Endividamento bate recorde no Brasil e já chega a 47,2% do PIB. Empréstimos atingem volume de R$ 1,645 trilhão.
O volume total de crédito do sistema financeiro aumentou 1,9% em outubro, para R$ 1,645 trilhão, o correspondente a 47,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em setembro deste ano, o estoque de empréstimo se encontrava em R$ 1,614 trilhão, ou 46,7% do PIB. O relatório do Banco Central (BC) mostrou que, no ano (incluindo apenas 10 meses), o volume subiu 16,3%. Nos 12 meses até outubro, houve elevação de 20,3%.
Conforme o BC, no Brasil o prazo médio das operações está em 456 dias corridos, sendo 538 dias para pessoas físicas e 383 dias para pessoas jurídicas. Estes números também são superiores aos que existiam até pouco. O que quer dizer que as pessoas e empresas estão devendo muito mais e por um longo tempo. Um dos resultados disso tudo é a incapacidade de pagamentos com o restante salário, o que leva a mais empréstimos, e a uma bola de neve de crédito, dívidas e futura inadimplência.
Estes dados revelam que a população como um todo, e também as empresas, estão cada vez mais atoladas em dívidas. O aumento do consumo, que ainda tem conseguido manter a economia com um relativo crescimento, está sustentado numa enorme e crescente bolha de crédito, a mesma causa que levou à crise internacional de 2008, seja nos EUA, seja, mais recentemente, na Grécia e Irlanda.
O mundo inteiro assiste ao esgotamento da capacidade de manter esta forma artificial de crescimento, baseado em dívidas e não num aumento real do emprego ou da renda. E o alto preço a pagar está sendo cobrado dos trabalhadores, sob a forma de congelamento de salários, perda de direitos e aumento da idade da aposentadoria.
Esta realidade é reflexo da situação decadente do capitalismo, que não consegue mais gerar progresso ou desenvolvimento de forma real, e precisa de mecanismos ilusórios para seguir sobrevivendo e prorrogando uma crise ainda maior. Os trabalhadores não podem mais ser submetidos a isso.
Defendemos o aumento geral dos salários e do emprego, com a redução drástica dos juros que hoje massacram a maioria da população. Mas, simultaneamente ao aumento do poder aquisitivo e ao combate aos bancos e financeiras agiotas, é preciso cancelar as dívidas atuais.
Os trabalhadores que contraíram estas dívidas em geral já as renegociaram inúmeras vezes, começando um novo empréstimo em cima do outro. Nesta sucessão de rolagens de dívida, os bancos ganham com seguros, tarifas e juros em cima de juros. E o governo ganha com o IOF – Imposto sobre Operação Financeira. Esta farra deve acabar! Os trabalhadores já pagaram várias e várias vezes o que tomaram emprestado através dessa exploração. Assim, é urgente o cancelamento de todas as dívidas da classe trabalhadora com os agentes financeiros, e a adoção de uma política de crédito subsidiado para operações de interesse social.
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