Publicada em 23/10/2008
A MORTE DE ELOÁ, O MACHISMO,
A POLÍCIA E O CAPITALISMO

O seqüestro das jovens Eloá Pimentel e Nayara Rodrigues (de 15 anos) por Lindemberg Fernandes (22 anos), que começou na segunda-feira 13/10 e durou até a noite de sexta (17/10), acabou de forma trágica em Santo André - SP, com a morte de Eloá. Esse desfecho trás mais uma vez um debate fundamental sobre o caráter e as condições da polícia no Brasil.

O cárcere, que foi motivado em função do término do namoro entre Eloá e Lindemberg, não poderia ser encarado como uma aventura de adolescentes. Porém, o resultado da operação mostra que a polícia foi amadora e extremamente ineficaz para resolver a situação. Depois de 100 horas de seqüestro, ela entrou em ação e foi desastrosa. Fracasso semelhante ocorreu no seqüestro do ônibus 174, ocorrido no RJ no ano 2000, quando a polícia atirou a queima-roupa no seqüestrador Sandro Nascimento e errou, acertando a refém Geísa Gonçalves, que morreu.

Várias dúvidas e questionamentos são levantados e discutidos desde os peritos e investigadores até a população em geral sobre o caso de Santo André. Alguns dos acontecimentos ocorridos durante as 100 horas de tensão são motivos de chacotas na sociedade, como, por exemplo, o fato de a polícia ter permitido que Nayara (amiga de Eloá) retornasse ao “cativeiro” depois de já ter sido libertada.

Outra discussão, talvez a mais importante e decisiva para encontrar os culpados pela morte da jovem, diz respeito ao momento em que a polícia invadiu o apartamento, explodindo a porta com uma bomba. Segundo o comandante da operação, Eduardo Felix, os policiais só avançaram depois de ouvir tiros de dentro do apartamento, supostamente disparados por Lindemberg. Porém, o perito independente Ricardo Molina, analisando diversos vídeos e áudios de emissoras que acompanharam o seqüestro, não identifica nenhum barulho de tiro e nenhuma reação das pessoas diante de um disparo antes da explosão da bomba. Ou seja, o mais provável até o momento, contra a versão oficial da polícia, é que Lindemberg só tenha atirado nas jovens depois da entrada da polícia no local.  

Nayara, antes de ser “devolvida” ao cativeiro, contou à polícia que Lindemberg as mantinha amarradas com fita adesiva e camiseta para poder dormir. Ou seja, a polícia poderia ter aproveitado esses momentos de descanso do seqüestrador para entrar no apartamento, pois inclusive existem meios para monitorar o que acontecia no local. O que devemos questionar é o porquê da PM não dispor desse tipo de equipamento para atuar nessas ocasiões.  

A QUEM SERVE A POLÍCIA?

O fato é que a polícia fracassou mais uma vez, e isso ocorreu porque não existe preparação, treinamento e os investimentos necessários quando o assunto é proteger a população da violência em geral e de situações como essa, que expressam a degeneração do capitalismo. A mesma polícia que é incapaz de combater o crime organizado, defender os trabalhadores que são assaltados, prender os verdadeiros criminosos da sociedade que roubam dinheiro público, também é incapaz de defender a vida de duas adolescentes nas mãos de um jovem desesperado.

Por outro lado, no mesmo momento em que as jovens estavam presas no apartamento, a polícia reprimia de forma implacável, sem falhas, os bancários em greve, professores e vários movimentos sociais no RS, os trabalhadores da polícia civil em greve em SP, etc. Quer dizer, para esse tipo de operação, quando o assunto é defender os lucros dos banqueiros e os governos, a polícia é perfeita. Em POA, por exemplo, na Marcha dos Sem, existia cerca de um policial para cada três trabalhadores.

Isso demonstra o caráter da polícia, que serve para defender os ricos, os corruptos e reprimir os movimentos sociais. A população seguirá sempre desprotegida enquanto vivermos sob o capitalismo, onde as forças armadas existem para defender a propriedade privada dos grandes burgueses e não os trabalhadores e a população.

Até onde vai o machismo?

Outro ponto importante a ser observado é a questão da violência contra a mulher. Inúmeros são os casos, todos os dias, de mulheres agredidas, perseguidas pelos companheiros que não aceitaram o fim da relação. Isso ocorre porque tamanho é o machismo existente em nossa sociedade que é dado ao homem o direito -não em teoria, mas na prática- de oprimir, constranger e obrigar uma mulher a ficar ao seu lado. A exigência que se faz do homem traído que “lave a sua honra” e mate/bata na esposa ou no seu amante é um exemplo da tolerância e passividade com que se encara a opressão da mulher.

Nesse sentido, Lindemberg não é um “estranho no ninho”: ele é mais um exemplo e produto dessa sociedade doente na qual vivemos, em que a mulher é um objeto que pode ser apropriado e a vida e os direitos dos trabalhadores estão condicionados às vontades e necessidades dos ricos.

 

 
 
Notícias Relacionadas

• Violência da PM e do Governo contra os Trabalhadores: Bancários em Greve são espancados pela policia militar

• Bancários: Agora é Greve!!!! Bancários iniciam greve nacional por tempo indeterminado

•A vida mais cara: Inflação faz subir o preço da cesta básica em 14 capitais brasileiras. E Dieese afirma que salário mpinimo deveira ser de R$2.178,00 para garantir vida digna.

•Governo Lula e a Farra dos Cartões corporativos: Mais corrupção e roubalheira do dinheiro público

• É preciso fortalecer a CONLUTAS reafirmando a luta contra o governo Lula e o capitalismo!