Publicado em 15/04/2010

Fortes chuvas arrasam o Rio de Janeiro. A sujeira que os políticos corruptos varriam para baixo das favelas desce o morro e mata 229 pessoas! 

         O mau tempo tem maltratado o estado do Rio de Janeiro. O caos tomou conta das ruas. Pessoas ficaram ilhadas dentro de seus veículos; houve casos de pessoas dormindo dentro de ônibus aguardando o mal tempo amenizar.

        Ruas alagadas; e os estragos que a enxurrada trouxe foram apenas o anúncio do que estaria por vir.

        Diante de tal situação, no mesmo dia em que a cidade do Rio de Janeiro amanheceu totalmente devastada, o prefeito Eduardo Paes, como medida emergencial, utilizou os meios de comunicação para dizer aos trabalhadores da cidade que não saíssem de suas casas, nem mesmo para ir ao trabalho, já que a situação poderia ficar ainda pior.

        As chuvas não davam trégua e o mar, agravando ainda mais a situação, estava em ressaca.

        Nos primeiros dias, as mortes já começam a ser anunciadas. Somente no dia 7, são contabilizadas 50 mortes. E o governador Sergio Cabral dá sua opinião sobre os acontecimentos: “A culpa das 50 mortes é da irresponsável ocupação desordenada de áreas irregulares, das encostas. Por isso, eu quero construir muros nas favelas; para impedir a expansão das favelas! Veja aonde estão as mortes. São os mais pobres que morrem. Por isso, temos que ser cada vez mais duros na disciplina da ocupação do solo urbano, com aparato da polícia. Já falei com os prefeitos: contem com o governo do estado!”.

      Sergio Cabral, o mesmo governador tão sentimental, que durante o ato show pelos royalties do petróleo chorou, agora diz o que pensa realmente sobre a população pobre das favelas. Sua coração sensível vale para o lucro do petróleo, mas mostra que é bem duro quando se trata da vida dos pobres.

Ele acredita que a solução para o problema das habitações cariocas é colocar cada vez mais policiais nos morros, e cercar tudo. Um típico pensamento fascista e higienista social, de tentar impedir os pobres de contagiarem os outros.

Caso essa ideia absurda prosperasse, quando existissem desabamentos dessas proporções, fazendo com que toda a favela viesse abaixo, a população pobre não teria como fugir. Para ele essa é a grande solução!

        Enquanto Sergio Cabral dava tais declarações, as pessoas nas favelas estavam totalmente desassistidas. Não houve resposta imediata de nenhuma autoridade, obrigando os próprios moradores a se ajudarem como puderam.

Prefeitura, governo estadual e federal só começaram a se manifestar e enviar ajuda para as regiões afetadas após os moradores estarem revirando os destroços por dias a fio. E, quando a ajuda finalmente chegou, foi um contingente totalmente ineficiente, fazendo com que o desespero e a esperança dos favelados fossem perdidos a cada minuto passado, e a chance de ver seus entes queridos fosse se extinguindo.  

Além da ajuda ser totalmente insuficiente, a prevenção de novos desabamentos nunca existiu. Logo, a tragédia continuaria a se ampliar, demonstrando a ineficiência dos governos comandados por Lula, Sergio Cabral, Eduardo Paes e todos os prefeitos das cidades afetadas.

Montanha de lixo para viver e para morrer.

Assim, abandonados, os moradores ainda sofreriam mais, já que o pior ainda estava por vir – o deslizamento no morro do Bumba. Um fato anunciado, onde o descaso de todos os governos foi o grande culpado. A favela, contando com cerca de 50 casas onde viviam mais de 200 pessoas, veio abaixo, enquanto as chuvas já paravam e parecia que era momento de recomeçar a vida.

        O morro "desceu", levando tudo que existia em seu caminho. Mas o fato mais chocante não foi somente o número absurdo de mortes que o deslizamento ocasionou, mas sim que não se tratava de um deslizamento de terra, mas sim de lixo!

A favela estava assentada sobre toneladas de lixo que se decompunham exatamente onde os trabalhadores pobres construíam suas casas. O chorume escorria pelas sarjetas, e o solo lançava no ar o metano produzido pela decomposição do lixo.

        A verdade veio à tona, mas foi preciso centenas de mortes para que o descaso de mais de 30 anos das prefeituras fosse denunciado, mostrando que o lugar se situava nem terreno onde desde a década de 50 se depositava lixo, .            

Os governos preferiram “melhorar” a qualidade dessa favela, licitando obras para empreiteiras corruptas que desviam milhões de reais a cada obra feita, ao invés de garantir moradia digna para todos esses trabalhadores.

Então, diversos vereadores, prefeitos e governadores subiram o morro do Bumba prometendo trazer asfalto para a região, água, luz, e etc., em troca do voto. Mas o problema de fato - o lixo - foi se empurrando com a barriga e sendo escondendo para baixo da própria favela.

O resultado de tanta omissão e descaso, principalmente do PDT de Jorge Roberto Silveira, que governou a cidade de Niterói durante 16 anos, em 4 mandatos, foram as centenas de mortos.

A catástrofe traz uma pergunta consigo: a qualidade de vida dos trabalhadores pobres tem melhorado? Lula encerrará 8 anos de governo, apresentando apenas em seu final, um plano de desenvolvimento do país, o PAC, que, no entanto, ainda está só no papel.

Várias favelas do Rio, entre elas a Rocinha, por exemplo, tiveram pequenas obras realizadas, como saneamento básico levemente ampliado, etc., mas isso foi um grão de areia em um pequeno deserto de tanta miséria na qual os favelados estão inseridos.

Por isso, enquanto mudanças estruturais não forem feitas, os governos de qualquer que seja o partido, somente poderá concluir medidas paliativas, que não conseguem impedir nem sequer atenuar o sofrimento da maioria da população, cada vez mais vítima da violência e degradação do nível de vida.

Enquanto Lula se vangloria do PAC, nada menos do que 18 favelas do Rio de Janeiro são como a do Morro do Bumba - todas elas foram construídas em cima de lixões!

       O capitalismo se alimenta da lógica do lucro a qualquer custo, e joga os trabalhadores pobres, ao contrario do que Sergio Cabral disse, a morar em tais regiões, porque não têm saída, a não ser o lixo. E essa realidade perdurará, enquanto políticos corruptos que pensam igual a Sergio Cabral governarem.

       

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