Senado continua a fazer farras: com passagens aéreas e hora extra para funcionários fantasma
Após o estouro de mais um escândalo de corrupção que assolou os parlamentares, flagrados na “farra das passagens aéreas”, em abril de 2009, o Senado e a Câmara dos Deputados se prontificaram a limpar a sujeira: a mesa diretora das casas garantiu que reduziria os gastos com viagens. Mas, como já se podia esperar, isso não aconteceu
Todo o esquema da chamada “farra” veio à tona após denúncias demonstrando o uso indevido das passagens. Os créditos, que eram destinados aos parlamentares, e deviam ser usados para fins políticos, como viagens dos estados à Brasília, viagens à suas bases, etc.; eram, na realidade, usados de modo particular. Os créditos acabavam-se acumulando, e os parlamentares utilizavam o dinheiro público para fins pessoais de todo tipo, levando os políticos para seus destinos preferidos, como Miami ou Paris, com toda a família a tiracolo.
Depois que houve toda a repercussão na mídia em relação à cara-de-pau dos políticos, o Senado garantiu que esse montante de dinheiro destinado a passagens não seria totalmente utilizado, e que iria fazer de tudo para economizar. A decisão foi de que todas as violações acumuladas em milhões de reais feitas até ali fossem esquecidas, mas que, a partir daquele momento, os políticos teriam direito a “somente” 5 bilhetes de ida e volta de Brasília ate seu estado de origem.
A expectativa era baixar os gastos de 15 milhões de reais para “míseros” 11 milhões. Mas não existem garantias de que tenham se cumprido essas medidas, já que outra parte do acordo firmado para acabar com o escândalo, numa tentativa de “moralizar” o Senado, era de divulgar pela internet todos os gastos, o que nunca chegou a ocorrer.
Além de ser claro que nada mudou, mesmo após o escândalo, agora a situação piora ainda mais. A mesa diretora do Senado, às vésperas do final de 2009, no dia 17 de dezembro, aprovou o uso dos valores economizados no ano passado, para incrementar os valores de 2010. Ou seja, os valores que os políticos deixaram de gastar em 2009, já que houve uma pressão popular contra os gastos abusivos, poderá ser usado em 2010. Tudo isso visando viagens que os políticos farão às vésperas das campanhas eleitorais. É um deboche à população, que se revoltou com a farra das passagens.
O que não é novidade para ninguém é que essa medida foi aprovada pela base do governo Lula, e contou com o empenho especial de seu melhor amigo, o presidente do Senado José Sarney, que deve sua permanência no cargo à defesa intransigente que Lula fez. Sarney, junto da quadrilha do Congresso, contando com Serys Slhessarenko (PT-MT), Heráclito Fortes (PMDB-PI), Mão Santa (PMDB-PI), Patrícia Saboya (PDT-CE) e Gerson Camata (PMDB-ES), passou mais este ataque, na surdina.
Como se não bastasse isso... Ainda tem mais!
Além da corrupção com cartões corporativos, verbas indenizatórias de gasolina, salários de assessores, funcionários-fantasma e das viagens, o Senado segue desperdiçando dinheiro público de outras formas.
Os valores gastos com horas extras continuam batendo recordes! Os senadores riem da cara de todos os trabalhadores, que após ver com perplexidade todos os gastos dos parlamentares, ainda por cima acabam tendo que votar nesses corruptos. Os parlamentares têm inúmeros benefícios, com auxilio-“tudo”, para que não gastem um tostão de seus salários já absurdos, tudo pago pelos impostos que saem dos bolsos de cada um de nós. Mesmo assim, os gastos com horas extras subiram de R$ 83,9 milhões em 2008 para R$ 87,7 milhões em 2009! Ao mesmo tempo, o número de funcionários que faz horas extras diminuiu.
Quer dizer: os senadores têm distribuído horas extras a um punhado de assessores, que nunca trabalham, mas ganham horas impossíveis de serem cumpridas, as quais, depois, com certeza, são divididas com seus patrões.
Em março de 2009, a Folha de São Paulo, denunciou o pagamento de horas extras para 3.883 servidores. Porém, o Senado estava em período de recesso parlamentar! E, obviamente, apesar dos discursos de que os servidores iriam devolver o dinheiro, a Advocacia Geral do Senado já se pronunciou que não tinha, e continua não tendo, o controle das horas extras, ainda mais por que o ponto desses servidores pode ser batido via internet.
Ou seja, os servidores do Senado podem marcar seu ponto em qualquer lugar do mundo; eles podem estar em Miami, após terem usado uma passagem aérea paga com a verba pública, entram no site do Senado, e batem seu ponto tomando um coquetel, pago com cartão corporativo.
Os absurdos não param por aí! O valor médio da hora extra paga por mês passou de R$1.324,80, em 2008; para R$ 2.641,93 em 2009. Um aumento de 99,42% em cima de um salário fora da realidade de qualquer trabalhador!
Pelo fim do Senado! As eleições são um jogo de cartas marcadas.
Os senadores mostram novamente o total desprezo por todos aqueles que pagam seus salários, já que os trabalhadores - aqueles que sustentam o senado pagando os impostos - estes nunca tiveram um aumento que chegasse a quase 100%!
É gritante a absurda diferença de realidades. De um lado os trabalhadores, que a cada ano têm seus salários mais arrochados, e cada vez menos benefícios. Estes, ainda quando ganham algum aumento salarial, são índices irrisórios, mal cobrindo a inflação do período. Enquanto isso, no Senado, todas as regalias são concedidas, e tudo isso vai continuar, porque todos os partidos estão envolvidos.
Desde o PSOL, que apesar de participar de lutas dos trabalhadores também faz uso dessas passagens aéreas e verbas milionárias, até o PT e o DEM: todos eles querem muitos servidores de seus partidos trabalhando para o Senado, fazendo com que a arrecadação de seus partidos seja cada vez maior, a custo do dinheiro público.
Demonstrando que não adianta tirar somente um desses políticos, a tarefa de todos os trabalhadores é lutar para pôr abaixo esse Congresso corrupto, e imediatamente fechar o Senado! Eles não só não nos representam, como nos atacam e defendem os seus próprios interesses e daqueles que financiam suas campanhas eleitorais.
Isso vai continuar até que os trabalhadores imponham uma dura derrota a todos esses políticos inimigos da maioria da população. Já o governo Lula, assim como todos os outros políticos, participa dessas maracutaias, e se beneficia desta política fisiológica e clientelista, que lhe garante maioria no Congresso.
Por isso, todos eles devem ser derrotados, e a única forma de “moralizar” a política ou de conquistar ética na representação da classe trabalhadora é destruindo o atual sistema representativo e corrupto, expresso numa falsa democracia, e impondo formas de poder operário e popular, através da democracia direta e da decisão efetiva dos trabalhadores sobre os rumos do país.
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