Epidemias no mundo: governos despreparados deixam população à mercê de gripe suína, dengue e febre amarela
Nos últimos dias, ao ligarmos a televisão ou o rádio, ou abrirmos o jornal, nos deparamos com notícias de doenças que mostram o quão fragilizados estamos, quando se trata de saúde pública. Dengue, febre amarela e gripe suína estão entre os assuntos mais comentados e que geram preocupação, principalmente em algumas regiões.
A febre amarela no Rio Grande do Sul
A febre amarela, doença que parecia restrita a regiões úmidas de mata fechada, como a Amazônia, vem fazendo a festa com os gaúchos desde o fim de 2008. Começou matando bugios no norte do Estado, e o governo de Yeda Crusius (PSDB) controlou tão “bem” o problema que, em maio de 2009, a doença já estava na capital, Porto Alegre. Esta foi uma caminhada previsível e lenta da doença, carregada através da disseminação do mosquito transmissor, e que só não foi contida porque o governo fez questão de dizer a todos que o problema era pequeno e que não era para as pessoas se vacinarem.
Já houve mortes no RS devido à doença transmitida pelo mosquito, mas somente na última segunda-feira, no fim da tarde, a vacina de prevenção chegou à maioria dos postos de saúde.
Agora, depois de a doença atingir o estado inteiro, a população enfrentou, além das filas enormes para a vacinação, um descaso gigantesco com a sua própria vida, por parte do governo. Isso porque, antes de se vacinar contra a febre amarela, a pessoa deve passar por uma triagem, que avalia justamente os riscos que a vacina - que contém vírus vivo - pode causar sobre certos organismos. Quem ter alergia à gema de ovo ou está fazendo tratamento à base de corticóide, por exemplo, não pode se vacinar. Mas não é que houve postos onde dezenas de pessoas foram vacinadas sem responderem a uma pergunta sequer?
O governo, que menosprezou a rapidez com que a doença vinha se alastrando, agora corre contra o tempo para evitar uma pandemia, mas essa pressa toda pode ter consequências graves, pois a vacina, se aplicada em quem não deve, pode causar a morte. É a prova irrefutável da política criminosa dos governos tanto do PSDB em nível local, como do PT de Lula em nível nacional, que sequer aplicam os percentuais mínimos exigidos pelas leis em saúde.
A dengue na Bahia
A dengue era a principal notícia da mídia nacional em 2008, quando atingiu em cheio o Rio de Janeiro. Programas de televisão mostravam, diariamente, o drama de famílias vitimadas pela dengue e que, ao procurarem ajuda no sistema público de saúde, viram-se ainda mais desamparadas, sem médicos, sem leitos, sem medicamento. Mas isso foi mostrado quando o caos era no Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”, a segunda cidade mais importante do Brasil. Além de ganhar destaque por ser o Rio, a dengue foi tão falada no ano passado porque havia um interesse em responsabilizar o prefeito César Maia pelo caos. Maia realmente era, e é, um político que nunca investiu em saneamento básico ou saúde, defendendo só os grandes empresários. Mas, nisso, ele não é diferente de nenhum outro político dos partidos tradicionais.
O drama da dengue, hoje, é vivido principalmente na Bahia, e as notícias mal são divulgadas. O Estado nordestino, miserável, que só é lembrado na hora de fazer propaganda para o turismo em época de carnaval, está completamente abandonado. O hospital que não consegue tratar sequer uma cólica menstrual, com certeza não tem condições de cuidar dos atingidos pelo mosquito da dengue. Além da pobreza e mazelas nordestinas não darem notícia, dessa vez os políticos envolvidos são da base aliada de Lula. O governador é do PT e o prefeito, João Henrique, é do PMDB.
Em relação a 2008, a Bahia registra um aumento de 266% nos casos de dengue. Este é um caso gritante de calamidade pública, e é preciso divulgar, denunciar e resolver imediatamente esta situação, com envio de recursos e profissionais de saúde imediatamente ao estado.
A Gripe Suína no mundo
O nome dessa gripe já fez inclusive com que muitos países embargassem a compra de carne de porco, pois acreditam que essa carne pode ser a transmissora da doença. Grande engano. A carne de porco, se cozida e preparada como todas as outras carnes, não apresenta perigo algum. O risco, segundo os médicos, está no contato -inclusive físico- com pessoas contaminadas.
Canadá, Estados Unidos, México, Espanha, Israel, Nova Zelândia são apenas alguns países nos quais já se confirmaram casos da gripe, agora rebatizada de influenza A (H1N1). O México é o país mais atingido, mas os números são impressionantes no mundo todo. Já são 2371 casos da doença, num total de 24 países, com 44 mortes. Só no México há 1112 casos e 42 mortos, e nos EUA 896 casos e 2 mortos.
Nos aeroportos do mundo inteiro, há o pânico de contrair a tal doença, que parece ter seu ponto de partida no México. Já houve inclusive quem propusesse “interditar” o país: ninguém entra, ninguém sai. Como se não bastasse o muro construído pelos EUA na fronteira, expondo a segregação e o racismo a que são submetidos os mexicanos...
Até mesmo os campeonatos de futebol estão sendo prejudicados. Na Libertadores da América, principal competição sul-americana, os times mexicanos não encontram sequer hotéis que os hospedem. Escolas estão fechadas, bares, hotéis, restaurantes e praticamente todos os ambientes públicos, também fecharam as portas.
Sistema de saúde despreparado, no mundo inteiro
As três epidemias -febre amarela, dengue e gripe suína-, ocorridas nos mais diferentes lugares, só mostram o quão despreparados estão os sistemas de saúde, no mundo inteiro. Para quem acredita que nos países ricos tudo funciona direitinho, a prova do equívoco está aí: somente nos EUA, são quase mil casos da gripe confirmados.
É impressionante que a medicina avança, descobre a cura para enfermidades, mas na hora de colocar suas conquistas em prática, para evitar a disseminação das doenças, falha. E isso não ocorre por erro nas pesquisas ou incapacidades médicas, e sim pelos governos, que não investem em saúde, desviam bilhões em escândalos como o da “máfia das ambulâncias” ou dos “sanguessugas” no Brasil. Há um grande sucateamento do sistema de saúde nos mais diversos países, deixando o que deveria ser uma prioridade orçamentária e um direito básico da população para a iniciativa privada, que só atende os que podem pagar caro por isso.
O trabalhador encontra duas alternativas: ou depende do sistema público –lento e insuficiente- ou apela para um plano de saúde privado que, além de caro, muitas vezes não cobre procedimentos necessários e com o qual não se pode contar na hora em que se precisa.
Também não podemos esquecer as indústrias farmacêuticas, que lucram em cima das doenças. Ou seja, no capitalismo, é preciso que exista gente com a saúde debilitada, sofrendo de doenças incuráveis, reincidentes, pois essas pessoas estarão, permanentemente, consumindo remédios e, consequentemente, dando lucro para essa máfia.
Controlar doenças, assim como evitar epidemias, passa por existir um governo comprometido com a vida das pessoas, e não com bancos ou com o Fundos Monetário. O sistema de saúde estatal ainda é a única forma de se obter um sistema de saúde eficiente e qualificado. Mas é imprescindível que haja recursos suficientes para manter e ampliar a cobertura estatal, gratuita, de qualidade e sem filas para todos.
Para isso é preciso estatizar os bancos, expropriar as grandes empresas e multinacionais e parar de pagar a dívida pública. São necessárias medidas radicais para mudar radicalmente a situação da saúde.
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