Publicado em 15/09/2010

Dívidas e inflação de gêneros básicos sobem bastante!

A vida do brasileiro está cada vez mais dura. Longe de receber um salário mínimo que atenda às suas necessidades com alimentação, saúde, educação, moradia, transporte, lazer, etc., o trabalhador está mergulhado em dívidas.

Um recente levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que 54% das famílias brasileiras possuem dívidas. O endividamento médio é no valor de R$ 5.426,59. Além disso, 20% das famílias revelaram que estão com, pelo menos, uma conta atrasada. Entre os que se declararam mais endividados, aparecem as mulheres e os negros, pois estão entre aqueles que recebem os mais baixos salários.

        Esse aumento do endividamento da população é fruto da política do governo Lula de estimular o consumo, através da concessão indiscriminada de crédito, para minimizar os efeitos da crise econômica mundial que atingiu o Brasil em 2009. Como resultado, as famílias assumiram dívidas bem superiores a sua capacidade de pagamento.

Sem pão e sem passagem!

        Além de enfrentar dificuldades para pagar as contas em dia, também tem faltado ao trabalhador dinheiro para pagar a passagem do transporte público. São 37 milhões de brasileiros que diariamente não têm o dinheiro da passagem para voltar para casa, o que leva muitos a dormirem nas ruas ou em prédios públicos. Esse número representa cerca de 60% dos usuários de transporte público que, no Brasil, são 59 milhões de pessoas.

        Enquanto oferecem à população um serviço caro, com ônibus e metrôs lotados e sucateados, as empresas que atuam no setor movimentam 25 bilhões por ano.

        Outra má notícia é o aumento do preço do pão que subiu em média 10%, mas que poderá atingir até 20% em alguns locais e se estender em breve para todos os produtos que utilizam trigo na sua composição. O aumento, segundo a explicação oficial, é decorrente da seca que atingiu a Rússia e que comprometeu 25% da safra daquele país, que é um dos maiores exportadores de trigo do mundo.

Na verdade, porém, este aumento só pôde acontecer pela falta de estoques reguladores do governo, que destruiu a antiga Sunab; além de também ser produto da substituição das lavouras de trigo e tantas outras que serviam ao mercado interno e às necessidades da população, trocadas pelo plantio quase exclusivo da soja, que hoje em dia é praticamente uma monocultura nacional, cujo único destino é a exportação.

        Assim, o que vai à nossa mesa está também sujeito ao vai-e-vem das bolsas, já que os alimentos são comercializados como commodities (mercadorias com cotação internacional) e tem seus preços determinados pela cotação do mercado mundial. Para muitos, mais do que um aperto nas contas do mês, aumentos desse tipo significam passar fome.

        Como tem dado para sentir no bolso e na barriga, viver com dignidade está cada vez mais difícil no sistema capitalista. Difícil também é acreditar que, após as eleições de outubro, algo vá mudar para transformar essa realidade dos trabalhadores. Arrocho salarial e carestia têm feito parte da vida do trabalhador, qualquer que seja o governo.

         O que de fato mudará essa situação é a luta por um salário mínimo que atenda a todas as nossas necessidades, por emprego para todos e por um serviço público, gratuito e de qualidade.

Porém, o governo não pode nos oferecer isso, por mais que diga ou prometa o contrário, pois está comprometido com os empresários, banqueiros e especuladores, financiadores das suas campanhas eleitorais. Essas conquistas só poderão ser conseguidas na luta contra o governo Lula e os patrões. Elas virão apenas com mobilização e não com a eleição: este é o caminho!

 

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