Lutas no transporte público mostram necessidade de união de trabalhadores do ônibus e metrô junto com usuários do sistema.
Nos últimos meses, greves e protestos no setor envolvendo o transporte coletivo foram realizados por trabalhadores e estudantes em todas as regiões do Brasil. Essas lutas, relacionadas aos meios de transportes, foram travadas por rodoviários, metroviários e estudantes.
Os trabalhadores resolveram cruzar os braços, e entraram em greve, nas cidades de Manaus (AM), Campinas (SP) e em Teresina (PI), para lutarem pelos seus direitos e por aumento de salários. Da mesma forma, os estudantes de Belo Horizonte (MG), se mobilizaram e saíram às ruas para exigir o direito ao passe livre no transporte.
Os trabalhadores rodoviários resolveram entrar em greve pelos mesmos motivos, em todos os locais: reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Em Campinas, pediram um aumento de 17% para motoristas e 62% para os cobradores; em Teresina foi pedido o aumento de 9,5% para a categoria. Em Manaus além do aumento de 10%, a principal reclamação é que os trabalhadores são obrigados a pagar pelo dinheiro roubado em assaltos, um absurdo existente em muitos locais. Além de receberem salários baixos, os cobradores,em especial, ainda têm que tirar do próprio bolso, para pagar o roubo de um dinheiro que o patrão saqueia dos trabalhadores que usam o transporte coletivo.
Os grevistas fizeram piquetes na frente das portas das garagens, houve radicalização em algumas situações, confronto com policiais, trabalhadores que impediram o acesso dos “fura greves”... Foram muitas e consistentes as manifestações dos trabalhadores nas diferentes situações. Em geral, as categorias não obtiveram grandes conquistas, mas ameaçaram a patronal como há muito tempo não ocorria, e ganharam ânimo para lutar com ainda mais força no próximo período.
Lênin, um dos dirigentes da revolução Russa, e exemplo de revolucionário dizia: “As greves são escolas do comunismo”. Isso porque é nelas que o trabalhador ganha mais experiência e consciência. É nas greves que param a produção, ou, no caso dos rodoviários, o lucro das empresas é suspenso. Nas greves, aprendem que a Justiça,a mídia e a polícia defendem os empresários, e fazem parte de todo um sistema que precisa ser derrotado para obter emprego,salário e direitos.
Além de sofrerem com o salário baixo, os trabalhadores rodoviários sofrem também com a baixa qualidade das condições de trabalhos. Os ônibus estão “caindo aos pedaços”, muitas vezes, colocando em risco os profissionais que aí trabalham; a frota de ônibus é muito pequena para atender os passageiros, o que gera estresse, superlotação, ataques sexuais, furtos, etc., atingindo trabalhadores dos transportes e a população, que precisa usar estes serviços.
Além disso, os rodoviários e metroviários sofrem com a carga horária, pois entre uma viagem e outra, os motoristas e cobradores têm um intervalo que, somado à jornada efetiva, faz chegar a 9 ou 10 horas o tempo gasto no emprego.
Os empresários só se interessam pelo lucro, e o dinheiro investido na infraestrutura é ridículo; as empresas só garantem o mínimo, que é colocar os ônibus a circularem pelas cidades. A responsabilidade por este absurdo, porém, não é apenas dos empresários do transporte, que exploram os trabalhadores como em toda área em que atuam. A responsabilidade principal é dos governos, que concedem à iniciativa privada as linhas e a possibilidade de exploração de um serviço público, tão fundamental a todo mundo.
Do lado dos passageiros, os estudantes assumiram a vanguarda da luta, mais uma vez, na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte. Cerca de 1000 estudantes saíram às ruas, parando o trânsito e revidando as agressões sofridas por parte da Policia Militarem outra ocasião. A exigência principal, contra a prefeitura, era o direito ao meio passe. Esta luta ainda não terminou, e apesar de ainda não obterem nenhuma vitória, os estudantes seguem mobilizados.
Por trás dessa luta, além da discussão sobre a propriedade dos meios de transporte dever ser estatal, também há um questionamento à gratuidade da educação, que só existe no papel. A educação era para ser de graça, e os estudantes não deveriam pagar por nada relativo aos seus estudos. A realidade, entretanto, é bem diferente, onde se paga para copiar textos (o famoso xerox, que substituiu as bibliotecas desatualizadas e sucateadas), não há alimentação gratuita de qualidade e se cobram taxas, muitas vezes. A não existência do passe livre, neste contexto, aprofunda ainda mais a evasão e o caos na educação.
Diante de tudo isso, só resta aos trabalhadores continuar se mobilizando, aumentando as greves e os protestos, pois somente a luta pode melhorar a sua situação, devendo haver a ligação de cada uma dessas pautas de reivindicação a uma luta muito maior: a pelo socialismo e pela revolução.
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