Marina Silva rompe com o PT e pode ser candidata à presidência do Brasil pelo PV. Nova promessa, velho programa!
Depois de 30 anos militando no Partido dos Trabalhadores, Marina Silva, atual senadora pelo Acre, rompeu com o partido. Por telefone, ela comunicou sua saída ao presidente da organização, Ricardo Berzoini, também entregando uma carta na qual se justificava.
A ruptura já era esperada desde o início do mês, quando começaram a surgir rumores de sua candidatura à presidência em 2010, pelo Partido Verde.
Entretanto, é evidente que o desconforto da senadora com sua antiga organização já vem de mais tempo. Desde o ano passado, quando ela, então Ministra do Meio Ambiente, entregou sua carta de demissão à Lula devido ao descontentamento com a forma como o governo vinha gerindo a questão ambiental nacionalmente. Marina foi cúmplice do desmatamento da Amazônia, do avanço das madeireiras e das queimadas dos pecuaristas. Mas até para alguém disposta a aceitar a destruição ambiental em nome do “realismo político”, a postura pró-latifúndio e de privatização da Amazônia foi longe demais
Ela que, junto com Chico Mendes, fundou a CUT e o PT no Acre, participou de movimentos de bairro, dos seringueiros, foi vereadora, deputada estadual, federal e senadora; e alegou estar saindo do PT “para manter a coerência”. Disse que vai em busca do sonho de lutar pelo desenvolvimento sustentável do meio ambiente. Este sonho “ecológico” de Marina seguirá dentro co capitalismo, num partido burguês, que votou a favor da reeleição de FHC, e tem Sarney Filho em sua legenda.
Assim, ficam claras algumas coisas. Primeiro que sua opção política não tem nada de progressiva, e seguirá nos marcos dos velhos políticos e por dentro do sistema que gera a destruição ambiental, a fome e o desemprego. Em segundo lugar, o episódio mostro que o seu projeto, por mais específico que fosse -uma causa ambiental desprovida de uma luta coerente- já não era compatível com o PT, tamanha é a degeneração desse partido.
O PT, que já foi o partido não só dos trabalhadores, mas dos movimentos sociais, dos desempregados, dos ativistas da esquerda como um todo, hoje é o partido dos empresários, dos exploradores, que fortalece a sua base eleitoral em meio a projetos assistencialistas para os miseráveis. O PT é tão defensor dos banqueiros e da podridão da política, que nem mesmo as idéias capitalistas integradas ao sistema, mas um pouco mais ligadas aos anseios populares, têm lugar no seu interior.
Marina não é uma revolucionária. É uma ex-ativista de esquerda, que sustenta o velho discurso das medidas reparadoras e superficiais - ou seja, reformistas – para minimizar os efeitos do capitalismo sobre o meio ambiente e os setores mais explorados. Mas basta este perfil político, para que possa ser a candidatura mais de “esquerda” na próxima eleição, levando-se em conta sua possível campanha.
Sua saída do PT é uma perda para o partido, e um ganho para o PV. Mas quem mais pode perder é o PSOL que, numa próxima eleição, caso queira repetir a coligação PSOL-PV (feita em alguns lugares nas últimas eleições municipais) terá de escantear Heloísa Helena.
Marina já surge como uma novidade mais viável que Heloísa Helena, já desgastada com seu discurso único pela “ética” na política, ao mesmo tempo que defende um programa contra o direito ao aborto, que defende alianças e financiamento da burguesia, etc. Ao menos Marina tem um passado de lutadora e figura histórica, o que a distingue de Heloísa Helena, além de ter o apoio de setores burgueses minoritários, o que Heloísa apenas sonha em conseguir.
Com sua trajetória de explorada, não deixa de ser lamentável que Marina se disponha a semear ilusões nas eleições e no regime democrático burguês, sem apresentar uma saída revolucionária à classe trabalhadora. Marina Silva surge como mais uma figura que promete mudanças, mas que, na prática, não oferece nenhuma melhoria significativa na vida dos trabalhadores e da maioria da população, pois seu projeto não enfrenta a essência dos problemas do país: o sistema capitalista. Por isso mesmo, Marina pode crescer: é a cara com mais potencial de ser “novidade”, ao mesmo tempo em que não há risco nenhum de mudar alguma coisa.
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