Brasil gasta mais que país rico em estímulo
O Brasil gastou 5,6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em incentivos fiscais para tentar tirar a economia da crise. Nesta semana, os novos dados do PIB devem indicar o fim da recessão no País. Mas, em termos porcentuais, o Brasil gastou mais que Estados Unidos, França, Reino Unido ou Japão em pacote de estímulo para o setor produtivo. Os dados sobre os gastos integram relatório divulgado pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) que, um ano após a eclosão da crise, fez um levantamento de tudo que já havia sido gasto ou prometido por governos.
O resultado do relatório é o alerta de que os sinais positivos registrados no mercado internacional não significam que a crise tenha sido superada no mundo nem que os problemas tenham sido solucionados. Para a ONU, nem os pacotes de trilhões de dólares evitarão que a economia mundial patine por alguns anos e não descarta que novas medidas tenham de ser anunciadas em alguns meses.
Para 2010, o crescimento no mundo seria de apenas 1,6%, segundo a organização, e em 2009, o PIB deve cair mais de 2%.
A entidade contabilizou que os gastos do Brasil estão acima da média dos países emergentes, que usaram 4,7% de seus PIBs em medidas de resgate das economias. Já nos países ricos, o gasto chegou a 3,7% do PIB.
Com isso fica claro que o Brasil foi atropelado pela crise, que gerou cerca de 1 milhão de novos desempregados e consumiu muito mais recursos públicos que em quase todos os outros locais.
Mais desemprego e mais ajudas bilionárias aos ricos
No fim de semana passada, o G-20 deixou claro que, se depender do imperialismo, ainda não está na hora de retirar os pacotes de ajuda. Para Henrique Meirelles (presidente do Banco central brasileiro), o Brasil também não deve atuar de forma prematura: "A recomendação (do G-20) também vale para nós", disse.
No total, a estimativa é de que em média cada uma das principais economias do mundo gastou 4% de seu PIB nessa crise. Nesse cálculo, a ONU incluiu desoneração de impostos, investimentos públicos, ajuda a empresas que mantiveram seus empregados trabalhando, eventuais elevações de seguro-desemprego e a distribuição de recursos para ajudar setores a exportar.
Junto da concordância entre o governo brasileiro e a ONU, assim como com os demais países capitalistas, em dar ainda mais dinheiro aos grandes empresários, as demissões seguem acontecendo.
O último indicador do desemprego nos EUA revela um aumento sucessivo, mês a mês. Em setembro foram mais 263 mil demitidos, elevando o índice oficial para 9,8%, o maior em 26 anos!
Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, o número de desempregados já aumentou em 7,6 milhões, para 15,1 milhões, e a taxa de desemprego duplicou.
Esta realidade joga por terra o discurso de superação da crise. Está claro que, para os trabalhadores, ele ainda não foi vencida. O pior de tudo, ainda por cima, é que a conta a pagar é de trilhões de dólares, que, por unanimidade entre os governos vai continuar a ser paga em 2010. Com isso, vive-se o pior dos mundos: desemprego em alta e falta de investimentos em áreas sociais, devido à canalização dos recursos públicos para o bolso dos banqueiros e bilionários do mundo.
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