Desemprego lá e aqui: recorde de demissões nos EUA e demissões na GM do Brasil mostram que crise chegou com força
Devido à gigantesca crise econômica, os Estados Unidos perderam no ano passado cerca de 2,6 milhões de postos de trabalho, a maior redução anual desde 1945, e o índice de desemprego subiu para 7,2% em dezembro.
Somente em dezembro, a economia teve uma perda de 524.000 vagas, o que levou o índice do desemprego para seu nível mais alto em 15 anos! Segundo o próprio Obama, presidente eleito dos EUA, "Há 3,4 milhões de pessoas que gostariam de ter um emprego em tempo integral e com seguro de saúde, mas só conseguem emprego em tempo parcial".
O recorde de demissões aconteceu em novembro, quando foi registrada a perda de 584.000 postos de trabalho. Considerando-se todo o último trimestre do ano passado, foram fechados 1,9 milhão de empregos.
A eliminação de empregos em 2008 foi a maior desde os 2,8 milhões eliminados em 1945, quando terminou a Segunda Guerra Mundial e os EUA desmobilizaram milhares de soldados.
Isso dá um pouco da dimensão de catástrofe que possui a atual crise do capitalismo, em especial no seu coração, o imperialismo americano. O impacto de famílias falidas, vivendo na pobreza, despejadas e sem dinheiro para sobreviver equivale ao do esforço e sangria de uma guerra.
A perda mensal de empregos em dezembro foi a 12ª consecutiva, o que quer dizer que todo o ano de 2008 foi de emprego em queda, constantemente. Isso já eliminou todos os empregos criados nos últimos anos, tendo por base o ano de 2007, em que a economia teve um saldo positivo de 1,1 milhão de empregos. A economia hoje anda para trás. Enquanto aumenta a população do próprio país, além de mais imigrantes, diminuem os empregos de modo assustador, gerando uma onda de pobreza.
Onde se concentram as demissões dos EUA?
As informações do Departamento de Trabalho mostram que em dezembro aconteceu uma redução de 149.000 postos de trabalho no setor fabril, a maior queda desde agosto de 2001, após uma perda de 104.000 empregos na manufatura em novembro. Foram 21.400 empregos a menos nas indústrias de veículos automotores e autopeças. O setor manufatureiro, que representa 12% da economia dos EUA, teve em dezembro sua maior contração em 28 anos.
No setor da construção, que em novembro teve uma perda de 85.000 postos de trabalho, a queda foi ainda maior em dezembro: 101.000 pessoas demitidas. As empresas de serviços financeiros, que em novembro tinham cortado 28.000 postos de trabalho, tiveram em dezembro uma perda líquida de outras 14.000 vagas.
O setor de serviços, que inclui desde comércios no varejo e restaurantes a bancos, companhias de seguros, companhias aéreas e hotéis, perdeu em dezembro 273.000 postos de trabalho após uma queda de 402.000 unidades no mês anterior. O único setor que mantém o nível de emprego, é o setor público, que aumentou em 7.000 pessoas em dezembro, após uma queda de 3.000 em novembro.
O relatório também mostrou que a semana de trabalho média caiu de 33,5 horas, em novembro, para o nível sem precedentes de 33,3 horas em dezembro. No caso dos trabalhadores de produção industrial a semana de trabalho diminuiu de 40,3 para 39,9 horas.
O resultado é bem claro: as indústrias e construtoras foram as primeiras a demitir, e mês após mês, seguem escada abaixo. Paralelo a isso, o emprego no comércio desabou junto com a queda no consumo, já como efeito da crise. O resultado é que o setor de serviços tem sido o recordista de demissões agora. Isto cria um ciclo vicioso em que toda a economia é puxada para baixo, um setor puxando o outro, numa espiral de recessão cada vez maior.
No Brasil, multinacionais começam a passar a tesoura
A General Motors vai demitir mais de 744 funcionários da unidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo, informou o sindicato de metalúrgicos da cidade. A unidade de São José dos Campos emprega cerca de 8.900 pessoas até agora, e já havia demitido outros 58 funcionários semana passada, com a justificativa de “não renovação dos contratos temporários de trabalho”. Com isso já são mais de 800 demitidos pela GM em uma única unidade!
Antes disso, a GM já tinha apelado para 5 períodos de férias coletivas, que vinham desde outubro. Atualmente 500 funcionários ainda estão sob período de recesso.
A GM viu suas vendas de automóveis e comerciais leves caírem 1,3% em dezembro em relação a novembro, para 29.310 unidades. No mesmo período, as vendas de veículos novos vendidos no país pela indústria subiram 9,4%. Estes dados, por si só, demonstram que as empresas automobilísticas no Brasil não estão demitindo porque não podem suportar as perdas sofridas. Mesmo com uma redução grande nas vendas esperadas, as montadoras ainda têm enormes lucros acumulados nos últimos anos, além, de seguirem ganhando benefícios do governo Lula, como a recente redução do IPI.
Isso prova que, para manter os empregos, é preciso fazer com que a crise seja paga pelos empresários, banqueiros e multinacionais, que a criaram. Os trabalhadores não podem aceitar nenhuma demissão, retirada de direitos ou ataque ao seu nível de vida, que foi atingido duramente nas últimas décadas. É hora de lutar para derrotar o plano de Lula e dos empresários para salvar a burguesia brasileira e imperialista jogando os efeitos da crise em nossas costas.
____Internacionalmente, é preciso rechaçar os planos econômicos de Bush/Obama e União Européia, respondendo com a estatização sem indenização da economia, expropriação dos grandes proprietários e com o controle operário sobre o conjunto da economia. Essas medidas devem ser levadas adiante co-ordenadas com a luta pelo fim do capitalismo, responsável por mais este desastre social.
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