Publicada em 11/11/2009

Nada de “Fora Yeda”. O eixo são “Eleições 2010”!

 

        Parece inacreditável, mas, tratando-se da política burguesa, tudo é possível.

        O governo da tucana Yeda Crusius, provavelmente o mais corrupto da história do Rio Grande do Sul, escapou ileso das denúncias de corrupção. Depois de inúmeras acusações de fraude e de inclusive ser indiciado pelo Ministério Público Federal -apontando a governadora e aliados seus como máfia-, ficou impune.

        Por 30 votos a 17, a Assembléia Legislativa arquivou o pedido de impeachment e Yeda, hoje, juntamente com os outros mafiosos, está livre, leve e solta. 

        Com índices de rejeição de mais de 70%, sendo que 60% dos entrevistados seriam favoráveis ao impeachment da governadora (segundo pesquisa do Ibope), ainda assim, os deputados não se constrangeram e abraçaram-se em Yeda.

        Ela, que carrega nas costas denúncias de uso de caixa dois na campanha eleitoral de 2006, pagamento "por fora" de parte do imóvel residencial adquirido no final daquele ano e arrecadação de propinas por agentes públicos, ainda dá declarações de que estuda uma possível reeleição para 2010.

 

A falta que faz uma oposição que apresente uma alternativa para os trabalhadores!

        Apesar da metralhadora de críticas que são disparadas de dentro dos gabinetes contra Yeda, na hora H, todos se unem para salvá-la. O que está em jogo, ali, é muito mais do que um governo desse ou daquele partido. O que os políticos da burguesia querem é garantir a estabilidade política do regime e a tranqüilidade das próximas eleições.

        Não se pode alvoroçar o movimento de massas com pedidos de impeachment, protestos nas ruas, chamado à mobilização para derrubar uma corrupta. E se a massa se empolga e resolve derrubar todos os corruptos de uma vez só? È o fim para a democracia burguesa.

        Por isso não se constrangeram -oposição e situação- em darem a corda para Yeda se salvar.

        Entretanto, mesmo sabendo que a “oposição” de mentirinha da burguesia não serve para nada, deveria haver uma oposição de verdade, por fora dos gabinetes, que agitasse as ruas contra essa situação.

        Doce ilusão! As únicas organizações de mais peso, que teriam certa condição de mobilizar os trabalhadores contra a máfia encastelada no governo gaúcho, esconderam-se e resumiram-se a apostar na institucionalidade.

        PSOL e PSTU -para nem citar PT e PCdoB, em quem ninguém mais acredita- pediram impeachment, levaram flores aos deputados, colheram assinaturas de comprometimento nos gabinetes. E tudo isso para que?

        Juntos, dirigem o maior sindicato do Estado (CPERS, dos professores estaduais), e sequer prestaram-se a mobilizar a categoria, a mais arrochada e desmoralizada por esse governo, para dar outro destino aos corruptos.

        É possível que, mesmo com mobilização, não se conseguisse nada. Mas, sem mobilização, não resta dúvidas de que tudo terminaria assim: naquela pizza!

        O objetivo da burguesia, fomentar terreno para a campanha eleitoral de 2010, foi garantido. Triste que, para isso, tenha contado com o (de) serviço de organizações de origem operária.

 

 

 

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