Publicada em 05/02/2009

Fórum Social Mundial: Cada vez mais perto do seu fim...

Do dia 27 a 1 de fevereiro aconteceu em Belém no Pará a 8ª edição do Fórum Social Mundial. 8 anos após a 1ª edição do evento o que pode se notar é que menos pessoas e movimentos sociais estão participando. Desde a primeira edição muita coisa mudou, principalmente o fato de já ter sido feita a experiência com os governos que são os principais idealizadores do Fórum. No Brasil, o primeiro Fórum Social Mundial aconteceu com a presença do então recém eleito Lula, que ainda contava com o apoio massivo de muitos brasileiros, mas mesmo assim já naquela época dava indícios de como seria o seu governo. Depois de discursar para milhares de pessoas em Porto Alegre, Lula embarcou para Davos onde reuniria com os principais governos burgueses, e capitalistas do mundo.

Além de Lula, todos os outros defensores de que  “um outro mundo é possível” por dentro do capitalismo como Evo Morales, Hugo Chávez, Fernando Lugo, Tabaré Vasquez e Michele Bachelet também já puderam dar uma demonstração de como é esse novo mundo que defendem. Em todos os países governados por eles os trabalhadores vêm tendo o seu nível de vida piorado, e em alguns, como na Venezuela de Chávez, os movimentos sociais vem sofrendo uma violenta repressão, onde o governo manda bater e prender o trabalhador que faz greve.

A própria escolha de Belém do Pará como sede da 8ª edição do Fórum não é por acaso. Neste estado é onde o Partido dos Trabalhadores ainda tem o governo do estado, com a governadora Ana Júlia, ou seja, é a tentativa de tentar esboçar uma proximidade do PT com a população e com os movimentos sociais. Mas o fato é que ninguém mais cai nessa ladainha, todos já sabem que no PT de Lula tem mais espaço quem é mensaleiro, Lobista, corrupto e os movimentos sociais só são usados como meio de arranjar mais votos. Na própria cidade de Belém, o governo Ana Julia promoveu um verdadeiro regime ditatorial nos dias em que estava ocorrendo o Fórum. Em diversos bairros pobres foi instaurado um toque de recolher, não se podia jogar futebol, sair à rua, fazer festa depois de uma determinada hora, tudo para garantir a segurança dos turistas que estavam no Fórum. Além disso, a própria organização do Fórum fez de tudo para impedir a participação da população do estado do Pará no evento, com o impedimento da participação de quem não tivesse credencial, ou seja, com o fórum a população local foi impedida de andar por partes da cidade e de participar do fórum social caso não possuísse um crachá.

Outra coisa também bastante marcante nesse fórum foi a presença de um aparato gigantesco de policiais, que apesar de permitirem as diversas manifestações existentes estavam sempre alerta caso alguma coisa saísse do controle, ou seja, podia se manifestar, mas até onde a polícia achasse certo e dentro da ordem, sendo o critério de ordem o dos próprios policiais.

 O que parece depois desse Fórum, é que o evento esta morrendo aos poucos. E isso acontece graças ao próprio discurso do Fórum, que está cada vez mais desmoralizado, o discurso da humanização do capitalismo, de que através de governos vindos do “povo” é possível melhorar a situação da classe trabalhadora, tudo isso está indo cada vez mais por água abaixo. A crise econômica que atinge o capitalismo mundial demonstra que o inimigo não é só o neoliberalismo, não são só os governos de direita, que não basta existirem governos populares. Cada vez mais fica provado que é necessário construir uma alternativa por fora dos marcos do capitalismo.

Por isso o discurso do Fórum Social Mundial fica cada vez mais no vazio, pois está se provando a cada dia que passa que por dentro do capitalismo um outro mundo é impossível. Contra a farsa que é o Fórum Social Mundial é necessário reafirmar a necessidade de se construir um outro mundo, um mundo socialista, que seja fruto de uma revolução que exproprie os grande empresários, latifundiários, que derrote os governos burgueses da América Latina e construa estados operários a serviço da maioria da classe trabalhadora. Esse é o novo mundo que precisa a classe trabalhadora e a juventude, e não o defendido pelo Fórum Social Mundial e pelos governos que o protagonizam.

 

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