Greve no SUS expõe drama da saúde nos governos Lula/Dilma
A forte paralisação dos médicos do SUS neste dia 25 de outubro, em protesto contra as baixas remunerações e as más condições de trabalho na rede pública, mostram caos a que a saúde brasileira chegou.
A greve paralisa atendimentos, consultas e exames, garantindo o atendimento apenas nas unidades de emergência e urgência, e foi fortemente articulada em 21 estados: Estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Sergipe.
No Estado do Piauí a paralisação foi programada para durar três dias; em São Paulo e Santa Catarina, somente em algumas unidades e por poucas horas. Em muitos estados o dia teve protestos e manifestações, além da paralisação nacional que, por mais heterogênea que seja, pauta o tema da saúde no Brasil inteiro a partir deste dia 25, e por um viés do paciente e dos funcionários, ou seja, das vítimas dos governos que vêm se sucedendo e ampliando o descaso e postura criminosa diante do descalabro da saúde pública.
Nos últimos tempos, quando se ouve falar de saúde no país é sempre através de notícias ruins, como o retorno com força da tuberculose, ou epidemias recorrentes nos locais mais pobres; ou então é para propor mais uma vez a volta da CPMF ou algum imposto do gênero, numa atitude cínica de deixar paciente à beira da morte e usar este sofrimento para tentar arrecadar mais impostos, que ao final sempre são desviados.
Felizmente, a reação dos trabalhadores, desta vez com os médicos à frente, surge para mostrar o que é preciso são mais verbas, investimentos e compromisso com a saúde dos trabalhadores e da maioria da população, que não pode fazer como os deputados, que têm ressarcimento infinito de gastos com saúde e atendimento VIP e particular por onde andem.
REIVINDICAÇÕES
Uma das pautas da mobilização é o reajuste dos honorários médicos. Segundo as associações médicas, o salário-base médio de um médico no SUS é de R$ 1.946,91, variando de R$ 723,81 a R$ 4.143,67. O vencimento básico, que representa cerca de 50% do pagamento ao médico, deveria ser de R$ 9.688, segundo cálculos feitos pela federação. Considerando que lidam com a vida dos pacientes, que não deveriam precisar ter 3, 4 ou 5 empregos, sem poder-se dedicar adequadamente a nenhum, e que deputados ganham mais de R$ 24 mil por mês, com até 16 salários por ano, mais verbas de até R$ 100 mil/mês, para um trabalho de 3ª a 5ª, é mais do que justo!
As entidades médicas também apontaram outra deficiência da rede pública: a queda no número de leitos normais e de UTI. Entre 1990 e 2001, o país perdeu cerca de 203 mil leitos no SUS, mesmo com o aumento de milhões de pessoas na população.
Esta verdadeira “omissão de socorro” institucional, com o arrocho fiscal de Lula e Dilma recaindo em 200 mil pessoas a menos, em cada período, podendo ser internadas ou até mesmo atendidas seriamente, sem ser atiradas em corredores de hospitais, é responsabilidade direta dos governos, que age como um criminoso em série, tanto por retirar recursos da saúde, como por concentrá-los no enriquecimento do setor privado, que lucra com o falso status de “entidades beneficentes” sem fim lucrativo, sem pagar impostos, ou com gordas isenções e benefícios.
Aloísio Tibiriçá, 2º vice-presidente do CFM, comparou os sistemas público e privado: "Os planos de saúde gastam 55% de toda verba em saúde para atender a 25% da população. E o SUS, que atende a 75% dos brasileiros, usa 45% do que é gasto em saúde no país."
É esta barbaridade que faz com que a população que não é completamente desassistida tenha que pagar duas vezes para ter atendimento médico: através dos impostos que deveriam sustentar o SUS, mas não chegam até ele; e através de planos particulares como a UNIMED, que fazem a festa em cima das doenças da população, que não tem para onde correr.
Em SP, na rede estadual, o salário de um médico é de R$ 1.700,00, e na capital, é de R$ 2.200,00 para 20 horas semanais. É uma vergonha que, numa jornada de 40h, um médico ganhe R$ 3400, por exemplo. É evidente que apenas profissionais recém formados, sem nenhuma motivação e com mais 3 ou 4 empregos, muitas vezes até na mesma hora do horário em que deveriam estar nos postos, aceita ganhar tão pouco, após 10 anos de estudos!
A culpa não é dos médicos, como não é de nenhum outro profissional da saúde, como enfermeiros, técnicos, assistentes sociais, que trabalham muito, até a exaustão, em plantões sucessivos, para ganhar um salário aviltante. Assim como a culpa da educação precária não é dos professores cujo piso nacional sequer é cumprido; e nem é dos policiais que fazem bico por arriscarem suas vidas por R$ 1000 ao mês a péssima segurança pública que temos.
A responsabilidade disso tudo é dos políticos em geral, que infestam o atual Congresso e o governo Dilma, atolados até o pescoço em corrupção e governando para os bilionários, donos de bancos, indústrias e investimentos especulativos, ou sócios de ONGs amigas do governo.
Prestamos todo nosso apoio à luta e à greve dos médicos, como à luta dos demais trabalhadores da saúde e em geral, contra os cortes de verba sociais impostos por Dilma e por um orçamento e governo dos trabalhadores, imposto pelas lutas e mobilização direta!
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