Publicada em 02/08/2009

As greves voltaram para ficar: 2008 de crise econômica bate recorde de paralisações de trabalhadores

Em 2008, ocorreram, em todo o Brasil, 411 greves, segundo dados reunidos pelo Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG), mantido pelo DIEESE. Esse é o maior número de paralisações observadas em um ano desde que o Departamento retomou a publicação dos balanços de greves, em 2004. O maior número verificado até então foi registrado em 2006 (320 greves).

Não por acaso, 2008 também foi marcado pelo início das turbulências econômicas mundiais, em que, apenas nos últimos 3 meses do ano foram demitidos cerca de um milhão e meio de trabalhadores, apenas nos Estados Unidos. No Brasil, foram quase 1 milhão de novos desempregados depois da crise. O agravamento da crise, e o fato de seus custos serem jogados contra os trabalhadores, num ataque combinado de demissões, férias coletivas, rebaixamento de salários, despejos, etc., provocou uma forte reação, que veio sob a forma de luta.

Outro elemento importante do levantamento foi a inversão do setor majoritário em que ocorreram as greves. Ao contrário dos outros anos, em que predominavam os grevistas com estabilidade, desta vez a maioria das greves aconteceu no setor privado, em que os funcionários não têm quase nenhuma proteção. Isso é espantoso, por um lado, mas significativo da radicalização das lutas, decorrente da piora generalizada do nível de vida em muitos países.

A constatação de que não são apenas funcionários públicos ou de empresas estatais que se mobilizaram diz muita coisa. Em 2008 54,5% das greves aconteceu no setor privado, submetido à ameaça permanente de demissões. O fato de um empregado cruzar os braços diante da muito possível hipótese de ser despedido demonstra o grau de disposição de luta e rejeição da atual situação que experimentam cada vez mais amplos setores da classe operária.

Segundo os dados divulgados, pouco mais de 2 milhões de trabalhadores participaram das paralisações, numa média de 7.710 grevistas por cada manifestação. Considerando que surgiu mais de uma greve por dia ano passado, este número é muito expressivo, ainda que haja muito espaço para aumentar, fruto da tomada de consciência e maior organização dos trabalhadores.

Outro indicador a ser levado em conta na análise das greves no Brasil, e a crescente incapacidade das direções sindicais governistas e pelegas conseguirem frear as lutas. É evidente que as grandes centrais e sindicatos oportunistas ainda controlam a maioria dos trabalhadores, e é esse o principal motivo de não haver ainda mais paralisações. No entanto, precisamos reconhecer que o caráter traidor das direções sindicais não mudou muito de 2 anos para cá. Pelo contrário: a cooptação das entidades sindicais por parte do governo aumentou ainda mais.

Sendo assim, só o que pode explicar o crescimento das greves é o avanço na experiência dos trabalhadores com suas direções e a pressão maior exercida por eles, ou para obrigar sindicatos acomodados a terem que se mexer, ou simplesmente para atropelar suas direções oportunistas.

Essa realidade ainda está muito, mas muito, longe de atingir a temperatura necessária para uma completa reorganização do movimento operário e a construção de novas direções combativas e de luta. Assim como as 411 greves do ano passado ainda precisam de um longo caminho para defender o nível de vida e obter conquistas aos trabalhadores. Mas esta luta deu um passo muito importante neste último período.

Que 2008 seja superado por 2009 e que os trabalhadores transformem cada greve em uma luta contra o governo Lula, os patrões e o capitalismo, rumo a uma greve geral nacional em defesa dos explorados, contra os banqueiros, latifundiários e corruptos.

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