Publicada em 20/11/2007


Dualib recebe "punição light" e Escândalo de corrupção do Brasileirão de 2005 acaba em Pizza
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Na semana passada -12/11- foi divulgada a sentença do ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e de seu vice na época, Nesi Curi: o STJD os condenou a 3 anos de afastamento do futebol, devido à utilização pessoal e/ou “imprópria” do dinheiro vindo da parceria Corinthians-MSI, que teria uma origem “suspeita”.

Não custa lembrar que essa sentença se deve, principalmente, ao escândalo ocorrido no Campeonato Brasileiro/ 2005 (compra de árbitros, resultados fraudados e, curiosamente, Corinthians campeão), o que levantou a necessidade de uma investigação nas finanças do clube. Esse ano, após a imprensa trazer à tona uma gravação na qual Dualib confessa que o campeonato deveria ter sido ganho por outro clube, concretizou-se a necessidade de implementar uma CPI para investigar a máfia do futebol. Se nem Renan Calheiros foi punido pelo congresso nacional, não seriam os empresários e políticos envolvidos com um dos esportes mais lucrativos do mundo, que seriam investigados. A grande maioria dos deputados que haviam manifestado o seu apoio à abertura da CPI, retirou a sua assinatura assim que a FIFA divulgou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Isso porque caso a CPI fosse realmente aberta, existiria a possibilidade de a FIFA voltar atrás em sua decisão e tirar do Brasil o posto de anfitrião da copa.

Aonde queremos chegar com essa discussão? Que dentro do congresso, assim como no futebol, existem dois pesos e duas medidas. Um presidente que desviou dinheiro, roubou um campeonato e acobertou a máfia, recebeu uma punição que sequer é a máxima permitida nesses casos (4 anos). Importante ressaltar que ao Corinthians e aos outros dirigentes envolvidos na assinatura da parceria, não coube qualquer pena.

Não queremos aqui apresentar defesa de um time ou de outro, e sim utilizar este espaço para denunciar todos os empresários corruptos que tomam conta não somente do comércio e que extraem uma mais-valia de seus empregados, mas que estão na política, no futebol e por todas as partes, aumentando seus lucros cada vez mais, às custas de trabalhadores explorados. A justiça, que é tão rígida na hora de punir os “ladrões de galhinha”, que gasta milhões em publicidade para denunciar a pirataria e os trabalhadores do mercado informal e que não perde tempo na hora de colocar a polícia na rua para reprimir esses trabalhadores, é a mesma que fecha os olhos para acordos “estranhos” fechados entre clubes de futebol e empresas patrocinadoras. A MSI é uma multinacional milionária que ninguém sabe de onde tira dinheiro, e a “justiça” brasileira também nem se interessou em saber. E por que isso acontece? Porque os grandes empresários, ainda que estabeleçam uma disputa por consumidores, são extremamente unidos e não querem que o concorrente seja investigado se isso significar que eles podem ser os próximos a serem investigados. O governo que não hesita em cortar a luz, a água, o telefone do trabalhador que atrasou a conta, sem nem avisar previamente, é o mesmo que dá isenção de impostos ao empresários, e lhes dá inúmeras facilidades na hora de negociar uma dívida, na hora de acobertar uma falcatrua, já que a cada dois anos esses favores serão revertidos em votos na eleição.

A corrupção não depende de um partido ou de outro, desse ou daquele indivíduo, e sim do comprometimento e do projeto que cada um destes tem. Os empresários e o governo Lula, assim como era o governo de FHC e de qualquer outro que assuma o poder via eleição comprometendo-se com o capitalismo, quando não são corruptos, acobertam a corrupção, que está na essência do capitalismo e que só pode deixar de existir quando o capitalismo deixar de existir, quando a necessidade de lucro deixar de ser o pilar de sustentação da sociedade. E isso só pode acontecer sob um modo de produção que não se baseie na propriedade privada e na exploração, ou seja, sob o socialismo.

 

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