Publicada em 13/06/2009

Enchentes no Nordeste deixam meio milhão de pessoas sem casa e dezenas de mortes

São os pobres e a classe trabalhadora os que sofrem com os desastres ambientais 

De acordo com os números divulgados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, os desastres provocados por fortes chuvas e enchentes haviam deixado 293.196 pessoas desalojadas (aquelas que estão hospedadas com amigos ou familiares) e 133.921 desabrigados (aquelas que tiveram de deixar suas casas e dependem de abrigos públicos) em apenas poucos dias.

Foram 57 pessoas, apenas nestes dias, que morreram por causa dos desastres em nove estados que, por sinal, são alguns dos estados mais pobres e com maiores números de miseráveis do país : Ceará (18 mortos), Maranhão (12), Bahia (sete), Alagoas (sete), Sergipe (quatro), Paraíba (dois), Pará (três), Pernambuco (três) e Santa Catarina (um). Os danos causados pelo excesso de chuva atingiram 505 municípios localizados em 13 Estados: incluindo além dos que tiveram vítimas fatais, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte e Amazonas.

O Maranhão, atualmente, é o Estado que tem o maior número de municípios atingidos (106), seguido pelo Ceará (100). Só no Maranhão, existiam 98.794 desalojados e 49.300 estão desabrigados, e após estas atualizações os números podem ter chegado a cerca de 200 mil apenas neste estado!  

O desastre não se resume ao Nordeste. Também na região Norte há grandes prejuízos. No Amazonas, há 54 municípios atingidos, com 59.869 pessoas desalojadas e 11.482 desabrigadas. No Pará, são 49 municípios atingidos pela chuva com 11.105 desabrigados.

Estes dados são assustadores  e mostra o quanto os estados não oferecem infraestrutura à população ao longo do ano, deixando os trabalhadores à mercê destes desastres.   

 Barragem rompida no Piauí, agravou ainda mais a situação

 Como se todas estas tragédia não bastassem, ainda ocorreu, no Piauí, o rompimento da Barragem de Algodões, a 250 km de Teresina. O Rio Poty subiu tanto que desbarrancou em várias partes. Ficou claro que obras feitas sem os devidos cuidados ambientais e sem qualidade acabam provocando problemas previsíveis e que afetam especialmente aos mais pobres. O sentimento da população é de muito medo, pois outras barragens podem romper, já que as construções públicas são feitas à base de corrupção, fraudes e superfaturamento.

É comum que se modifiquem os projetos no andamento das construções, se substituam materiais orçados por outros mais baratos e tantas outras irregularidades que, mesmo órgãos comprometidos com os governos, como os Tribunais de Contas, ao investigarem essas obras, dizem que cerca de 80% são irregulares ou fraudadas.O resultado são dezenas de vidas e bens perdidos nas enchentes, tais como casas, móveis, roupas, e tudo que se levou anos para adquirir.  

            Governo Lula teve um total descaso com as enchentes no Nordest

Toda estas tragédias ambientais que têm nos assombrado neste últimos tempos,  como as enchentes do Nordeste, em Santa Catarina (em que quase 300 pessoas morreram e até hoje os familiares estão abandonados), a seca do Rio Grande do Sul, etc., provam o quanto o Estado está despreparado para enfrentar este tipo de situação, e que é sempre a população mais pobre a que sofre mais diretamente com estas tragédias, devida às péssimas condições em que vivem.

O governo Lula  ainda não repassou verbas para a maioria dos estados atingidos pelas enchentes no Nordeste ainda de 2008, que foi de menor escala, mas também muito grave. Para o atual desastre, ainda não se tem nem previsão.

Dos R$ 114,7 milhões autorizados em 2008 para recuperar as cidades afetadas em seis estados da região, apenas R$ 65,6 milhões foram liberados - 57% do valor prometido. Apenas R$ 10,4 milhões foram liberados ainda em 2008 (9% do total) - e isso só no dia 31 de dezembro. Quer dizer: o dinheiro anunciado é mentira, e as poucas migalhas que são repassadas chegam apenas depois de que as pessoas já passaram fome, frio e ficaram sem ter onde morar por muito tempo.

            Lula agora confirmou que vai emprestar até R$ 14,5 bilhões para o FMI, mas não dá nada para os trabalhadores do país, que além de enfrentarem o desemprego, a redução de salário e as dívidas como efeito da crise, ainda sofrem com cheias e secas, para as quais Lula não tomou nenhuma providência. Deixar tanta gente sem ter onde morar, sem comida e muitos até mesmo morrendo nestas tragédias é o cumulo do descaso.

O governo Lula e inimigo do trabalhador e não podemos ter nenhuma confiança neste governo. Por isso, a luta dos trabalhadores tem que ser uma luta para derrotar Lula e o Congresso, construindo protestos cada vez mais fortes, greves e ocupações de moradias desabitadas e usadas para especulação. É preciso lutar pelo fim do capitalismo e da exploração, por um governo dos trabalhadores.     

 

 

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