Publicada em 05/09/2008
Descoberta de trabalho escravo em propriedade da Petrobrás mostra a verdadeira prática e política do governo Lula

Recentemente foram localizados 40 trabalhadores em condições de trabalho escravo numa área de 44 hectares pertencente à Petrobrás no interior do Paraná. Segundo os meios de comunicação, a empresa fez um acordo com antigos proprietários para o desmate do terreno, que será utilizado para exploração de xisto.

Os trabalhadores foram encontrados sem equipamentos de segurança como botas e luvas. Mas principalmente, sem carteira assinada. Também foi encontrado um menino de 16 anos trabalhando nas mesmas condições. Após as exaustivas horas de trabalho não havia local apropriado para o descanso, e os trabalhadores eram obrigados a dormir em locais insalubres como barracos de lona, carroças, e até num antigo galinheiro, onde se acomodava um casal.

É importante lembrar que a Petrobrás, que contratou uma empresa terceirizada que usava trabalho escravo, é a mesma que declarou lucro recorde de R$ 15,7 bilhões no 1º semestre. Não é novidade pra ninguém que esse lucro seja o resultado da exploração dos trabalhadores da Petrobrás, mas o que indignou a população foi o regime de escravidão em que estes se encontravam.

Mas por que casos como este são tão comuns no Brasil?

Em parte este tipo de situação é incentivada pela falta de punição aos criminosos, já que este  tipo de ocorrência não é considerado crime, pois, basta que se paguem os direitos trabalhistas de seus escravos para os empregadores não sofrerem qualquer tipo de punição. Tanto a legislação existente como os órgãos de fiscalização não servem para proteger direitos dos trabalhadores, mas para mascarar a exploração existente. O governo Lula também não está comprometido com os trabalhadores, mas com seus patrões, e demonstra isso em cada ataque que coloca em prática.

Essa é demonstração do quanto o modo de produção capitalista está levando os trabalhadores a uma situação de barbárie. A Petrobrás é uma empresa que a cada semestre que passa aumenta cada vez mais seus lucros, e que ainda assim precisa arranjar formas de ampliá-los ainda mais. E para isso a burguesia tenta a todo o custo diminuir mais e mais o que gasta com os trabalhadores. Todo o discurso que fazem o governo Lula e os diretores da Petrobrás é de que não sabiam disso, mas não é a primeira vez que esta empresa terceirizada é contratada pela Petrobrás tampouco é a primeira vez que existem denuncias deste tipo.

O governo Lula quer legalizar o trabalho escravo com a reforma trabalhista!

            É um absurdo esse fato que ocorreu no Petrobrás, mas também não é novidade que fatos semelhantes acontecem diariamente no Brasil e no mundo. É sabido que no Nordeste ainda existem pessoas que cumprem longas jornadas cortando cana em troca de algumas moedas, as empregadas domésticas em geral também não têm nenhum direito trabalhista, isso só para citar alguns exemplos.

            E o governo Lula quer ampliar esse tipo de prática para os setores que hoje ainda têm direitos trabalhistas. Com a reforma trabalhista, Lula quer que os empresários deixem de ter a obrigação de pagar os direitos mais básicos como as férias remuneradas, o 13º salário, o FGTS, e quer que isso passe a ser opcional, a depender da boa vontade do patrão. Ou seja, além de seguir privatizando a Petrobrás (inclusive reservas recém descobertas já tem parte de seus capitais nas mãos de multinacionais), Lula quer acabar com os direitos que os trabalhadores conquistaram com muita luta. Na prática quer legalizar o trabalho escravo, e inclusive quer tirar o direito do trabalhador contestar essa situação, quer acabar também com o direito de se fazer greve.

            A revolta gerada por fatos como esse deve se voltar contra o principal responsável hoje no Brasil pela situação que vivem os trabalhadores em geral. Por isso é necessário travar uma luta para derrotar Lula. A situação de escravidão que vivem muitos trabalhadores só vai ser superada com a construção de uma nova sociedade que não seja baseada no lucro, mas sim com uma economia planificada e a serviço de quem produz: Os trabalhadores. O Brasil precisa de uma revolução socialista.

 

 
 
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