Publicada em 17/08/2009

Greve à vista em bancários e correios: Sem reajuste, trabalhadores podem parar contra Lula e patrões.

Neste momento, trabalhadores de importantes categorias estão iniciando suas campanhas salariais, reivindicando reposição de perdas históricas, a inflação do último ano e aumento real. Além disso, bancários e trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT, ou simplesmente Correios), começam a se organizar para exigir manutenção de alguns direitos (como o adicional de risco dos carteiros), a ampliação de outros (além de reajuste salarial, reivindicam auxílio creche para todos os trabalhadores, contratações e, junto com a campanha salarial, lutam pela manutenção do monopólio postal e contra a privatização dos correios defendida por Lula.), e contratação imediata de novos funcionários.

Ambas categorias são extremamente semelhantes em vários aspectos. Considerando especialmente os funcionários dos bancos públicos federais, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), que são os que concentram as ações de luta, é o governo Lula o patrão de todos estes trabalhadores. Tanto nos Correios, como nos bancos públicos, há um acúmulo imenso de trabalho na mão de cada vez menos funcionários; ataque aos planos de carreira e privilégio às chefias; além de um crescente assédio moral perseguição a ativistas.

Na CEF, o governo Lula chegou a cortar o ponto de grevistas, durante a paralisação do ano passado, mas teve que voltar atrás por conta da força da luta. Mas este ano, o governo quer descontar os dias de novo. Os de 2008! É uma provocação que pode sair caro! Nos Correios, além de cortar o ponto dos servidores, Lula cortou o vale-alimentação e até as consultas médicas, mostrando que não tem limites para defender o lucro contra os trabalhadores.

Carteiros estão distribuindo cartas até a noite em vários CDDs (centros de distribuição); e bancários da Caixa, por exemplo, são surpreendidos toda semana por novas funções inventadas pelo governo, sem que haja mais funcionários para isso. O programa “Minha Casa, Minha Vida” lotou agências, e sobrecarregou ainda mais o trabalho. Trabalhadores das duas categorias são vítimas de assaltos, LER, doenças relacionadas ao trabalho e uma intensa exploração.

Mas há algo em comum na luta dessas categorias, além de terem Lula como inimigo e serem vítimas de um brutal ataque às suas condições: ambas são, ano após anos, confrontadas com uma base radicalizada e valente, contra sindicatos e direções covardes e governistas.

Tanto a direção da Fentect/CUT (de Correios), como a Contraf/CUT (bancários) são responsáveis por trair os trabalhadores, e já iniciam as campanhas num tom de desmobilização. Em bancários, mesmo com perdas de até 100% no salário, em alguns bancos, os pelegos sindicais estão pedindo apenas 10%, para no final levar 6%ou 7%, sem precisar ter greve. Em Correios, os sindicatos do PT e PCdoB estão comemorando a decisão do STF de manter o “monopólio postal”, o que, na verdade não aconteceu.

É por estas e outras que a luta dos trabalhadores deve ser ainda mais forte neste ano, e entrar em choque ainda mais decidido contra Lula, os banqueiros privados e as direções oportunistas. Bancários e trabalhadores dos Correios foram exemplos nos últimos anos. Agora, diante da crise econômica, é a hora de mostrar o caminho da luta e apontar a saída combativa e classista dos trabalhadores.

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