Publicado em 17/01/2012

Governo Dilma frauda índice de preços e tenta baixar inflação virtualmente.

O ex-ministro do governo Itamar Franco, Rubens Ricupero, foi pego no chamado “escândalo da parabólica” falando em “off” que o que era bom ele divulgava e o que era ruim ele escondia. Nada diferente de qualquer outro político burguês, mas que gerou revolta nos idos da década de 90. Pois no governo Dilma, ainda é pior: não se trata só de esconder o que é ruim, mas de adulterá-lo e manipular dados para dizer que ficou bom.

É assim que o governo resolveu tratar a realidade da inflação. Em 2011, o Brasil teve a maior inflação dos últimos 7 anos, e o custo de vida já impacta de forma dura a vida da ampla maioria da população. A inadimplência, por exemplo, já é a maior em 9 anos! Mesmo o índice controlado pelo governo, o IPCA, calculado pelo IBGE, mostrou o aumento absurdo dos preços, concentrado, além de tudo, nos itens mais básicos, como transporte, alimentação e serviços em geral.

Em dezembro, já com a meta estourada de inflação, o IBGE ainda fraudou, escancaradamente, o índice mensal, para poder haver a incrível “coincidência” de um resultado “exato” de 6,5% de inflação anual, um valor vergonhosamente alto, mas que impediu o constrangimento de o banco Central ter de pedir desculpas pelo estouro evidente do teto da meta.

Mas o golpe pior ainda estava por vir e foi divulgado neste ano. A partir de agora, muda o cálculo da inflação feito pelo governo. Detalhe: pela nova metodologia, a inflação vai baixar!

Seria para dar risada se não fosse uma tragédia! O governo adultera e frauda os indicadores para roubar a população! O Imposto de Renda, por exemplo, tem sua tabela corrigida apenas pela inflação que o governo anuncia querer ter (4,5%), o que é um exemplo quixotesco de tratar a realidade a partir de seus desejos. No entanto, a inflação oficial marcou 6,5% em 2011, e a real deve ter sido superior a 10%, como se observa no preço do ônibus, da comida e dos serviços. A diferença dos números vira prejuízo aos trabalhadores.

Agora, o governo, que é cúmplice da subida de preços, ao invés de deixar de superexplorar a população por meio de impostos escorchantes, ou ao invés de intervir para evitar aumentos de preços, monopólios e abusos de empresários, prefere maquiar os dados e fingir que a realidade é melhor do que é.

O IBGE, criminosamente e sob ordens de Dilma, acaba de mudar a composição do IPCA, menosprezando o peso da educação e dos serviços no cálculo, justamente o que mais vinha puxando o IPCA para cima. E como é que pode que um item que subiu de preço mais que o resto dos gastos tenha seu peso diminuído no cálculo?

Qualquer criança semialfabetizada sabe que, se um preço subiu mais que os outros, no orçamento de uma pessoa este produto ou serviço passa a ter um peso maior. A vida real mostra isso: hoje as famílias gastam mais com transporte e alimentação, pois são coisas que subiram muito mais que a média.

É o mesmo “truque” usado pelo governo Lula quando mudou a fórmula do cálculo do PIB em seu governo e a mesma “mágica” dos governos dos Kirchner na Argentina, que atribui uma inflação de 9% quando todos os economistas, inclusive, calculam a inflação acima dos 20%. Dilma deu um grande passo em direção à realidade farsesca da Argentina, onde o instituto que mede a inflação não tem mais credibilidade alguma.

Alegando que a “transformação social” dos últimos anos motivaria o novo método, o governo Dilma usa itens como a retirada de produtos realmente anacrônicos do cálculo, como a máquina de costura, para retirar outros que em nenhum momento deixaram de ser consumidos, como o chuchu e o chope, além de incluir artigos como o salmão na lista de preços. Ao final, o propósito do novo cálculo é, principalmente, manipular os dados retirando peso justamente do que mais subiu e deve seguir subindo e preços.

 A maquiagem é tão grande que se a inflação de 2011 tivesse sido medida pelos novos pesos, teria sido de 6,1% e não 6,5%. Ou seja, seria ainda mais irreal e subavaliada. E é este o objetivo de mudar o cálculo: ignorar a vida real e apresentar um resultado fictício positivo no final do ano.

Veículos, que são produtos que caíram de preço nos últimos anos, somente porque o dólar se desvalorizou, tiveram o peso aumentado em quase 50%. TV e computador vão triplicar, sendo que há pelo menos 20 anos a compra de TVs é generalizada entre todas as camadas da população. A educação, cujos preços cresceram mais que a média, porém, terá sua participação reduzida de 7,21% para 4,37% no índice de preços. Como explicar, se o “boom” de matrículas nas universidades pagas é visível a todos? Mais forçado ainda é a diminuição da importância da alimentação fora de casa, embora seja unânime e notório que as pessoas comem muito mais fora de casa a cada ano que passa.

Nas contas do Bradesco, por exemplo, o somatório dos serviços, no conceito antigo, ocupava 24,84% do índice e, agora, passou para 23,66%. Isso quando todo mundo sabe que foram os serviços que ainda garantiram algum crescimento do PIB em 2011, e que é este setor o que mais tem crescido no Brasil. O grupo alimentação e bebidas, por exemplo, foi reduzido, assim como o peso do vestuário, das despesas pessoais e da comunicação. É mole?

Os trabalhadores não podem aceitar esta fraude. É preciso denunciar esta manobra e impedir que os sindicatos pelegos, junto do governo, mintam que reajustes de 6% ao longo do ano sejam “acima da inflação” e “como ganho real”, como tem feito ultimamente. O povo merece melhores condições de vida e poder aquisitivo e não melhores índices no papel, apenas para inglês ver.

 

 

 

 

 

 

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