Publicado em 03/08/2010

Agora é o imperialismo quem admite: eles são todos iguais!

Marina Silva viaja para Nova York, e recebe “elogio” de investidores, que deram “ok” a sua candidatura dizendo que é tão “segura” como a de Dilma e Serra.

        A candidata a presidente pelo PV, Marina Silva, tem feito de tudo para provar que não tem nada de diferente de Serra e Dilma. Num esforço contra si mesma, já que sua origem pobre e de trabalhadora seringueira, além da condição de mulher negra, transmite uma imagem de novidade, Marina faz questão de reafirmar que não tem nada de novo. Politicamente, isso já não é uma surpresa, já que a candidata diz e repete o tempo todo que quer manter o que fizeram FHC e Lula.

Perguntada se é oposição, a ex-ministra de Lula já esclareceu que não é oposição nem ao PT nem ao PSDB, e minimizou a corrupção petista garantindo que o partido é honesto, que os corruptos são poucos e que esse é um problema de todos os partidos. Marina consegue ser a junção do que há de pior nas duas candidaturas favoritas nesta eleição: é governista e, ao mesmo tempo, também é próxima do PSDB, com quem seu partido está abraçado no RJ.

Em termos políticos, Marina defende um programa que, entre outras pérolas, defende a concessão de autorização para grandes projetos de destruição ambiental e para a transposição do Rio São Francisco. Também é a candidatura mais fanaticamente contra direitos dos homossexuais, como declarado acintosamente na ocasião da aprovação do direito ao casamento gay na Argentina. Marina é contra os direitos das mulheres, fazendo coro às concepções mais atrasadas dos evangélicos contra o direito ao aborto, por exemplo.

Agora, economicamente, com as bênçãos do imperialismo norteamericano, Marina também foi sabatinada e aprovada. Para a gestora de ativos BlackRock, que administra cerca de US$ 3 trilhões em recursos em todo o mundo, o mercado está tranquilo porque "os alicerces do Plano Real vão continuar", seja com Marina, Serra ou Dilma.

As propostas econômicas da candidata do PV foram cuidadosamente expostas nesta quinta-feira em um evento organizado pela BM&F Bovespa em Nova York. O objetivo era explicitamente ganhar o aval de quem realmente manda nos presidentes de países como o Brasil. E, conforme eles mesmos, não viram diferenças entre a visão de mercado da candidata e de seus concorrentes.

Os investidores ouvidos pela BBC Brasil já esperavam que a candidata propusesse a manutenção das políticas macroeconômicas implementadas pelo Plano Real e a independência do Banco Central. Marina confirmou as expectativas dizendo que seu eventual governo se compromete com "três alicerces macroeconômicos: o sistema de metas de inflação, a responsabilidade fiscal e o regime de câmbio flutuante".

William Landers, diretor-gerente da BlackRock, disse que dar continuidade "ao que tem funcionado na parte econômica é muito importante, porque o mercado, nessa parte de políticas econômicas, não quer ver muitas mudanças". Landers é responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados à América Latina que reúnem cerca de US$ 9 bilhões.

Landers ainda foi mais longe: "é difícil ficar diferenciando os candidatos, porque (o discurso) é tudo muito igual". Ele diz que a eleição presidencial não deve mudar a direção do mercado brasileiro. "O mercado está tranquilo porque os alicerces do Plano Real vão continuar, seja na administração de José Serra, de Dilma Rousseff ou de Marina Silva. Isso dá tranquilidade para não se preocupar com as eleições, e isso é o que é importante para o mercado hoje em dia."

É uma vergonha! Isso mostra que ganhe quem ganhar a vida não vai mudar. É o que os revolucionários vêm dizendo a algum tempo. Mas, quando num acesso de sinceridade algum burguês admite isso, é hora de os trabalhadores reagirem. Não se pode mais aceitar que a escolha de candidatos nas eleições seja uma mera farsa.

O Movimento Revolucionário milita para derrotar as candidaturas burguesas, que tentam enganar os trabalhadores, e denuncia o próprio processo eleitoral, como um jogo de cartas marcadas. É preciso construir organizações de poder popular, paralelas e opostas às instituições falidas do capitalismo, e, pela força das mobilizações derrubar este sistema explorador.

 

 

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