Para a maioria da população, inflação não para de subir:
É preciso trabalhar 3 semanas num mês só para comprar uma cesta básica!
Em 2008, cesta básica subiu até 29,31% nas capitais. Em nove capitais onde o DIEESE realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, o custo dos alimentos essenciais registrou alta acumulada superior a 20,00% ano passado. Os maiores aumentos foram em João Pessoa (29,31%), Natal (26,73%), Florianópolis (25,26%) e Fortaleza (24,61%). Nas outras cidades mais populosas, o índice variou de 10% a 20%.
Considerando=se apenas dezembro, todas as 17 localidades pesquisadas registraram alta. As elevações mais significativas verificaram-se em João Pessoa (14,71%), Aracaju (7,74%), Natal (7,45%), Porto Alegre (6,64%) e Rio de Janeiro (6,45%). É o fim do mundo que haja aumentos dessa ordem em um único mês; justamente quando se diz que a inflação está desacelerando.
O que explica esta aparente contradição é que, além de os índices serem maquiados, eles verificam uma média artificial e irreal no consumo dos trabalhadores. O IPCA, recentemente divulgado como estando em trajetória de declínio, e muito usado pelo governo, mede a inflação para famílias de até 40 salários mínimos.
40 mínimos equivalem a R$ 16600! Que trabalhador ganha este valor por mês? Nenhum! Estes são os salários de juízes, alguns médicos muito bem pagos, uma minoria de advogados. Utilizando-se este critério estapafúrdio, entram no cálculo da inflação a alimentação, com alta de quase 30% no ano, mas entram também as TVs de plasma de 42’, que poucos conseguem comprar, mas que baixaram de preço. Essa é a principal explicação para que remédios, comida e transporte tenham subido tanto e a inflação oficial seja tão baixa (ainda assim a maior dos últimos tempos).
Com a cesta básica chegando a custar até R$ 254,86, isso significa um gasto de 61,41% do salário mínimo só com os produtos essenciais de sobrevivência! Isso exigiu uma jornada de trabalho de até mais de 135 horas, ou seja, mais do que 3 semanas de trabalho, mesmo para uma jornada de 44h semanais. Quer dizer, é só depois do dia 22 de cada mês que a pessoa consegue começar a juntar o dinheiro para o aluguel, o remédio, a luz, a água, etc. É claro que a conta não fecha!
O valor do salário mínimo no país, segundo as necessidades previstas na constituição do Brasil (que já não garante o que o trabalhador realmente precisa e tem direito), deveria ser, no final de 2008, R$ 2.141,08, ou seja, 5,16 vezes o mínimo em vigor (R$ 415,00). Em novembro, o piso salarial era estimado em R$ 2.007,84,e em dezembro de 2007 o salário mínimo necessário era de R$ 1.803,11.
O que fica óbvio, bastando saber ler os números, é que a vida está piorando. O comprometimento do salário mínimo com a compra da cesta básica cresceu em 2008. O salário mínimo que atenderia as necessidades da população está mais distante de ser atingido, ano após ano, mês após mês. Nesta tendência, de preços em alta e salário arrochado, o trabalhador vem perdendo seu poder aquisitivo de maneira dramática. O resultado é o aumento da criminalidade, da ocupação de favelas para fugir do aluguel, e da piora generalizada da qualidade de vida, com as pessoas comendo pior, dormindo menos, mais estressadas e esgotadas pelo trabalho.
Com a crise econômica, mais um peso tenta ser jogado sobre os trabalhadores. Não podemos aceitar isso. É preciso lutar para derrotar o governo Lula, os banqueiros, grandes empresários e multinacionais, que exploram o povo trabalhador e seguem lucrando e desviando recursos públicos, mesmo em meio à crise. É preciso reduzir a jornada de trabalho para 36h semanais sem redução de salário. Só assim se reverterá a tendência de desemprego crescente e se darão condições melhores à população.
Devemos lutar para que se dobre imediatamente o salário mínimo, rumo à implementação, em pouco tempo, do salário mínimo do Dieese. Além disso, precisamos garantir um plano de obras públicas, a estatização do sistema financeiro, das empresas que demitem e de todas as multinacionais e grandes empresas que exploram os trabalhadores. É só com medidas que façam a burguesia brasileira e imperialista pagar a crise que poderemos não ser, mais uma vez, aqueles que vão pagar o pato.
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