorrência e os funcionários.

Perdigão/Sadia se unem para atacar funcionários e consumidores

Uma das maiores fusões mundiais ocorrida este ano envolveu as brasileiras Perdigão e Sadia. Com 119 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano, a gigante BrFoods, surgida do processo, tem um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões.

Em relação às sinergias de Sadia e Perdigão, termo neoliberal usado para descrever a sobreposição e unificação das empresas fundidas, os porta-vozes do negócio anunciaram uma economia que varia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões. Como todo mundo sabe, estes cortes vão sair dos empregos que serão fechados.

Furlan, dono da Sadia, e ex-ministro de Lula, jura que não. Garantiu que não haverá demissões no chão de fábrica, uma vez que o objetivo da fusão seria ganhar mercado e, por consequência, produzir mais, gerando mais empregos. É uma desculpa esfarrapada, desenvolvida no convívio com o governo Lula, com certeza.

Uma das demonstrações da falsidade dessa promessa é o estudo da Confederação Nacional de Trabalhadores na Indústria de Alimentos (CNTA), que já detectou demissões, e estima a perda de emprego de cerca de 30 mil pessoas, só no setor de frigoríficos: 10 mil empregos diretos e 20 mil indiretos a menos no mercado. Agora só falta Furlan também dizer que não sabia de nada, ou foi apunhalado pelas costas, como costuma dizer seu ex-chefe

A superconcentração do mercado nas mãos de uma única empresa produz um outro efeito perverso, já sentido na venda de automóveis, passagens aéreas, etc., que é a subida dos preços, controlados por oligopólios.

Participação de mercado no Brasil

Produtos

Perdigão

Sadia

BrFoods

Carnes refrigeradas

25%

28%

53%

Carnes congeladas

34%

36%

70%

Massas

38%

50%

88%

Pizzas semiprontas

34%

33%

67%

Margarina

18%

30%

48%

 

Bradesco/IBI-C&A, Santander/Real, Itaú/Unibanco: muitos nomes, mas sempre a mesma promessa falsa e a mesma dura realidade nos bancos.

Cinco meses após o início da fusão das operações com o Banco Real, o Santander anunciou a demissão de cerca de 400 funcionários no grupo. O próprio Santander reconheceu que as demissões não têm relação com a crise, mas são resultado da fusão com o Real.

Essa confissão se choca com o anúncio feito em outubro de 2008, quando o Santander anunciou seu plano estratégico para 2008-2010, e afirmou que a integração Santander-Real não era uma reestruturação (o que levaria a demissões), mas um projeto de crescimento, com a ampliação do número de agências em 400. Vimos, na prática, que a mentira tem perna curta.

O Itaú-Unibanco, da mesma forma, se comprometeu em não demitir. Mas agora já fala em “um centro de realocação profissional funcionários”. Isso quer dizer transferir funcionários para bairros opostos aos que moram, outras cidades e estados. Quem quiser, vai. Quem não quiser, rua!

O segundo maior banco privado do país, Bradesco, por sua vez, anunciou a compra do Banco Ibi, braço financeiro das lojas C&A. Com a operação, o Bradesco dobrará sua base de clientes de cartões de crédito. As últimas aquisições importantes do Bradesco incluem a corretora Ágora em 2008 e do banco BMC, em 2007.

Nestes processos, as fusões envolvendo os megabancos já produziram segundo estimativas, cerca de 1300 demissões.

Pão de Açúcar/Ponto Frio: o último segue igual ao primeiro

Conforme divulgado pelo próprio Pão de Açúcar, o objetivo por trás da compra do Ponto Frio é buscar o domínio do varejo de eletrodomésticos. A partir dessa compra, os eletrodomésticos responderão por 26% das vendas totais do grupo - antes era apenas 10%. "É muito importante dominar os não-alimentos porque é atual, é moderno, é o que desperta o interesse dos consumidores", disse Abílio Diniz, dono do conglomerado. Com esse movimento, os eletrodomésticos também aceleram seu caminho de superconcentração: as 10 maiores redes -o Ponto Frio é o segundo- respondem por 40% das vendas.

Diante de tantas operações que garantem lucro aos proprietários dos grandes meios de produção, circulação e comércio, levando a enormes prejuízos aos trabalhadores, a saída dos explorados não deve ser a de repudiar as grandes empresas, ou brigar para re-estabelecer a pequena propriedade. A saída é justamente se apropriar da riqueza destas empresas que tanto nos exploram. É preciso expropriar sem indenização o conjunto destas empresas e colocá-las sob controle dos trabalhadores.

 

 

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