“DE PAI PARA FILHO”:
LULA ENTRA NA ONDA “ESTATIZANTE” PARA SALVAR BANQUEIROS
O governo Lula, seguindo a política dos EUA e Europa de estatização do sistema financeiro, pagando bilionárias indenizações, autorizou os dois principais bancos públicos do país, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a comprarem ações ou a totalidade de bancos privados que estejam com dificuldade. A CEF também pode adquirir construtoras com os lucros em perigo.
Depois de ter destinado 160 bilhões de reais aos banqueiros, através do Banco Central, o governo dá mais um passo no sentido de garantir que os burgueses que mais lucraram nos últimos anos sigam ganhando, mesmo em meio à crise econômica. Lula justificou essa medida provisória (443) e a intervenção do Estado no sistema financeiro comparando a ação de um pai que socorre o filho que fica doente. E é exatamente isso, só que, nesse caso, o pai utiliza o dinheiro de 200 milhões de filhos para salvar um único filho, que já passa o ano inteiro roubando dos outros milhões de “irmãos”.
A prova disso é que Lula já anunciou que vai cortar gastos com investimentos. Isso significa que haverá mais arrocho salarial, desemprego e verba para saúde e educação, ao mesmo tempo em que bilhões são gastos para salvar os banqueiros.
ESTATIZAÇÃO CAPITALISTA
É preciso deixar claro o conteúdo das medidas estatizantes que os principais governos do mundo estão adotando para enfrentar a crise. Trata-se de medidas contra os princípios do liberalismo econômico (da não intervenção do Estado no mercado) e, por isso, são importantes, pois acabam com o mito do capitalismo indestrutível. Porém, o grande objetivo da estatização desses governos, Bush (EUA), Brown (Inglaterra) e Lula é recuperar as instituições que estão falindo para, assim que a economia se normalizar novamente, vender novamente ao mercado. E justamente por isso, pelo compromisso de todos os governos do mundo em manter a ordem capitalista e a exploração sobre os trabalhadores, é que todas essas medidas são insuficientes para solucionar a crise do capitalismo. Pois, mesmo que a economia se recupere mais uma vez, isso será apenas conjunturalmente, por um curto período, já que o problema do capitalismo é estrutural e, inevitavelmente, novas crises ocorrerão.
A solução para a crise passa longe das estatizações feitas pelos governos dos EUA, Europa e também Brasil. Pelo preço que vão custar, estas “estatizações” vão desaquecer a economia da mesma forma, pois vão vir acompanhadas de arrocho salarial, cortes do orçamento, com repercussão em menos investimentos em infra-estrutura, áreas sociais e desenvolvimento industrial, construção civil, etc.
Somente com a estatização, sem indenização, do conjunto do sistema financeiro, é possível acabar com a anarquia econômica e especulação, que levam o capitalismo às crises. O próprio BB e CEF, que são instituições públicas, devem ser 100% estatais, diferente de hoje, quando o BB funciona como economia mista, com acionistas privados. As grandes empresas públicas também devem ser 100% estatais, como a Petrobrás, para que as riquezas geradas no país estejam a serviço dos trabalhadores e do conjunto da população e não de meia dúzia de empresários.
Nesse sentido, o que está em discussão é: que tipo de Estado deve exercer o controle do sistema financeiro e do conjunto das riquezas? Para nós, do Movimento Revolucionário, somente um Estado socialista, controlado pelos trabalhadores, através de suas organizações, pode pôr fim à crise econômica e social e garantir emprego, salário, e vida digna para todos.