Nas eleições, defender os trabalhadores, as lutas e o socialismo!
Eles são todos iguais
No mesmo momento em que a classe trabalhadora realiza uma série de greves e mobilizações Brasil afora, em que o governo continua seus ataques, fazendo de tudo para impedir o reajuste dos aposentados, e votando a continuidade da entrega de nossas riquezas, a partir das novas regras de exploração do pré-sal, o debate eleitoral começa a se definir no país.
Além das alternativas consolidadas, de PT e PSDB, que devem repetir o mesmo falso enfrentamento de 2006, surge com bastante espaço na imprensa a candidatura da ex-senadora Marina Silva, pelo PV.
O PT e o PSDB são partidos com o mesmo projeto, hoje em dia, e tiveram governos igualmente corruptos e comprometidos em superexplorar os mais pobres e governar para a burguesia internacional. O PV, e Marina Silva, por sua vez, são a expressão de uma candidatura burguesa, com discursos "simpáticos" como a ecologia e a ética na política mas, na verdade, representam um projeto burguês a mais nas eleições, de um suposto desenvolvimento nacional, por dentro do capitalismo e comprometido com os patrões e inimigos dos trabalhadores.
Diante desses programas, e dessas alternativas, podemos dizer que há diferenças pequenas entre os prováveis 3 candidatos a presidente. Porém, no que é mais decisivo, e afeta de modo mais direto e duradouro a classe trabalhadora, Dilma, Serra/Aécio Neves e Marina, além de Ciro Gomes, que corre por fora, são representantes de projetos da mesma classe social, a burguesia. No fundo, eles são todos iguais, e os trabalhadores não têm em quem votar, dentre estes prováveis candidatos.
Por uma Frente Classista e Socialista
Os trabalhadores precisam intensificar as lutas contra o governo Lula e o conjunto das instituições a serviço dos ricos e exploradores. Cada aumento salarial, luta contra demissões ou exigência de algum direito a mais, tem se enfrentado com a brutalidade do governo Lula, da Justiça burguesa e do Parlamento. A forte mobilização dos trabalhadores é respondida com cortes de salário dos grevistas e ameaças de privatização. Junto desses inimigos de classe, a classe trabalhadora tem enfrentado o sindicalismo traidor, que boicota as lutas, encerra greves e atua como agente do governo no movimento.
Por tudo isso, é necessário, ainda mais, levantar a bandeira de “Derrotar Lula” e pôr abaixo o Congresso, combatendo a Justiça e todas as instituições burguesas desse Estado, ao mesmo tempo em que temos que denunciar os reformistas, oportunistas e traidores sindicais, que são verdadeiros inimigos em nossa trincheira.
Assim, devemos apostar cada vez mais na luta direta, na ação de rua, nas greves e ocupações, para bater de frente contra todos que estão aí, e defender emprego para todos, aumento geral de salários, as reformas urbana e agrária radicais, universalização do ensino superior, erradicação do analfabetismo e da fome e estatização do sistema financeiro e áreas estratégicas.
Somente a luta, e uma revolução feita pelos trabalhadores, dirigida por eles, com um programa socialista e operário pode mudar esta realidade. Por meio das eleições, a burguesia vai preservando seu modo de produção, apostando hoje em dia nas Frentes Populares como governos identificados com a massa trabalhadora e que conseguem melhor conter as lutas. Ou seja, cada vez mais, as eleições não mudam nada e são um jogo de cartas marcadas, devendo ser denunciadas nos boletins, agitações e todas as oportunidades que tiverem os trabalhadores. Nossa luta, além de ser contra o capitalismo, deve se dar contra a democracia-burguesa e o próprio processo eleitoral, que são as formas por onde se dá e se reproduz o domínio de classe, que aplica a exploração a que são submetidos os trabalhadores.
No entanto, apesar de devermos apostar nas lutas e desmascarar e fazer campanha de denúncia contra o processo eleitoral de araque a que somos submetidos, achamos importante que se ocupe também o espaço eleitoral. Devemos utilizá-lo para apresentar o programa socialista do qual necessitam os trabalhadores, e denunciar o governo, o regime, e os reformistas traidores de nossa própria classe.
Por isso, o Movimento Revolucionário defende a constituição de uma Frente Classista e Socialista para as eleições de 2010. Uma frente com um programa de combate ao capitalismo, aos patrões e suas instituições; de oposição intransigente ao governo Lula, e que seja oposta e inimiga das alternativas de Frente Popular e reformistas em geral, como são os projetos do PV e do PSOL.
Defendemos a formação dessa frente nacionalmente e em cada um dos Estados, sem a presença de nenhum partido burguês, como o PV, ou frente-populista, como o PSOL. Uma frente que repudie o programa burguês defendido por esses partidos, o financiamento de multinacionais -que já se incorporou a eles-, e os métodos antidemocráticos com que conduzem suas decisões.
Defendemos, em suma, uma candidatura dos trabalhadores, controlada por eles, através de comitês abertos e com poder deliberativo sobre a campanha, com um programa socialista, de ruptura, que impulsione as lutas, a defesa do programa de nossa classe e a revolução, denunciando as alternativas representantes do capitalismo e dos patrões.
Com a palavra, o PSTU
A frente que defendemos deve ser encabeçada pelo PSTU, único partido com registro eleitoral que poderia assumir esse programa. A frente deveria ser composta sem os critérios de registro eleitoral usados pela burguesia e pelo TSE, e sim pelo critério da democracia direta, em que organizações revolucionárias e operárias estivessem presentes, além dos trabalhadores independentes, e o programa e deliberações sobre a campanha fossem decididos em plenárias abertas. Da mesma forma, deve garantir espaço nos materiais e tempo na TV aos setores em lutas e organizações que componham a frente, para que possam expressar seus pontos de vista internos.
Esta frente é oposta da Frente Popular formada pelo PSOL, PSTU e PCB em 2006 e, na maior parte dos lugares, em 2008. Nestes anos, as candidaturas da frente representaram um programa burguês, ainda que operários fizessem a sua campanha. Não se defendeu a luta do campo, o direito ao aborto, a ruptura com a dívida pública: nada que interessa aos trabalhadores. Heloísa Helena, Milton Temer, Ivan Valente, Roberto Robaina, Luciana Genro, etc.: todos defendiam um projeto de colaboração de classes com a burguesia, e agora em 2010 apenas vão repetir a mesma coisa ao lado do PV.
Ao contrário dessa frente com um programa capitalista "ético" e reformista, defendemos uma frente contra o capitalismo, socialista, classista e de luta.
Para isso, porém, é preciso que o PSTU rompa com sua política atual. Saudamos que os companheiros estejam lançando a pré-candidatura de Zé Maria a presidente, não aceitando compor uma Frente Popular com PSOL e PV. Mas não é preciso um número mínimo de burgueses para uma frente ser burguesa. Em 2006, com um programa burguês, Heloísa Helena não precisou ter um vice, ou ser vice, de nenhum partido de direita para defender um projeto contrário aos trabalhadores.
Já em 2008, além do programa burguês nacional da frente, o PSOL saiu com a burguesia diretamente em várias cidades, incluindo alianças com PV, PSB e PT, e coligações que incluíram até mesmo o PSDB e o egresso da ditadura PP. O PSOL, além disso, ganhou R$ 150 mil diretamente de grandes empresários. Mas o mais impressionante é que, mesmo assim, o PSTU apoiou o PSOL, coligando com um partido numa cidade, sendo que, na cidade ao lado, este partido estava com a direita mais reacionária. Por tabela, o PSTU esteve ligado a coligações burguesas em 2008.
Em 2010, o PSTU, para poder formar uma frente classista e socialista de verdade, em primeiro lugar, deve romper completamente com qualquer Frente Popular que possa existir, no país e em qualquer Estado. Há condições políticas e espaço para existirem candidaturas independentes dos trabalhadores, sem conciliações ou concessões de classe, como nas últimas eleições. Em segundo lugar, as candidaturas que defendemos devem assumir a crítica à democracia burguesa e ter um perfil de ruptura e da ação direta. Em terceiro lugar, devem ser submetidas e controladas pelos trabalhadores, garantindo-se espaço em todos os níveis às organizações que componham a frente.
Infelizmente, não é isso que se apresenta hoje. O PSTU, mais uma vez, segue discursando a favor de uma nova Frente Popular (burguesa, portanto) com o PSOL, a qual chama de “classista”. Faz esse chamado mesmo tendo sido ignorado e desrespeitado sistematicamente nas últimas eleições, o que deixou sem representação os trabalhadores, ao ter se somado a um projeto de outra classe.
Dessa vez, o PSOL, ao desprezar a coligação com o PSTU e aderir ao PV, apenas mostrou quem é de modo mais claro, e foi isso que obrigou o PSTU a lançar candidato próprio a presidente. Mas esta opção deve ser nacionalizada, com a ruptura eleitoral com o PSOL em todo o país, além de que é preciso mudar o rumo político. Até mesmo para não parecer uma extensão política da candidatura de Marina Silva e do PSOL, a Frente Classista que defendemos, deve ser oposta a essa candidatura e combatê-la publicamente, denunciando-a como uma 3ª via burguesa na eleição.
Da mesma forma, é necessário deixar de lado uma política rebaixada que o PSTU hoje tem em relação ao governo Lula, em que prioriza exigências a um governo contra quem os trabalhadores lutam cada vez mais e acreditam cada vez menos. Após 7 anos de ataques, mensalão e defesa incondicional de banqueiros e especuladores, é preciso que nosso centro seja a denúncia desse governo e de todas as instituições do capitalismo. Esse programa foi abandonado pelo PSTU, mas deve ser retomado, sob pena de que, mesmo sozinho, este partido represente uma candidatura sem conteúdo e de linha auxiliar da Frente Popular de PV/PSOL.
Nós chamamos os companheiros do PSTU, portanto, a avançarem na construção de sua pré-candidatura. Esperamos que exista democracia na constituição dessa alternativa e que possamos retomar a velha tradição de candidaturas operárias e socialistas, que cada vez tem mais espaço, e que o próprio Zé Maria já representou no passado, em 1998 e 2002.
Ao contrário de 2006 e 2008, em que os trabalhadores não tinham candidatos cujos programas os defendessem, em 2010, isso ainda é possível. O Movimento Revolucionário se coloca na linha de frente pela luta dessa alternativa. Com a palavra, o PSTU.
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