Demissão de Lina Vieira traz à tona mais casos de corrupção no governo
O bate-boca entre a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, colocou um órgão supostamente técnico no meio da disputa partidária.
A história parece ter começado com vários episódios, mas com um estopim: a demissão de Lina, em julho desse ano.
A demissão parece que já era cogitada desde março, quando se percebeu que a arrecadação, até então em queda, não reagiria. Pela primeira vez desde a recessão de 1990, as receitas caíram oito meses seguidos. Mas a “gota d’água” parece ter sido a investigação que ela vinha liderando sobre a Petrobrás. Sua dispensa do cargo deu-se no auge da crise levantada pela investigação de uma manobra contábil na estatal.
O que, de fato, aconteceu, não foi oficialmente anunciado, já que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega - o “patrão” de Lina -, recusa-se a esclarecer os motivos para a dispensa da secretária.
A demissão dela teria passado sem o conhecimento da opinião pública, não fossem as denúncias que começou a disparar contra o governo e, mais recentemente, contra Dilma. Independente de se sua demissão ocorreu como mais uma forma de proteger as empresas sonegadoras, ou se foi para achar um “bode expiatório” para culpar pela arrecadação desastrosa de 2009, o fato é que o afastamento provocou a brecha que faltava para revelar o papel de Dilma como mais uma ministra da corrupção.
Lina afirma que Dilma teria marcado uma reunião com ela, na qual pediu que as investigações sobre a família Sarney fossem agilizadas, ou seja, que se deixasse de mexer nas declarações dos corruptos. De lá para cá, a assessora de Lina confirmou a história e haveria fitas de gravações que comprovariam a história, e que o governo está escondendo. Foi um prato cheio para a oposição fazer um circo em torno da candidata de Lula, agora flagrada como mentirosa e cúmplice da corrupção.
Até agora, Dilma e toda a cúpula do PT negam que a reunião tenha ocorrido, mas não conseguem convencer. Dilma, inclusive, tem tentado evitara acareação com Lina, que poderia lhe desmascarar.
De tudo isso, a primeira questão a ser concluída é que Lina foi, de fato, perseguida e demitida por razões políticas. Não é necessária qualquer avaliação sobre o posicionamento político da secretária, que, aparentemente, era mais técnica do que militante da Receita.
Assim, mais uma vez, o PT se mostra um partido exatamente igual aos outros. À medida que as falcatruas e roubalheiras foram escapando de baixo do tapete, as pessoas que sabiam das pilantragens ou foram compradas, ou dispensadas.
Entretanto, cabe uma observação. De acordo com um fiscal do órgão, Lina está fazendo todas essas denúncias para rebater possíveis acusações à sua gestão. Segundo ele, ela teria entregue cargos importantes da instituição para sindicalistas sem experiência administrativa, tornando esse período “um paraíso para quem faz corpo mole”. E tudo com a complacência de Mantega.
Ou seja, independente do lado que vejamos a situação, o PT está comprometido até a raiz dos cabelos. Lina não é santa. Para ter a confiança de Mantega também representa a mesma política a serviço de “fazer vistas grossas” aos grandes sonegadores e corruptos. Tanto é assim que só resolveu falar alguma coisa depois que foi demitida. Mas, neste caso, a responsabilidade de submeter os órgãos públicos aos interesses particulares da família Sarney, e aos objetivos políticos do governo, são prioritariamente de Dilma, Mantega e Lula, que, além de maior defensor de Sarney, é o maior defensor de Dilma também. Mais uma vez: eles todos sabiam!
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