Campanha Salarial e Greve dos metroviários no Rio Grande do Sul: categoria enfrenta Lula e sua tentativa de arrocho salarial e amordaçamento até 2011.
Os trabalhadores da Trensurb, empresa pública que opera os trens que ligam a cidade de Porto Alegre com sua região metropolitana entraram em greve desde o dia 2 de junho, como decorrência de sua campanha salarial. Os metroviários vêm enfrentando duros ataques ao longo de todo o governo Lula, e agora se veem obrigados a cruzar os braços.
Uma das principais reivindicações da categoria para deflagrar a greve é o reajuste de 12,25%. Também se luta pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, repúdio à perseguição aos grevistas, o assédio moral e a terceirização. Após 2 semanas de paralisação, a greve foi suspensa e está sendo julgada pelo TRT. em função de que não se chegou a um acordo.
Uma prévia para as demais categorias: Lula quer arrochar os metroviários e amordaçar a categoria com acordo coletivo de 2 anos.
A disputa entre os trabalhadores do Trensurb e o governo Federal nesta greve expressa a nova postura de Lula e da burguesia para o próximo período. Protegidos com o argumento da crise mundial (que Lula chama de marolinha quando quer enganar o povo, mas que se torna gravíssima quando se trata de não conceder reajustes ou cortar verbas da saúde e educação), eles farão de tudo para arrochar os trabalhadores com acordos coletivos mais longos.
Na campanha salarial dos metroviários, enquanto os trabalhadores pedem um reajuste de 12%, válido, como sempre foi, por 1 ano; o governo propõe um índice de 10% de reajuste, mas válido por 2 anos. Ou seja: Lula quer dar apenas 5% de reajuste salarial em 2009 e em 2010, o que não paga nem a inflação real dos trabalhadores.
O pior da proposta, entretanto, mais do que o arrocho, é que ela proíbe os trabalhadores de lutar até 2011, por conta do acordo coletivo de 2 anos. Lula, com a apoio de muitas centrais e sindicatos pelegos tenta, com isso, ficar sem nenhuma pressão no ano em que Dilma tentará se eleger como sua sucessora.
Essa é a "negociação" que o governo federal e os patrões pretendem impor a todas as demais categorias. Para isso já contam com o auxílio da CUT e da Força Sindical, que no início do ano ajudaram Lula a reduzir os salários de diversas categorias, reduzindo também a jornada de trabalho, com a mentira de que isso iria salvar os empregos, o que não ocorreu. Houve milhares de demitidos, muitos salários seguem até 30 % menores, e só os patrões ganharam com este acordo vergonhoso.
A proposta de acordos coletivos longos, com validade de dois ou mais anos, é a nova tática para destruir salários dos trabalhadores. Nos bancários, por exemplo, é isso que negociam os banqueiros, Lula e a CUT. Assim, os burocratas sindicais veem a possibilidade de anunciar um índice de reajuste, que nominalmente, é “grande”; por sua vez o governo ganha a tranquilidade de não enfrentar greves, mobilizações ou protestos de categorias importantes por dois anos ou mais, em troca de um reajuste ínfimo.
Lula quer acabar com direitos trabalhistas dos metroviários
Outro ponto importante da greve dos metroviários do Trensurb é a retirada de direitos proposta pelo governo petista. Entre eles estão a estabilidade de dirigentes sindicais e do sindicato, a proteção contra demissão sem justa causa. Além do fim desses direitos, Lula quer a retirada de todos os direitos dos funcionários mais novos, que teriam uma relação equivalente a de um trabalhador terceirizado com a Trensurb, sem plano de saúde e demais benefícios por exemplo. Um dos ataques mais perversos é a possibilidade de acabar com o adicional noturno.
O governo federal há muito tempo está querendo aplicar a reforma trabalhista, para acabar com direitos históricos dos trabalhadores e garantir o lucro dos patrões. A justificativa governista e patronal é "reduzir o custo Brasil", ou seja tentar baratear a mão-de-obra brasileira a níveis chineses, com salário de fome e sem direito nenhum.
Por não existir hoje uma correlação de forças que permita ao governo aplicar esta medida, ele vem fazendo a flexibilização de alguns direitos através de pequenas leis, como a lei de greve que praticamente torna toda greve ilegal; o novo Simples, imposto empresarial cobrado de maneira simplificada, que permite que os pequenos empresários não paguem direitos trabalhistas; acordo coletivos, como os que reduziram a jornada de trabalho e os salários em diversas empresas; e a "nova" tática, já aplicada em outros períodos, de acordar reajustes por 2 anos.
Os metroviários precisam ampliar sua luta, e as demais categorias precisam apoiá-la!
Somente derrotando Lula será possível conquistar o reajuste de 12% e preservar os direitos!
A vitória dos metroviários e de sua greve é vital para o futuro da luta da categoria. Dela dependem não só a reposição salarial e os direitos trabalhistas da categoria, como também o seu direito de lutar e se organizar sindicalmente. Se Lula vencer, os grevistas estarão sujeitos à demissão sumária, os que disputarem eleições sindicais também, e uma futura greve estará quase descartada pelos próximos anos.
Essa greve tem a chance de derrotar o governo e a burguesia na flexibilização de direitos e arrocho de salários, o que pode enfraquecer este mesmo plano em outras categorias.
Mas, para vencer esta greve, os trabalhadores da Trensurb precisam saber que não lutam somente contra a direção da empresa, como dizem as lideranças da CUT e do sindicato. Nesta batalha, o patrão, na Trensurb, é Lula. É ele quem determina o reajuste e os ataques aos direitos. Seus nomeados à frente da empresa apenas obedecem suas ordens. Por isso é preciso lutar contra Lula e seu governo, para derrotá-lo e garantir os direitos e o reajuste que a categoria necessita.
Além disso, é preciso radicalizar a luta e retomar a greve imediatamente, pois não se pode confiar na justiça dos ricos e nas decisões do TRT, que sempre decide a favor dos patrões. É fundamental que a greve ganhe corpo e seja total, sem restrições de horário, como vinha sendo feita. Só radicalizando e paralisando totalmente os serviços, o governo sentirá a ameaça.
Nesta luta, somos todos metroviários e é muito importante unificar outras categorias em luta, como os trabalhadores do INSS, e contar com a solidariedade de todas as demais. O Movimento Revolucionário está com tudo nesta batalha.
VOLTAR