Transporte público volta a ser motivo de protestos em Goiás
Foram retomados os protestos relacionados ao transporte público em Goiás no último dia 11. Ônibus foram queimados e a rodovia DF-128, bloqueada.
Moradores de Planaltina de Goiás protestam contra a determinação da Justiça de que a prefeitura da cidade não faça mais o transporte gratuitamente até a divisa com o Distrito Federal. A medida -do transporte gratuito- foi tomada em agosto, devido aos protestos gerados contra o aumento das passagens de ônibus interestaduais e semiurbanos na região.
Essa medida foi considerada insustentável pela ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres) e, a partir de determinação do Ministério Público, a prefeitura interrompeu o serviço. A juíza responsável pela determinação justifica que o grande problema era o terminal improvisado (que colocaria em risco os passageiros, motoristas e transeuntes) além de que a prática incentivaria o transporte clandestino.
Primeiramente, podemos concluir que a prefeitura ter sido obrigada a providenciar o transporte de moradores e trabalhadores de graça foi uma conquista devido às lutas promovidas contra o aumento abusivo. Diante das mobilizações, os políticos e empresários tiveram que recuar e essa concessão foi arrancada.
Porém, depois de a “poeira baixar”, a burguesia voltou à carga, tentando extorquir os trabalhadores, e mostrando que no capitalismo até a mais minúscula conquista é logo em seguida ameaçada ou retirada. Desta vez, a “testa-de-ferro” dos patrões para aumentar a exploração foram a ANTT e o MP, com alegações agora apresentadas que são, no mínimo, risíveis.
Desde quando esses órgãos preocupam-se com a segurança dos passageiros? Em todos os cantos do país, ônibus circulam superlotados, transportando além de sua capacidade, desrespeitando pontos de parada, sinais de trânsito e regras de circulação. Logo, sua preocupação não é essa, e sim a queda do lucro das empresas transportadoras. Isso só mostra o quão unidos são governo-Justiça-empresas, sempre preocupados em protegerem seus lucros e interesses de classe.
Quanto ao transporte clandestino, seu grande incentivo é justamente o valor abusivo cobrado pelas linhas “oficiais”. Basta que o transporte “oficial” oferecido seja gratuito, de qualidade e garantido por empresas estatais, controladas pelos trabalhadores, que o comércio “clandestino” acaba na mesma hora. Por enquanto, defendemos o direito de se oferecer e se utilizar o transporte não-oficial, sem qualquer punição, como forma de impedir que os trabalhadores sejam reféns das empresas que roubam todo mundo.
Os trabalhadores e moradores da região devem manter suas mobilizações e protestos, pois essa é a única forma de conquistarem as melhorias necessárias, tanto em relação ao transporte, como a qualquer outro objetivo.
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