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Publicada em 05/12/2008

Tragédia em Santa Catarina mostra hiprocrisia dos Governos federal, estadual e municipal:
Em meio a discursos e promessas de ajuda, governantes promovem grandes cortes de verbas das areas sociais

A tragédia ocorrida em Santa Catarina tem gerado profundas conseqüências, tanto para a população da região, que teve suas casas destruídas, perdeu familiares, amigos e empregos, como para a população em geral, que sofrerá com as conseqüências econômicas e sociais decorrentes da destruição de escolas, hospitais, estradas e do porto de Itajaí.

A cada dia que passa o número de mortos só aumenta, este número que já passa de 140 representa não só uma estatística de vítimas, mas diversas famílias que perderam filhos, pais, mãe e muitas vezes sua forma de sustento. Além disso, já passa de 78.000 o número de pessoas que estão desabrigadas. Como se não bastasse todo drama que vive pelo menos 1,5 milhão de catarinenses, o Estado está totalmente despreparado para atender as demandas decorrentes da tragédia.

A precariedade dos serviços de saúde e de assistência social tem-se mostrado de forma mais profunda e cruel neste momento, e como resultado estes serviços  não têm conseguido nem mesmo minimizar a tragédia ou evitar novas mortes desnecessárias. Ao mesmo tempo em que o Estado mostra sua incapacidade com investimentos insuficientes para resolver a situação, um número muito grande de trabalhadores têm se solidarizado e divido o pouco que tem. Como no caso de um trabalhador que não teve sua casa destruída e a colocou a disposição para receber famílias desalojadas.

Em aspectos mais gerais se tem especulado que as conseqüências econômicas também não serão pequenas, O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, admitiu nesta segunda-feira que o Brasil terá dificuldades em atingir a meta de US$ 202 bilhões de exportações em 2008. Os números até novembro apontam para uma exportação total de US$ 184 milhões, mas Barral ressaltou que, em função da queda abruta do preço do petróleo nas últimas semanas e da destruição no porto de Itajaí após as chuvas em Santa Catarina, haverá problemas no total de vendas externas do país.

O porto de Itajaí é responsável por 4% das exportações brasileiras, e está totalmente paralisado desde a sexta-feira, dia 21 de novembro. A expectativa, colocada nesta segunda pela Secretaria de Portos, é de que a unidade volte a ter 50% de sua capacidade operacional dentro de 30 ou 60 dias, a depender do assoreamento (obstrução) do rio Itajaí. O impacto da paralisação de Itajaí nas exportações brasileiras é calculado em US$ 370 milhões.

Neste momento em que deveria existir consenso entre toda a sociedade de aumentar investimento em saúde, educação e assistência social, habitação e geração de emprego, como forma de diminuir os impactos do desastre, o que percebemos é que com a crise econômica os investimentos sociais tendem a ficar cada vez mais escassos, pois o governo Lula vai continuar cortando verbas das áreas sociais com o objetivo de liberar bilhões de reais para salvar banqueiros e mega empresários falidos. Esta é mais uma situação que revela com quem é o compromisso e as prioridades de Lula. No discurso se solidariza, se emociona, mas na prática tem feito muito pouco para resolver a situação dos que perderam tudo na tragédia de Santa Catarina e que agora não encontram no Estado nem os serviços mais básicos que necessitam.

Nós do Movimento Revolucionário responsabilizamos o Estado por este caos, por não investir em prevenção, saneamento, habitação. Responsabilizamos também por neste momento de necessidade extrema não priorizar o atendimento da população em detrimento de pagar a dívida pública e salvar banqueiros. Solidarizamos-nos com os trabalhadores catarinenses e nos somamos a rede de solidariedade que existe hoje no país.  

 

 

 

 

 
 
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