Publicada em 05/02/2009

Lula aprova o novo comando do congresso nacional:
 PMDB ganha a presidência do Senado e da Câmara de Deputados, a custa de muitos cargos e verbas públicas

O PMDB foi o grande vencedor das eleições para as presidências do Senado e do Congresso Nacional. O partido é conhecido por ser a expressão mais clara da falta de programa definido e de princípios dentro da política brasileira. Enquanto alguns partidos de esquerda eram conhecidos pela frase “se é governo sou contra” o PMDB tranquilamente poderia adotar o inverso como seu slogan: “Se é governo sou a favor”. O partido não faz questão nenhuma de esconder que o que importa é o numero de cargos que receberá em troca de seu apoio.

O resultado das votações foi o seguinte: na Câmara de deputados Michel Temer (PMDB) venceu com 304 votos contra 129 de Ciro Nogueira (PP) e 76 de Aldo Rebelo (PCdoB). No Senado venceu José Sarney (PMDB) com 49 votos contra 32 de Tião Viana (PT).

Como sempre, a troca de cargos e favores definiu a votação.

Durante os dias que antecederam as votações do congresso nacional só se ouvia falar de cargos e favores em Brasília. Os partidos não queriam saber de mais nada: A única coisa que interessava era quantos cargos cada um iria receber em troca dos votos de seus parlamentares. A própria imprensa burguesa não falava de outra coisa. Chegavam a ser divulgadas até mesmo as listas com os cargos que seriam ocupados por cada partido caso ganhasse um ou outro candidato.

        Essa questão ganha força porque além do poder e do peso político que cada cargo ganho garante aos partidos, um outro elemento vem junto com eles: verbas públicas. O presidente do senado Jose Sarney administrará um orçamento total de R$ 2,7 bilhões, enquanto Michel Temer terá nas mãos nada menos que R$ 3,2 bilhões.

        Os presidentes eleitos nas duas casas não tiveram vergonha nenhuma em admitir as negociatas por cargos e votos, mas expressaram preocupação com a dificuldade que terão para cumprir a promessa e dar cargo para todos os seus apoiadores.

        Na decisão de quem irá comandar a câmara de deputados e o senado somente duas coisas não entraram na pauta: o programa dos partidos e dos deputas e os interesses da população, mas afinal em que dia de sua história o congresso nacional se preocupou de verdade com isso?

A “esquerda” apoiou o candidato do PT no Senado

A negociata de cargos e verbas e o abandono do programas por parte dos partidos para conseguir benefícios em troca de apoio não é nenhuma novidade para os trabalhadores brasileiros. Mas ultimamente um novo partido tem se destacado em inovar com seus apoios e alianças.

O PSOL, que se auto-intitula o partido da oposição ética e de esquerda à Lula, se supera a cada dia. Na última eleição presidencial se coligou com diversos partidos, desde PSTU até PV, sem pudor nenhum, sempre em busca da maior quantidade de votos. Já apoiou Fernando Gabeira (PV e base de Lula) na câmara de deputados em 2007 e agora inovou de novo na cara de pau: mesmo jurando e gritando que é oposição a Lula apoiou formalmente a candidatura de Tião Viana(PT) para a presidência do senado.

O senador José Nery (único senador do PSOL) fez questão de declarar seu apoio ao petista e ir votar no candidato do governo para a presidência do senado. Com uma oposição de esquerda como essa Lula nem precisa de base aliada. Mas fica a pergunta quantos cargos e quanta verba foi oferecida a Jose Nery em troca de seu voto? Quanto custa o apoio da oposição “ética e de esquerda”?

        Mais uma vez o PSOL mostra a que veio, e infelizmente deixa claro o quanto é parecido com o Partido dos Trabalhadores. O PSOL mostra que é apenas uma cara nova para o velho programa petista de disputa parlamentar e eleitoral.

É preciso derrotar Lula e o Congresso Corrupto.

_____As eleições para a presidência do Senado e da Câmara serviram para relembrar os trabalhadores de como o congresso nacional é corrupto e controlado pelos capitalistas.

Os trabalhadores não podem ficar assistindo as negociatas do congresso nacional e de seus parlamentares corruptos de braços cruzados. Já está demonstrado que através das eleições, dos deputados, senadores e governantes, só o que os trabalhadores recebem são ataques, miséria e exploração. Por isso é preciso que a classe trabalhadora saia às ruas para derrotar toda essa corja. É preciso lutar para derrotar o Governo Lula e pôr abaixo o congresso corrupto, com suas negociatas por cargos e verbas que só respondem aos interesses de grandes empresários e dos próprios parlamentares.

É preciso massificar as greves, ocupações e passeatas, com o objetivo de derrotar este governo e construir outra sociedade, a partir dos organismos dos próprios trabalhadores. É preciso uma Revolução dos Trabalhadores no Brasil, e a construção do Movimento Revolucionário como organização deste processo.

 

 

 

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