Publicado em 17/08/2010

Dilma risca propostas do programa eleitoral da presidência. O PT de luta cada vez mais distante!

Dilma, novamente, demonstra que não tem nada a ver com a política que um dia o PT defendeu.

Enquanto dá entrevistas e corre o país em busca de votos na sua campanha eleitoral, Dilma, entre uma declaração e outra, vai demonstrando que tipo de política defende. A quem restava alguma dúvida, fica cada vez mais claro que Dilma, assim como Lula, só defenderá o direito dos banqueiros, empreiteiras, latifundiários e todo o restante dos ricos do país.

Dilma retirou cláusulas de seu programa de governo que historicamente foram defendidas pelo PT. A questão das taxações das grandes fortunas; a redução da jornada de trabalho para 40 horas; e o controle social da mídia. Essas questões foram suprimidas pessoalmente pela presidenciável!

Na entrevista à rádio pública EBC, ficou mais claro ainda seu distanciamento dos ideais que os grupos que fundaram o PT defendiam, os quais o PSDB e o restante da oposição de direita adoram insinuar que ela ainda defende.

        Quando questionada sobre quais foram os motivos que levaram a candidata a fazer as alterações que fez, respondeu, sobre as taxações: "Já foi tentada em outras situações e não deu certo, porque não rende ganhos para a sociedade". E ainda complementou dizendo que uma reforma tributária para a sociedade brasileira gera muito mais ganhos. Uma traição sem tamanho.

          Realmente, não rende ganhos para um setor da sociedade: o mesmo setor que detém todas a fortuna nacional, e que lucra muito mais por serem sonegadores de impostos.

Dilma ainda se compromete em garantir uma reforma que diminua ainda mais os impostos para os ricos, aqueles que proporcionalmente já pagam menos encargos no Brasil. Enquanto isso, o trabalhador que ganha um salário de fome vê em seu contra-cheque mais de 1/3 sendo consumido por impostos para o governo.

        Sobre o controle da mídia, Dilma alega: “o melhor controle é o controle remoto na mão do cidadão", repetindo um bordão neoliberal, de que "a mão invisível" do mercado regula tudo sozinha e atribuindo ao trabalhador um poder sobre de escolha sobre a programação que não existe, já que as emissoras disponíveis em TV aberta, as rádios e os jornais são todos controlados pelos mesmos grupos, que sempre apresentam a realidade sob o seu ponto de vista.

        Aqueles que controlam a mídia, conhecidamente, são donos de verdadeiros impérios. Assim são a família Marinho, Silvio Santos, e agora o novo magnata também da mídia, Edir Macedo.

Com a declaração de Dilma, fica claro que os telespectadores seguirão reféns da mídia mentirosa e alienante, aliada do governo, e protegida de qualquer controle social.

        E a última proposta riscada do programa de governo, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, talvez seja a mais escandalosa. Dilma se defende: "Essa proposta teria que vir da sociedade, não tem como o governo elaborar uma proposta dessa natureza". Ou seja: o que é ataque, o governo pode fazer; o que é conquista, o governo não pode se meter.

        Após essa declaração, aqueles membros do movimento sindical que são atrelados ao governo já devem repensar em como irão defender esse novo governo que possivelmente virá. A CUT, CTB (PC do B), e Força Sindical agora terão mais dificuldade em dizer que, assim como Lula, Dilma também será um “governo dos trabalhadores”. Nem um nem outro foi, nem será. Mas Dilma já está deixando isto claro no papel.

O que existe por trás dessas mudanças?

        Primeiramente, o PT dos dias atuais não se parece em nada com o PT que surgiu no fim dos anos 70. O PT dos lutadores, que estava na linha de frente pelas Diretas Já; que foi responsável pela luta contra as privatizações da década de 90, etc.; esse PT morreu há muito tempo. Quanto mais cargos o PT assumia, mais ele se degenerava e traia os trabalhadores que o sustentavam.

        Hoje, o PT não conta mais com Lula como seu candidato. Símbolo de todo esse passado, Lula se resignará a ser um suporte do PT nesses próximos 4 anos.

Enquanto isso, Dilma tenta representar esse passado e a continuidade de Lula, porém a única coisa que ela carrega consigo são todos os acordos com a burguesia que Lula já consolidou durou estes últimos 8 anos. E o passado do PT de luta fica ainda mais distante.

        Mas, mesmo assim, a direita fica alardeando que Dilma é esquerdista. No entanto, a ex-guerrilheira Dilma será a próxima presidente para manter a aparência de vitória sobre a velha direita representado por Serra, ao mesmo tempo em que nada de mudança é realizada.

        Assim, Dilma retira essas cláusulas que ainda lembravam vagamente a referência socialista, para dar uma tranquilidade maior ainda à burguesia, demonstrando um atrelamento orgânico e indestrutível do PT com o imperialismo e os patrões nacionais. O PT cada vez mais apaga da cartilha aquilo que já apagou há muito tempo de sua ação concreta.

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