Greve da Caixa acaba depois de quase 1 mês, por traição da CUT
Depois de 29 dias de greve, num movimento impressionante de luta e força da base, os trabalhadores da Caixa Econômica Federal (CEF) enfrentaram o governo Lula e demonstraram exemplarmente que é possível resistir contra os ataques e exigir conquistas. Mesmo diante da choradeira dos banqueiros e do governo, em função da crise econômica, a verdade é que os bancos seguem sendo o setor mais lucrativo do país, tendo ganho mais de R$ 19 bilhões, e o discurso de apenas repor a inflação foi uma tentativa de lucrar ainda mais no meio da crise.
Os bancários souberam entender sua força e repudiar as manobras do governo e dos sindicalistas vendidos da CUT, que tentaram sabotar a greve desde o início. A direção governista do movimento já iniciou a campanha pedindo 10% de reajuste, o que desmobilizava a categoria, pois esse foi o índice obtido em 2008, e é o patamar ganho por outras categorias neste ano. Ao pedir tão pouco, tudo já se encaminhava para que se obtivesse um reajuste mínimo. E foi o que ocorreu: serão 6% de reajuste, que mal repõe a inflação real (e não a oficialmente rebaixada).
O tempo todo, ao longo da greve, o comando nacional da CUT tentou deixar a greve morrer, e nada fazia para que ela se fortalecesse. No final, usando de métodos como o de levar gerentes e fura-greves a assembléias, e de passar o dia desmontando os piquetes, com a orientação de aceitar a proposta do governo, os sindicalistas governistas conseguiram encerrar o movimento.
Lula: cada vez mais igual ao PSDB
O acordo foi fechado com o reajuste de 6% + uma PLR (participação nos lucros e resultados) entre R$ 4 mil e R$ 10 mil + um abono de R$ 700 a todos. Quem gostou disso foram os gerentes, que ganharam os valores mais altos, depois de não fazer greve e ainda intimidar seus funcionários. Em relação ao ano passado, alguns bancários de base da CEF ganham um pouco mais de PLR que ano passado, e outros ganharam menos, mas, no que interessa, o banco economizou com os trabalhadores. Os funcionários ficaram com metade do reajuste salarial que ganharam em 2008, que é o que dura para a vida toda. Esta prática de "comprar" os empregados com um abono ou valores que não são incorporados pela carreira é a repetição dos métodos de FHC, que criaram a defasagem de quase 90% de reajuste na Caixa. Seria necessário quase dobrar o salário dos trabalhadores para recuperar o poder aquisitivo de 1994, e Lula está continuando este arrocho.
E Lula não usou apenas a mesma tática de trocar salário por abono, usada por FHC. O governo também adotou uma postura truculenta e de tentativa de criminalização da greve, com o ajuizamento do dissídio no TST, tentativa de desconto dos dias, presença ostensiva de seguranças privados nas agências, enfrentamento físico contra manifestantes em algumas capitais, e assédio moral contra os trabalhadores, com ligações para que se voltasse da greve, reuniões com ameaças, etc.
Com estas ações e intransigência diante da greve, Lula mostrou que não é diferente de FHC quando se trata de querer lucrar em cima dos direitos e dos salários dos funcionários, e que é preciso derrotar o governo para que se possa conquistar uma vida melhor.
Força da base e traição da direção
Em um mês de greve, a base da Caixa, assim como os demais bancários por 15 dias, mostraram que os trabalhadores estão voltando à cena com cada vez mais força. Em alguns locais, a base atropelou a direção e seguiu em greve por muito mais tempo do que se imaginava. Os trabalhadores da CEF foram a vanguarda da luta nacionalmente neste semestre, e mostraram o caminho. Contra um governo que usou todas as ilegalidades e golpes possíveis contra uma greve legítima, e contra as direções oportunistas e traidoras da maioria dos sindicatos, os trabalhadores ficaram até o último dia com muita força nos piquetes, expressando o surgimento de uma nova vanguarda e encurralando os pelegos.
Em algumas cidades, como Porto Alegre, a base impôs um comando de mobilização, independente do sindicato, levou a greve até um dia a mais que no resto do país, votou uma moção de repúdio aos integrantes do comando nacional que acabou com a greve, e só interrompeu a greve depois que a greve já estava desmontada nacionalmente. Em diferentes escalas, esta rebelião de base aconteceu Brasil afora, e é um sintoma de que a luta de classes no país está se radicalizando.
Defendemos a continuidade da mobilização dos bancários, e que se construam e desenvolvam alternativas de direção ao movimento, pois só com a base assumindo o poder das decisões e os sindicatos se convertendo em organismos combativos será possível conquistar mais nas próximas lutas. O Movimento Revolucionário chama todos os ativistas a se somarem neste desafio, e construirmos juntos uma direção de luta em oposição ao governo, banqueiros e sindicalismo traidor que hoje existem.
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