Publicada em 05/03/2009

Embraer demite mais de 4 mil e Lula dá aval!

A Embraer, a terceira maior fabricante de construção de jatos comerciais no mundo, anunciou a demissão de cerca de 20% de seus funcionários no Brasil devido à crise econômica. Significam 4200 demitidos de um total de 22 mil funcionários.

 O presidente Lula, diante disso, primeiramente havia se mostrado indignado com a postura da Embraer, mas logo após mudou de ideia. Bastou os diretores da Embraer se reuniram com o presidente, que Lula aceitou as demissões e se mostrou solidário com seus amigos patrões. A compreensão do governo em função das justificativas de uma multinacional para destruir com a vida de milhares de trabalhadores é uma vergonha.

O governo mostra seu caráter diante da crise, pois fica com “pena” dos empresários, os entende, dá o ombro para eles desabafarem, e, pelo outro lado, está pouco ligando para os trabalhadores, que podem perder o emprego e não são recebidos por Lula, como os patrões foram.

Justiça é inimiga dos desempregados. É preciso ir às ruas

Enquanto isso, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas (SP) concedeu uma liminar suspendendo as demissões feitas. A decisão vale até uma audiência de suposta “conciliação” entre  funcionários e a direção da empresa. A decisão provisória da Justiça foi concedida devido à ação  do Sindicato dos Metalúrgicos  e de entidades com a Conlutas e Força Sindical.

A decisão judicial, assim como a primeira reação de raiva de Lula, são fogo de palha, pois a Justiça também é paga pelos empresários. Todos sabem que não se pode confiar no TRT e que, mesmo que se possa e tenha sido correto entrar com o pedido de liminar, é uma capitulação superdimensionar a luta contra as demissões a partir de comemorar a decisão judicial.

Neste sentido, mesmo juntas nos ato de solidariedade aos trabalhadores da empresa de aviação, a Força Sindical e a CUT traem a classe trabalhadora, fazendo acordos com os patrões e o governo como o caso da flexibilização dos direitos trabalhistas, redução da jornada de trabalho e de salário, práticas comuns em todas as outras empresas que estão jogando a crise sobre os trabalhadores. O problema maior, para os pelegos sindicais, é que a empresa “nem conversou” com os sindicatos antes de demitir, e não as demissões em si mesmo.

 Os trabalhadores demitidos da fabricante de aviões, muito acertadamente, fizeram uma manifestação em São José dos Campos, onde fica a sede da indústria, contra estes ataques. Centrais sindicais como a CUT, Força Sindical e CONLUTAS participaram da manifestação. No entanto, para que essas manifestações não sejam apenas um fato político, e possam, de verdade, reintegrar os demitidos, é preciso muito mais que isso.

É fundamental colocar toda a força política da Conlutas a serviço de reverter estas demissões. Isso exige bem mais que moções enviadas por sindicatos ou gestos gerais de solidariedade. Tem que se fazer uma guerra contra as demissões! Tem que se fazer manifestações, paralisações e grandes mobilizações de rua. É preciso arrecadar finanças em todos os sindicatos, raspar o caixa da Conlutas e jogar a vida desta organização na luta pelo emprego destes trabalhadores.

De que adianta a Conlutas manter suas finanças conservadoramente administradas, compor um fundo de reservas e se preparar para substituir a CUT como direção majoritária dos trabalhadores, num futuro que um dia deveria chegar, se, diante da maior crise da história do capitalismo, a Conlutas age como mais um ataque qualquer?

Neste momento, em que está em disputa a sobrevivência dos lucros imensos das multinacionais, ou a sobrevivência das famílias dos empregados, a Conlutas não pode medir esforços. Tem que se construir uma vigília permanente em frente à Embraer, fazer lutas contra o governo e sua cumplicidade com a empresa, e jogar todo o peso, finanças e estrutura da Conlutas e todas as entidades que desejam, seriamente, defender as vítimas das demissões.

Os trabalhadores da Embraer e toda a classe trabalhadora, que sofrem as retaliações do sistema capitalista durante esta crise histórica, podem contar com o Movimento Revolucionário, e de nossa atuação como oposição de luta e de base à direção majoritária da Conlutas, para colaborar com a organização e resistência de todos os explorados. A luta contra os  ataques dos patrões e o repúdio à negociação de nossos direitos somente será vitoriosa com a ação direta, ocupações e a defesa de um programa socialista, que exproprie a burguesia e derrote o governo Lula.

 

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