Publicada em 06/11/2008

Banqueiros se unem para explorar:
Fusão do Itaú com Unibanco
Crise aumenta concentração dos bancos

A fusão do Banco Itaú (até agora, terceiro maior banco do ranking nacional) e do Banco Unibanco (quinto maior banco brasileiro) deu origem ao maior banco do Brasil, América Latina e do hemisfério Sul, assumindo o 17º lugar, entre os maiores bancos do mundo. O "Itaú Unibanco Holding S.A” já nasce com ativos de R$ 575 bilhões, 4.800 agências e mais de 14 milhões de correntistas.

Após o anúncio da fusão (na verdade, a compra do Unibanco pelo Itaú), as ações do Unibanco subiram 8,95% e as do Itaú 16,39% no mercado de valores.  A idéia da fusão, segundo os banqueiros, surgiu depois da compra do ABN Amro Real pelo Santander, o que já era um salto no processo de super concentração financeira no país.

 A crise financeira foi o empurrãozinho que faltava. Com as suspeitas sobre a possibilidade de grandes prejuízos no Unibanco, que era associado à seguradora falida AIG, dos Estados Unidos, o negócio foi apressado para preservar a lucratividade dos dois bancos e do mega banco que sai dessa fusão.

A oficialização da fusão depende do aval do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e do CADE, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Mas, como Lula e seu governo sempre estiveram e seguem ao lado dos banqueiros, a fusão já foi elogiada por Guido Mantega, ministro da fazenda, e pelo presidente do banco central, uma sinalização do governo que vai fazer de tudo para ajudar os banqueiros em sua união e busca de lucros maiores. O próprio Lula, segundo a imprensa, ficou “maravilhado” com o negócio.

A etapa imperialista do capitalismo e a crise econômica mundial
como motores da fusão dos bancos brasileiros

O capitalismo vive hoje uma gigantesca crise econômica, de proporções que não se viam há muitos anos. Centenas de bancos pelo mundo já faliram, obrigando diversos governos a estatizar parte do sistema financeiro para evitar que fechassem as portas. Outras tantas empresas multinacionais estão falindo, ou se vêem obrigadas a reduzir sua produção e, até mesmo, pará-la para evitar que quebrem. Inclusive as grandes empresas brasileiras, como as montadoras de automóveis, já deram férias coletivas para seus funcionários e ameaçam demitir tantos outros. A crise financeira se originou da crise de superprodução, e a recessão econômica é inevitável.

Mas, ao contrário do que afirma a burguesia, esta crise não é uma situação atípica ou incomum. O capitalismo sempre foi, e sempre será, abalado por crises econômicas, pois o problema é estrutural do sistema, ainda que possa ser agravado ou amenizado conjunturalmente. As crises no capitalismo são cíclicas, ou seja, o sistema oscila entre períodos de crescimento e recessão.

Mas, do ponto de vista da estrutura do modo de produção, as forças produtivas já se esgotaram. O avanço da técnica já não significa mais melhoria na qualidade de vida da humanidade, e o próprio avanço da ciência e tecnologia é freado em função dos grandes monopólios e da falta de poder aquisitivo da população. Além disso, em função da anarquia da economia capitalista, sempre chega um momento onde existe mais produção do que consumo, fazendo com que os preços despenquem e os burgueses diminuam a produção, com cortes de salário, direitos e demissões.

Justamente nestes períodos de crise é que a burguesia imperialista se vê diante da necessidade de avançar sobre o mercado de outros burgueses. Esse movimento vem se dando por meio das compras de uma empresa pela outra, pela falência de uma empresa, com a respectiva ocupação de seu mercado pela concorrente ou, como aconteceu com o Itaú e Unibanco, pela fusão dos negócios de grandes burgueses.

Esse processo termina por concentrar cada vez mais o controle dos meios de produção nas mãos de uma quantidade menor de burgueses. Isso é um dos principais reflexos do imperialismo: uma mesma burguesia controlando a produção e o mercado mundial.

Embora os donos do Itaú e do Unibanco afirmem que a crise econômica mundial tenha apenas acelerado o processo de fusão, a verdade é que ela foi decisiva para que os bancos se fundissem. Enquanto viam vários de seus companheiros banqueiros falindo em todo mundo, e outros tantos tendo de vender suas empresas para o Estado, os donos do Itaú e Unibanco perceberam que a única saída que teriam para preservar suas fortunas seria a de unir suas empresas para se fortalecer na disputa do mercado em crise. Optaram por unir seus lucros e suas atividades, para melhor explorar os funcionários, reduzir custos e tentar salvar a taxa de lucro futura. Mesmo que parte de seus mercados se sobreponha, e isso reduza parte de seus negócios somados, os bancos preferem isso, do que reduzir o lucro drasticamente, ou mesmo ter prejuízos.

Para os banqueiros a fusão fez muito bem, pois além de garantir seus lucros, a concentração de poder dos grandes bancos aumentou, e a concorrência diminuiu. Até setembro do ano passado, os cinco maiores bancos brasileiros tinham, juntos, 60,58% dos ativos totais dos 101 bancos existentes no país. Naquele mês, o Santander comprou o Banco Real, e a concentração subiu para 65,66%. Agora, com Itaú e Unibanco unidos, os cinco maiores têm 72,42% dos ativos totais do país.

Considerando que parte do Itaú, o banco controlador da fusão, está nas mãos do Bank of America, dos EUA, podemos dizer que o sistema financeiro “brasileiro” cada vez mais está concentrado e nas mãos dos banqueiros imperialistas.

Enquanto os Banqueiros lucram com a fusão, os trabalhadores já sabem os que os espera: demissões, mais exploração e taxas e juros maiores.

Enquanto os banqueiros anunciam que acharam a solução para seus problemas, os bancários e trabalhadores em geral já sabem o que os espera: demissão, taxas de serviço e de juros mais altas e uma maior exploração de sua força de trabalho.

Os próprios donos do novo banco já anunciaram que num futuro próximo irão fechar agências, reduzir a folha de pagamento e restabelecer suas taxas de juros e de serviços. Isso é um anúncio que já preocupa uma parcela importante dos trabalhadores brasileiros, pois o novo banco tem 18% das agências e postos de atendimento do país, 19% do volume de crédito concedido, 21% dos depósitos, fundos e carteiras administradas.

A fase concorrencial do capitalismo já não existe mais. Na época imperialista, mesmo as empresas “concorrentes”, muitas vezes, se unem através de preços e tarifas tabelados, trustes e cartéis. Mas, ainda mais acintoso do que isso, é quando, por meio das fusões, um punhado de empresas controla sozinho, por meio de monopólios e oligopólios um ramo inteiro da economia. Basta imaginarmos a quantidade de pessoas que perderão seu emprego com as agências fechadas; o valor que os trabalhadores irão pagar de juros e taxas para os banqueiros; e o controle ainda maior que estes banqueiros terão da economia do país a partir de agora, para compreender o quanto esta fusão é nociva para os trabalhadores.

Esta fusão é mais uma parte da política da burguesia de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise econômica que ela mesma criou. Além do governo Lula, que faz de tudo para ajudar a empurrar a crise para cima dos trabalhadores, os banqueiros ainda saem mais fortalecidos para explorar os bancários e os trabalhadores em geral.

QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE!

Como vemos mais claramente a cada dia que passa, e em toda a crise que abale o mundo, os governos e a burguesia mundial fazem de tudo para salvar seus lucros e jogar todo o prejuízo nas costas dos trabalhadores e das populações mais pobres. O Itaú e Unibanco apenas estão fazendo o que toda burguesia a nível mundial já vêm fazendo: salvar seus lucros às custas da exploração e miséria dos trabalhadores.

A realidade dos trabalhadores só tende a ficar ainda pior no próximo período. A recessão econômica já está agravando e irá agravar ainda mais todos os problemas sociais, do emprego, salário e condições de vida, como a violência, saúde e educação.

Por isso, a única arma que os trabalhadores possuem para se preparar contra os efeitos da crise é fortalecendo as lutas em curso, como as campanhas salariais e as greves de trabalhadores, para conquistarem reajustes salariais que reponha a inflação e as perdas históricas.

Cada uma dessas lutas deve estar ligada a uma luta muito maior, que tem a ver com a luta pelo socialismo e a construção de uma economia planificada. Diante da crise, a saída deve ser a estatização, sem indenização, de todo o sistema financeiro e as grandes empresas, sob controle dos trabalhadores. Defendemos a unificação do sistema financeiro nacional, sob um banco público estatal, controlado pela população explorada. Os bens dos burgueses responsáveis pela crise devem ser confiscados pelo Estado socialista, apoiado nas organizações democráticas dos trabalhadores e da população.

 

 
 
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