Publicada em 28/02/2009

Sindicatos do RS falam em “Fora Yeda” não para derrubar governadora corrupta, mas como campanha petista para eleições de 2010

            O governo Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul, está cada vez mais rejeitado pelos trabalhadores gaúchos, devido aos duros cortes nos gastos sociais e com salários dos funcionários públicos; ao desmonte da educação e à postura autoritária e repressora da governadora, principalmente durante as greves de 2008, onde mandou a Polícia Militar e seu batalhão de choque para espancar selvagemente os manifestantes.

            Por isso, vários sindicatos estão fazendo uma campanha contra Yeda, alguns chegando a levantar como palavra de ordem o “Fora Yeda”.

            A campanha mais recente nesse sentido foi feita pelo CPERS (sindicato dos professores e funcionários de escola estaduais) cuja direção é composta pela CUT, Intersindical e setores da Conlutas, junto com outras entidades. Estas entidades, de direções petistas, ou de forças auxiliares dos petistas e cutistas, que os apóiam nas gestões, colocaram diversos outdoors pelas ruas das cidades, denunciando o governo através de frases gerais contra o governo, sem chamar qualquer luta ou método de ação contra o governo.

            Em princípio, uma megacampanha contra um governo tucano corrupto e neoliberal está correta. Ainda que a tática e a política dos outdoors seja discutível, inclusive porque é conhecida a ligação da empresa que os confecciona por fortunas ser ligada à DS (corrente petista e cutista), a realidade exige uma luta aberta contra o governo de Yeda. Os outdoors, no entanto, não fazem nada disso, pois não servem para convocar a lutar, e sim, desgastam eleitoralmente o governo, servindo de campanha eleitoral antecipada pró-PT.

            Alguns fatos mostram o verdadeiro objetivo dessa campanha aberta contra Yeda, encabeçada pela DS (PT/CUT), junto com PSOL e PSTU, que, publicamente, não se enfrentam com a política de oposição eleitoral da DS-PT.

            Durante a última greve dos professores, no final de 2008, por exemplo, a direção do CPERS fez um verdadeiro culto à Assembléia Legislativa, pedindo apoio dos parlamentares e o diferenciando da truculência de Yeda. A mensagem passada pela direção, permanentemente, durante a greve, era de que uma coisa era o governo e outra, totalmente diferente, eram os deputados, que podiam atender os grevistas.

Não é errado pressionar os deputados a defenderem os direitos dos trabalhadores, desde que seja uma tática de luta secundária e apoiada na mobilização de rua dos trabalhadores. O que é inaceitável é uma direção de sindicato dizer aos trabalhadores que os deputados são seus aliados, defendem seus direitos e se pode confiar neles. Foi exatamente isso que fez o CPERS ao repetir tantas vezes a mesma coisa, com direito a  milhares de panfletos e nota paga em jornais com este conteúdo.  

            Se em algum momento isso parece exagero, que a verdade seria apenas uma capitulação aos deputados, mas sem nenhum apoio aberto, o último episódio tira qualquer dúvida. No ato convocado pelo CPERS em frente à Assembléia Legislativa para exigir o pagamento dos dias da greve, pois o ponto foi cortado por Yeda, os deputados foram recebidos com aplausos e flores (literalmente), pelo sindicato, numa clara e aberta demonstração de apoio.

            Nesse sentido, diante dos últimos acontecimento e da condução como um todo da luta contra o governo Yeda, o Movimento Revolucionário considera necessário deixar claro que a luta contra o governo tucano, dirigida pelo PT e a CUT, com apoio do PSOL e PSTU, se transformou numa verdadeira bandeira de “ Viva o PT nas eleições de 2010”. Quando se diz Fora Yeda, e, ao mesmo tempo, se jogam flores aos deputados petistas, está se dizendo o que?

            A luta contra o governo corrupto e autoritário de Yeda deve estar apoiada na mobilização dos trabalhadores, e a derrota desse governo passa por greves vitoriosas sem traições, diferente da greve dos professores de dezembro de 2008, onde a base da categoria queria lutar, e a direção acabou com as reivindicações da greve, fazendo com que os trabalhadores voltassem para a sala de aula derrotados.

O PT NÃO É MAIS FARINHA DO MESMO SACO?

            Derrotar Yeda no RS é necessário, assim como derrotar Lula no Brasil, que desde o início de seu mandato ataca os trabalhadores e enriquece como nunca os banqueiros, principalmente agora durante a crise, quando está junto com os grandes empresários reduzindo salários, retirando direitos e demitindo.

Que o PT e a CUT não irão travar uma luta contra Lula, atacando apenas Yeda, apesar da óbvia semelhanças das medidas dos dois governos, é o óbvio. Mas o PSOL e, principalmente, o PSTU através da Conlutas, fazerem a mesma coisa é uma vergonha!

Seguindo a política petista de denúncia raivosa contra Yeda (ainda que sem nenhuma iniciativa prática e para ação), o bloco PSOL-PSTU não faz o mesmo com Lula. Diante da crise gigantesca, com ondas de demissões, por que resumir a luta contra Lula em uma carta com alguns pedidos ao presidente, sem nenhuma denúncia, sem vincular isto a manifestações de rua? Qual o critério para tamanha diferença entre a luta contra os tucanos, que é eleitoral, mas é uma campanha aos 4 ventos, e quanto ao PT de Lula, completamente poupado hoje em dia?

Yeda e Lula estão juntos na corrupção, nos acordos a nível nacional, na política de socorro aos bancos, na retirada de direitos, na repressão da polícia contra os trabalhadores, na violência contra os jovens da periferia, etc. Por que não lutar, então, para derrotar Yeda, mas também Lula? Onde está a velha e conhecida frase da esquerda que diz: “O PT e a direita são iguais” ou “Nem PT, nem PSDB”? Por que agora é “Fora PSDB, viva PT”?

O que responde a todas essas perguntas é a Frente Única formada entre PSTU, PSOL e o PT no terreno sindical, o que impede que aqueles que eram lutadores sigam sendo da mesma forma. Desde o inicio das eleições no CPERS, já se sabia que formar uma chapa comum com os pelegos e governistas, como fizeram PSTU e PSOL ao entrar na chapa cutista, era apenas o primeiro passo para abandonar o programa de luta e aderir ao programa do PT e da CUT.

A prática é o critério da verdade, e é exatamente isso que vem ocorrendo: uma campanha claramente petista e eleitoreira pelo Fora Yeda, de olho nas eleições de 2010, onde, infelizmente, setores até então combativos estão juntos, sem nenhuma diferenciação e enfrentamento público com os governistas. Esta campanha que, enquanto eixo de luta, está correta e nos somamos à necessidade do “Fora Yeda”, da maneira como está sendo conduzida, é só uma grande e cara jogada de marketing eleitoreira .  

    • DERROTAR YEDA E LULA!
    • PELA RUPTURA COM A CUT! REALIZAR PLEBISCITOS NA BASE DOS SINDICATOS PARA ISSO
    • UNIDADE NA LUTA SIM, CHAPA COM GOVERNISTAS NÃO!
    • OPOSIÇÃO À DIREÇÃO CUTISTA DO CPERS

    VOLTAR

     
 
Notícias Relacionadas

• Fórum Social Mundial: Cada vez mais perto do seu fim...

• Queda nas exportações, demissões e diminuição dos empregos com carteira assinada: A crise econômica se aprofunda no Brasil

• Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal batem recordes de lucro mesmo com crise. Lógica privada, juros altos e exploração de bancários explicam resultados

• Aumento da taxa de juros, inflação e fuga de capitais: A crise econômica já chegou ao Brasil!

•A vida mais cara: Inflação faz subir o preço da cesta básica em 14 capitais brasileiras. E Dieese afirma que salário mpinimo deveira ser de R$2.178,00 para garantir vida digna.