Greve da Caixa Econômica Federal (CEF) chega a quase 1 mês, enfrentando Lula com muita força
Iniciada em 24 de setembro, a greve da Caixa segue sem demonstrar que vá acabar, a não ser que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas.
As perdas salariais dos funcionários, nos últimos 15 anos, chegam a 90%. Isso quer dizer que seria necessário que praticamente se dobrasse o salário para se atingir o poder aquisitivo que os empregados da Caixa tinham no Plano Real.
Diante disso, os sindicatos que compõe, junto com inúmeras oposições combativas no país, o MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária), iniciaram lutando 30% de reajuste. As direções sindicais governistas, ligadas à CUT, por sua vez, pediam apenas 10%. O governo e os banqueiros iniciaram oferecendo 4,5%.
Diante dessa provocação, a Caixa iniciou sua greve em conjunto com bancários das demais instituições. De lá para cá, os trabalhadores dos bancos privados já encerraram sua greve, com um reajuste de 6%, aceito pelos sindicatos governistas como se fosse uma vitória. Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil (BB) encerrou sua greve devido às manobras dos sindicalistas vendidos e de 3% oferecidos a mais do que os 6% originais, mas restritos ao piso salarial, e não sobre todos os benefícios.
Na CEF, onde a greve é extremamente forte, nada disso foi suficiente. A burocracia cutista está sendo obrigada a rejeitar, uma a uma, as propostas feitas pelo governo Lula.
Na última delas, o governo e o banco propuseram pagar apenas os 6% dos demais bancos, sem avançar nem no reajuste, nem em cláusulas sociais ou garantia de direitos trabalhistas aos funcionários mais novos (chamada de isonomia, por pretender equiparar todos os salários pelos direitos dos mais antigos). Sua única oferta foi um aumento da PLR (participação nos lucros e resultados), o que é uma esmola, perto do que os bancos, e a Caixa incluída, ganharam nos últimos tempos.
Diante da radicalidade da greve, Lula mandou ajuizar a greve na Justiça (TST), esperando amedrontar os grevistas. Mas essa política, combinada com um aumento das ameaças internamente, não surtiu efeito. A base segue com toda força e está reforçando piquetes e a luta em todo o país.
Este é um exemplo histórico, daquela que já é a maior greve deste ano no país, considerando-se as categorias mais expressivas. Os bancários da caixa estão provando que é possível passar por cima da apatia e traição de suas direções, e colocar em xeque o governo Lula, apesar das intimidações. A greve segue forte, revelando uma nova camada de ativistas e lutadores, e fortalecendo a luta contra os patrões, o modelo econômico, o governo e o próprio regime político do país.
O Movimento Revolucionário está presente nesta greve, com seus militantes bancários, desde dentro, e apoio dos demais, ajudando a levar adiante esta luta brilhante, em defesa de salário, condições de trabalho, e, estrategicamente, demonstrando que não é pelo voto que se vai mudar coisa alguma.
A greve da CEF, como as demais lutas e paralisações provam: os trabalhadores podem tomar o futuro em suas mãos, e é na rua, pela ação direta, que podemos enfrentar a exploração capitalista. Seguimos na luta, até a vitória!
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