Publicado em 27/01/2010

Corruptos votando em corrupto. Assim foi a eleição indireta no DF!

Mais escandaloso do que a liberdade que recentemente foi concedida a José Roberto Arruda só mesmo o mandato tampão do Distrito Federal.

Após tantos escândalos de corrupção, que acabou tendo até mesmo uma curta prisão do ex-governador, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou a eleição indireta do novo governador, através de um mandato tampão, que terminará no fim de 2010.

Ou seja, se constatou um esquema em que o governo e os deputados igualmente roubavam os cofres públicos, mas hoje estão todos soltos, e o novo governo é continuidade do anterior. Mais uma vez, o povo pôde decidir nada, comprovando que as eleições são um jogo de cartas marcadas.

Quando Arruda foi preso, o governo do Distrito Federal passou a ser uma batata quente nas mãos dos políticos, onde nenhum poderia ocupar o cargo sem se queimar. O primeiro a substituir o corrupto Arruda foi Paulo Octávio, seu vice-governador. Mas P.O., como é conhecido, também estava envolvido em todos os esquemas do mensalão do DEM. Além de estar enterrado até o pescoço em meio à lama da corrupção, P.O. é uma das pessoas mais ricas do DF, tendo enriquecido graças a inúmeras licitações que "ganhou" a partir de obras feitas para o governo distrital.

Com tantos antecedentes Paulo Octávio preferiu sair de cena antes que os holofotes focassem as fontes ilícitas de tantas riquezas que estão em seu nome. Após a renúncia do vice, foi a vez do presidente da Câmara Legislativa do DF, Wilson Lima (PR).

Na eleição indireta, quatro candidatos se prontificaram a assumir o cargo. Do PR, Wilson Lima, o último governador antes do pleito; do PT, Antonio Albañes; do PTB, Luis Felipe Coelho; e do PMDB, Rogério Rosso, este sendo o vencedor das eleições.

Sai o ladrão Arruda. Qual o próximo a chefiar a quadrilha?

Apesar de parecer que tudo isso está dentro dos conformes e permite que a população do DF continue a ter representantes, o que está por trás dessa eleição fajuta, na verdade, é uma grande jogada para abafar todos os casos de corrupção, trocando seis por meia dúzia.

A eleição, que conseguiu afastar a necessidade de intervenção federal, é um escândalo, já que 26 deputados distritais estavam envolvidos no Mensalão. Isso significa que todos os mesmos que gritavam e esbravejavam apurando fatos nas CPIs também tinham recebido propina e são tão culpados quando Arruda. Os deputados que elegeram o novo governador, e ele próprio, mereciam muito mais do que 2 meses de prisão!

No DF, nem mesmo as eleições burguesas foram concedidas

Nós, do Movimento Revolucionário, dizermos com todas as palavras que as eleições são uma farsa, em que só ganham os ricos e corruptos; aqueles que têm mais dinheiro para financiar suas campanhas eleitorais, e sempre saem ganhando. Por isso, sempre são setores da burguesia que ganham as eleições e governam todos os países, e mesmo havendo diferenças e competição entre eles, a disputa é só para saber com quem vai ficar o tesouro.

Apesar de tudo isso, as eleições nascem de um anseio da população – o de definir seus governantes. E por isso, contra as tentativas de direita de cassar o direito ao voto, mesmo limitado e manipulado, são combatidas por veemência por nós. E foi o que houve em Brasília, neste momento.

A escandalosa decisão da Justiça do DF, corroborada por todos os deputados corruptos, tirou o direito de escolher até mesmo entre as mesmas figurinhas carimbadas da própria burguesia, quem seria o novo governador. Quer dizer: as instituições capitalistas "chutaram o balde" e resolveram parar de fingir e escolher diretamente entre sua máfia o novo governador. Tudo isso para que a crise que se abriu fosse fechada o quanto antes, e que menos representantes dos interesses da burguesia saíssem "queimados" pelas denúncias.        

Assim, essa eleição foi uma grande encenação, onde todos os deputados corruptos votaram em quem seria o mandante da quadrilha durante esses meses que restam. Pela falta de o mínimo de preocupação em simular algum respeito ou ética, fica fácil perceber que as eleições não mudaram nada, e que só a luta contra o sistema capitalista pode mudar a vida.

Mas a lição mais importante dessa fraude e golpe no DF, é que o conteúdo do que foi feito, com conchavos, troca de favores e escolhas marcadas acontece em todo o processo eleitoral dentro do capitalismo. Apenas, dessa vez, esqueceram a maquiagem.

Infelizmente, ou se constroi uma organização de luta radical contra tudo que está aí, ou assitiremos a mais caixas 2, que devem garantir muito mais do que estes poucos meses que faltam em 2010. Veremos roubarem à vontade, para garantir 4 anos de acesso livre aos cofres públicos nas eleições de outubro.

 

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