Publicada em 03/06/2008

Reduzir a jornada de trabalho já,
com aumento de salários!

Com o objetivo de ganhar mais votos em um ano de eleição, além de enganar a população com o que parece ser uma grande vantagem, Lula negocia com os sindicalistas da CUT e Força Sindical a redução da jornada de trabalho semanal de 44 h para no máximo 40 horas. Quando é obrigado a fazer este tipo de proposta, o governo Lula age como resposta à insatisfação popular. A maioria da população está cansada de corrupção, de um salário baixo e de ser explorada até o esgotamento físico no trabalho.

Mesmo sem que haja grandes mobilizações, este sentimento de revolta com sua situação faz com que o povo trabalhador pressione o governo a ter que simular concessões. Na verdade, no entanto, essas falsas concessões são manobras para atacar ainda mais a condição de vida dos trabalhadores.

É o que está acontecendo, mais uma vez, neste caso, em que a CUT e a Força Sindical estão levantando a polêmica da redução da jornada de trabalho, com o apoio do próprio governo.

A quem serve essa redução da jornada?

           Como a CUT e a Força já traíram os trabalhadores há muito tempo, e defendem os patrões, e o governo Lula também só governa para os ricos, fica a pergunta: por que CUT, Força e Lula estão querendo reduzir a jornada?

            Ficamos sabendo a resposta dessa pergunta pela boca da direção da própria Força, através de seu presidente Paulinho, recentemente envolvido em escândalos de desvio de verba do BNDES: "O governo tira os impostos da folha de pagamento e, na prática, paga o custo da redução". O que os pelegos estão afirmando, com sua cara de pau tradicional, é que vai ser a Previdência Social dos trabalhadores, o orçamento público e os mais pobres quem vão pagar a parte que os empresários vão ganhar de presente.

O governo vai pagar, na prática, para que os empresários reduzam a jornada. É o mesmo que faz quando compra terras que deviam ser expropriadas dos latifundiários ou quando compra vagas nas universidades particulares, ao invés de estatizá-las ou abrir vagas públicas.

            A CUT também é parte dessa vergonha, quando um de seus diretores afirma: "Não há discordância sobre a necessidade de desoneração da folha de pagamentos".

            Para nós, a luta contra a redução da jornada de trabalho é apenas uma de muitas as lutas que os trabalhadores necessitam travar para derrotar o governo.

Cada dia que passa os trabalhadores sofrem mais ataques do governo Lula, que quer retirar ainda mais seus direitos, através de reformas como a trabalhista (que pretende cortar direitos como as férias, 13º salário, diminuição da licença a maternidade para as mulheres). Também existe o projeto da  reforma da Previdência, que pretende  aumentar a idade de aposentadoria para homens e mulheres.

São inúmeros os ataques promovidos sobre a classe trabalhadora pelo governo, deixando claro que governa para os ricos, empresários que lhe concedem favores, banqueiros que estão rindo à toa (pois nem com o governo FHC obtiveram tantos lucros), etc.

A Conlutas deve ser inimiga da campanha da CUT e Força Sindical

            A Conlutas precisa levantar bem alto a bandeira da redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais. O aumento recorde dos lucros e arrecadação permite isso, e a vida miserável do trabalhador precisa dessa conquista para melhorar. Mesmo assim, taticamente, como forma de acumular uma vitória parcial e no sentido de manter a mobilização permanente pelo pleno emprego desde já e pela derrota de Lula e da burguesia no Brasil, a Conlutas e os revolucionários podem e devem se somar à luta pela redução da jornada para 40 horas semanais.

            No entanto, mesmo que a palavra de ordem seja unitária, em torno das 40 horas, a campanha que a Conlutas deve fazer não tem nada a ver com a da CUT e Força Sindical. O Movimento Revolucionário defende uma campanha classista, que arranque direitos para a classe trabalhadora. E, como todo empregado sabe, só ganhamos algo quando tirado à força do patrão. Nossa campanha para reduzir a jornada tem que acontecer com greves, paralisações e lutas por todo o país, e não somente através de abaixo-assinados como fazem a CUT e a Força.  

            Da mesma maneira, o conteúdo tem que ser contra os patrões e contra Lula. Sem isso, a campanha é uma mentira! É por isso que estamos contra a forma como a direção da Conlutas (PSTU e PSOL) tem conduzido a posição da central até agora.

Ela diz: "Nós fazemos um chamado a essas centrais para que essa campanha seja pela redução da jornada, sem redução dos salários e direitos. Até agora, não tem sido assim.".  Este tom choroso e decepcionado não corresponde à experiência que os trabalhadores vêm tendo com a CUT e suas seguidas traições. Além de necessário, é possível dizermos abertamente que a CUT e Força são centrais vendidas, que defendem Lula e os empresários, e que não se pode confiar nem nelas, nem na campanha fajuta que encabeçam.
            É inadmissível para os revolucionários, e até mesmo para os militantes sociais honestos com outras posições, fazer Frente Única com o governo. Por isso, no máximo se pode marcar atos comuns com a CUT (em que tenhamos total liberdade de expressão e onde,obrigatoriamente, os denunciemos). Mas nunca se poderia chamar organismos comuns, do tipo um comitê de luta, muito menos se fechar um programa comum com os governistas da CUT e Força.

A Conlutas dá a entender o contrário, com seu chamado crítico, mas pra valer, que faz de unidade com a CUT. Não podemos alimentar ilusões neste sentido. Além das denúncias ao papel da CUT, a exigência que deve ser feita é a de que se retirem imediatamente de todos os fóruns com o governo, como o que elabora a reforma da Previdência, dos acordos sobre o salário mínimo, etc.

Devemos, junto com esta denúncia e exigência, explicar que isso não vai acontecer (a saída dos fóruns governistas), os motivos pelos quais não vai acontecer e fazer avançar a compreensão de que, por isso, é preciso continuar a romper com a CUT, dizer não à fusão da CONLUTAS com a Intersindical e dar uma nova direção à Conlutas.

 

 

 

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