Diga-me quem apóias que te direi quem és. Diretório Nacional do PT decide apoiar candidatura de Roseana Sarney no Maranhão.
Que o Partido dos Trabalhadores há muito tempo abandonou qualquer compromisso com os trabalhadores, é um fato que já não é novo. Lula chegou à presidência do país só depois de, por escrito, dar a garantia aos patrões e empresários que não iria mexer em nada das suas fortunas, e que seguiria governando nos mesmos moldes do governo anterior.
Todo o governo de Lula foi um malabarismo por parte dos petistas na busca de alianças, pagando o preço de salvar banqueiros e corruptos, de dentro e de fora do partido. O PT se aliou a Renan Calheiros, Maluf, Fernando Collor, ACM e tudo o que há de mais podre na política brasileira.
Agora, surge mais um fato que só vem a se somar entre tantos que o PT vem tragicamente acumulando. De qualquer forma, mesmo sem ser inédito, é mais um duro golpe aos ativistas e militantes honestos que ainda lamentam os rumos que o PT tomou.
Por 43 votos a 30, o diretório nacional do partido decidiu por apoiar a candidatura de Roseana Sarney (ex-PFL, e atual PMDB) no Maranhão, cassando a autonomia estadual e o mínimo de coerência que ainda pudesse existir. O PT do MA tinha definido apoiar o candidato a governador Flavio Dino do PCdoB, mas sofreu intervenção de Lula e seus aliados mais próximos, para garantir o apoio da família corrupta dos Sarney.
Aliança com o latifúndio e coronelismo
Esse flerte com os Sarney não vem de agora. Na crise do Senado, o PT foi quem mais ajudou a salvar José Sarney, presidente da Casa, sendo que o próprio Lula veio a público dizer que Sarney não era uma pessoa qualquer, e, que se deveria ter mais paciência antes de qualquer medida contra o presidente do Senado.
No caso do governador Arruda do Distrito Federal, somente depois de todos já estarem certos, que o governador cairia tamanho o escândalo e a quantidade de provas existentes, o PT foi ter uma postura de incentivar esse processo. Mas, mesmo assim, depois ajudou a garantir que o próximo governador pudesse ser escolhido por todos os corruptos, inclusive o DEM (partido de Arruda), sem permitir novas eleições.
A vergonhosa aliança no MA, portanto, é apenas mais uma parte da política reacionária do PT, de se coligar com todos que lhe rendam votos, mesmo que sejam assassinos, corruptos, latifundiários, etc. Depois de o Diretório Estadual do PT ter orientado pelo apoio a candidatura do PCdoB no Maranhão, a decisão Nacional do partido vem no sentido de garantir que Dilma se saia bem neste estado, conforme palavras do Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha: “Roseana abre o palanque integralmente e assume integralmente a candidatura da Dilma. É um palanque de 2 a 2,5 milhões de votos”.
Essa é a explicação de por que um partido que um dia organizou greves, teve seus militantes perseguidos e refletia a esperança de mudança, hoje é parte do mesmo circo que faz com que grileiros, latifundiários, e verdadeiros gangsteres da política tenham espaço dentro dos governos estaduais e federais.
A estratégia do PT passou a ser e estar dentro do Estado burguês custe o que custar, convertendo seus dirigentes de burocratas em burgueses e passando de traidores a inimigos declarados da esquerda e do socialismo.
Não é à toa que o PT é hoje um partido que tem como principais dirigentes pessoas que também estão envolvidas em todos os tipos de negociatas e esquemas de corrupção.
Entendemos que esse apoio do PT, com a direção nacional do partido passando por cima da decisão do diretório estadual que preferia apoiar o também traidor PCdoB, é a expressão da degeneração deste partido e a sua morte para qualquer interesse dos trabalhadores.
Contra o Sarney; e contra Serra e Dilma que, independentemente do vencedor vão ser a continuidade dos ataques de Lula, é necessário fortalecer o polo das lutas e greves.
Na democracia dos ricos, vale tudo. Ganham os ladrões e corruptos, e a vida do trabalhador segue sempre a mesma!
Nós do Movimento Revolucionário não reconhecemos o processo eleitoral como ele se dá hoje, pois aí é o espaço daqueles que são financiados pelos empresários e patrões. Os trabalhadores só têm um meio de garantir alguma conquista ou não perder os direitos que já têm hoje: saindo à luta.
Por isso, entendemos que, nas próximas eleições, é necessário denunciar essa democracia como uma farsa, bem como apontar uma alternativa por fora do processo eleitoral, tendo como norte as greves, ocupações e protestos. Achamos que a participação nas eleições só faz sentido se é utilizada como meio de apoio secundário e complementar às lutas, e serve de tribuna contra o próprio capitalismo.
Assim, entendemos que seria importante usar este espaço, em que os trabalhadores tivessem seus próprios candidatos, com campanhas pagas pelos próprios trabalhadores, e, que se prestassem em fazer a denúncia do circo que é a democracia burguesa. Infelizmente, os revolucionários de nosso partido e tantos outros, de organizações não reconhecidas pelo TSE ou independentes, são proibidos de se candidatarem e expressarem seus pontos de vistas.
Por isso, nestas eleições, mais uma vez, vamos ver um festival de alianças onde o inimigo em um estado é o maior aliado em outro, o que acontece em todos os partidos que tem a eleição como um fim em si mesmo. Contra todos esses, que são todos iguais, a única alternativa possível, é a construção de uma Frente classista e socialista, encabeçada pelo PSTU, mas composta democraticamente e coletivamente por todos os que se dispuserem a participar e construir um programa classista para o Brasil na perspectiva da destruição do sistema capitalista no rumo da construção de uma sociedade socialista.
Mais uma vez, os trabalhadores não têm a nada a ganhar votando em qualquer um dos candidatos representantes da patronal e das multinacionais, como são o PT, PSDB e PV. Nestas eleições, defendemos as bandeiras de criação de um governo dos trabalhadores, que surja das revoltas populares; o não pagamento da dívida externa e interna; a luta contra qualquer tipo de opressão ou preconceito; a denúncia do regime democrático burguês como um jogo de cartas marcadas; e declaramos todo apoio às lutas, greves e ocupações!
É hora de derrotar os Sarneys, os Lulas, os Serras e todos os que sempre prometem mundos e fundos nas eleições, e depois mantêm tudo como sempre foi. Nossa resposta é nas ruas, e, eleitoralmente, pela construção de uma alternativa que denuncie tudo que está aí, e realmente seja controlada pelos trabalhadores.
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