Agora são os ferroviários!
Greve dos trabalhadores do transporte paralisa o Rio de Janeiro.
Há algumas semanas diversos trabalhadores do transporte estão organizando paralisações em defesa da categoria e de seus salários. Os primeiros a se jogarem em greve foram os trabalhadores rodoviários, que pararam as principais linhas que ligam os bairros vizinhos ao Rio de Janeiro.
Os motoristas e cobradores de ônibus saíram em greve reivindicando 10% de reajuste salarial e também o fim da dupla função (algumas empresas aboliram o cobrador e fazem com que os motoristas acumulem as duas funções).
Agora fizeram também uma paralisação os trabalhadores ferroviários (principalmente os maquinistas do trem). Na última terça feira, 14/04, fizeram uma passeata que contou com cerca de 70 trabalhadores que caminharam pelas ruas do Rio de Janeiro até a assembléia legislativa, onde uma comissão do sindicato foi recebida pelos deputados.
Os trabalhadores ferroviários saíram às ruas como forma de protestar contra as demissões de alguns colegas, perseguidos por terem exigido da Super Via (empresa que tem a concessão dos trens) maior segurança, pois, por estarem desgastados e sem manutenção, tanto os trens quanto os trilhos fazem os acidentes se tornarem mais corriqueiros.
A crise não pupa ninguém
Embora nos duas categorias pareça que as mobilizações se dão por questões especificas, ambas estão no contexto mundial de crise, onde os patrões não avançam sua ofensiva contra os direitos e empregos dos trabalhadores. A super via diz que demitiu pois os funcionários estavam indo contra a lógica empresa, com essa desculpa esfarrapada matam dois coelhos com uma cajadada: tentam acabar com quem resiste e ainda buscam uma forma de seguir mantendo o seu lucro as custas dos trabalhadores, com demissões.
Assim como na Embraer, em São José dos Campos, essa situação mostra o quanto é importante lutar pela reestatização desses setores, como a indústria e os transportes, que vem sendo vendidos desde o governo FHC, e segue a mesma lógica no governo Lula.
Além disso, é preciso entender que ainda mais em momentos de crise é necessário colocar essas lutas como parte de uma luta maior: Contra o capitalismo, que joga mais e mais trabalhadores no olho da rua e na miséria.
Os trabalhadores rodoviários, após saírem em greve receberam um reajuste inferior até mesmo ao que reivindicavam, em vez de 10% receberam 7%. O que torna mais fácil ainda para a burguesia tomar de volta as migalhas que deu, pois toda semana sobem os preços dos alimentos, do custo de vida, fazendo com que esse reajuste seja comido pela inflação.
Em todas essas manifestações fica mais claro uma coisa: que é necessário construir uma direção que unifique as lutas não só dos trabalhadores dos transportes, mas todas as categorias para derrotar o governo Lula, os governos estaduais e os patrões. Mais do que nunca só a luta da classe trabalhadora pode fazer com que os ricos paguem pela crise.
É necessário romper com a CUT que, por exemplo, dirige o sindicato dos ferroviários e sequer levou uma faixa, ou convocou na base os maquinistas para a manifestação. Ainda faz pior que isso, joga ilusões nos deputados corruptos e não na luta dos trabalhadores, além de poupar o governo Lula como se ele nada tivesse a ver com essa situação.
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