Balanço da Greve dos trabalhadores em educação do RS:
UMA GREVE “ABORTADA”!
A greve dos trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul acabou em derrota
A mobilização começou forte, expressando a resposta do conjunto da categoria diante dos ataques do governo Yeda (PSDB), que está destruindo a educação pública, acabando com o plano de carreira dos trabalhadores e arrochando ainda mais o salário com seu projeto de Piso Estadual, que exclui todos os benefícios conquistados pelos trabalhadores em educação em suas lutas do passado e do presente, como foi a conquista do piso nacional.
Entretanto, a luta que começou vitoriosa, acabou esbarrando na vacilação e oportunismo da direção do CPERS sindicato, formada por PT, PSOL, PSTU e outros grupos, bem como pela CUT, junto com a Intersindical e setores da Conlutas. Desde o inicio, toda a direção do sindicato foi contra construir a greve, dizendo que os trabalhadores não estavam dispostos. Apenas 48 horas antes da deflagração da greve, depois de diversos núcleos do sindicato terem votado pela greve, é que a direção central definiu pela paralisação por tempo indeterminado. Ou seja, a base passou por cima da direção.
A força do inicio da greve obrigou Yeda a recuar, retirando o caráter de urgência do projeto do piso estadual. Daí entrou em cena a direção, que poderia ter optado por dois caminhos diante da primeira derrota parcial do governo:
Um caminho, defendido pelo Movimento Revolucionário e por vários trabalhadores nas assembléias de núcleos, era o de fortalecer a greve, ir para as escolas assumindo a pauta de reivindicações histórica da categoria e votada nos núcleos (de reajuste salarial, concurso e contra o ataque ao plano de carreira) chamando mais trabalhadores a aderirem ao movimento e conduzir a greve até que Yeda retirasse totalmente o projeto do piso estadual e sentasse para negociar o resto da pauta de reivindicações.
O outro caminho, defendido e seguido pelo conjunto da direção do sindicato, foi totalmente diferente. Depois do primeiro recuo de Yeda, a greve a direção do CPERS optou por reduzir a pauta da greve para apenas um item: o não desconto dos dias parados. Consideramos correto exigir o não desconto dos dias parados em uma greve, mas transformar isso em 100% da pauta de uma greve é um atestado de incapacidade e oportunismo, que acaba por desmontar a luta dos trabalhadores. O resultado desta política foi que a greve ficou sem reivindicação e sem bandeira de luta, fazendo com que a adesão ao invés de aumentar, diminuísse drasticamente, acabando, na prática, com a greve.
POR UMA NOVA DIREÇAO PARA O CPERS!
A política da direção do CPERS na condução da greve fez com que o governo estadual, que bate recordes no índice de rejeição, saísse vitorioso, ao contrario dos trabalhadores em educação que amargaram uma derrota em sua mobilização. Além disso, essa derrota acontece em um momento marcado pelo aumento das lutas dos trabalhadores, onde várias categorias protagonizam greves importantes, e muitas com vitórias, ainda que parciais. Correios e Bancários, que impuseram mais de uma derrota ao governo Lula nesse ano, são exemplos fundamentais dessa situação nacional.
A origem dessa traição por parte da direção do sindicato está na própria formação da chapa. Governistas e “lutadores” formaram uma chapa comum, com um único programa de conduta oportunista nos sindicatos. Que a CUT, e também a Intersindical, traiam lutas importantes dos trabalhadores já não é novidade. O pior nesse caso é que a Conlutas, através do PSTU, AS do PSOL e CEDS, participou ativamente dessa traição. E isso é um fato bastante lamentável.
_____Apesar da derrota, a greve dos trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul foi bastante importante. Primeiro porque mostrou toda disposição de luta e força dessa categoria que sempre foi uma das principais categorias de luta do país. E, em segundo lugar, a greve deixou claro para o conjunto da categoria que os próximos enfrentamentos dos trabalhadores com os governos dependem da existência de uma nova direção para o sindicato, que seja de luta, pela base e democrática. Uma direção que defenda os interesses dos trabalhadores. Que coloque toda tática e unidade a serviço de uma estratégia maior de luta. E que, nesse sentido, aceite fazer unidade na luta com os mais diversos setores, porém, não construa programas e chapas comuns junto com os governistas, pois isso significa abrir mão de um programa que expresse as reivindicações dos trabalhadores, e tem como resultado exatamente o que vimos nesta última greve.
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