Publicado em 21/11/2011

Além de fraudes, futuro ex-ministro Lupi fabricou sindicatos-fantasmas

O cada vez mais próximo de ser demitido e por enquanto ainda ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT), além de viajar de graça em jatinhos de empresários corruptos, de mentir compulsivamente em seus depoimentos e de ser acusado de cobrar propina de 5% para todo e cada contrato do ministério, o que envolvia fraudes com ONGs, etc., agora está no meio de mais uma séria denúncia.

Segundo revelado por próprios sindicalistas, Lupi pessoalmente concedeu registro a sete sindicatos patronais no Amapá, simulando representar trabalhadores de setores da indústria que, segundo o próprio governo local, nem existem no Estado.

Os certificados saíram a pedido do deputado Bala Rocha (PDT-AP), dirigente do PDT, partido de Lupi, que afirma ter se valido da proximidade partidária com o ministro.

Nenhum dos presidentes desses sindicatos fantasmas criados é industriário. São motoristas de uma cooperativa de veículos controlada por um aliado de Rocha, e os sindicatos têm registros em endereços nos quais não há estrutura montada.

As certidões foram dadas pelo ministério em abril e agosto de 2009 e levam a assinatura de Lupi, ao lado da inscrição "certifico e dou fé", e do então secretário de Relações do Trabalho, Luiz Antonio de Medeiros, ex-sindicalista e ex-presidente da central Forca Sindical.

O ministério foi avisado por ofício de fevereiro de 2009, de que esses sindicatos não tinham representação. Como resposta, a pasta de Lupi alegou que "não cabe ao ministério apurar se os integrantes da entidade possuem indústria no ramo ao qual pretendem representar" e que apenas sindicatos poderiam fazer esses questionamentos. Tal postura de fingir que não vê e que não escuta, claramente servia ao propósito do PDT de Lupi e da Forca Sindical de artificializar mais sindicatos a seu favor e, com isso, ganhar mais verbas do Imposto Sindical, dentre outras.

        Entre os sindicatos criados está o das Indústrias da Construção e Reparação Naval, sendo que a produção de navios no Amapá é zero. Assim como não há indústria de papel e celulose, segmento que também ganhou carta sindical de Lupi. O reconhecimento do ministério daria aos sete sindicatos fantasmas força para disputar a Federação das Indústrias do Amapá, que tem orçamento anual superior a R$ 10 milhões e controla verbas do Sistema S (Sesi, Senai).

Para completar o escândalo, a Caixa Econômica Federal, responsável por dividir o imposto sindical, disse que o valor dos repasses é sigiloso e se recusou a prestar informações sobre quanto estes sindicatos movimentaram irregularmente.

 

 

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